Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

ASSOCIAÇÕES CULTURAIS – II


Tive projectado um texto-II, muito maior e detalhado do que este, sobre as Associações Culturais no Concelho.

Entretanto, fui agradavelmente surpreendido pela notícia do Encontro que algumas delas vão ter na próxima sexta-feira, 26, pelas 21H00, na Biblioteca Municipal.

Esse meu texto proporia exactamente um Encontro concelhio entre todas, para debaterem as suas vivências e reprojectarem o futuro.

Com os meus votos para que do Encontro frutifique uma consolidada união na defesa dos seus interesses e revigorem energias (bem precisas!) para novas programações e objectivos alcançáveis, apetece-me testemunhar que AS ASSOCIAÇÕES SABEM O QUE QUEREM, PORQUE EXISTEM E...PARA QUE PERSISTEM!

Portugal e o Concelho de Rio Maior fazem parte duma sentida, salutar e recomendável "carolice" planetária, sem a qual todos estaríamos bem mais pobres nos patrimónios, nas culturas e nas pessoas. Onde quer que estivéssemos de visita ou vivêssemos quotidianamente: da Índia aos USA, da Austrália a Portugal.

Bom Encontro!

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

ASSOCIAÇÕES CULTURAIS - I


"Primeiro, estranha-se; Depois entranha-se".
Este, foi o slogan de Fernando Pessoa (esse mesmo, o genial poeta!) para a Coca-Cola, quando a bebida norte-americana tentou pela primeira vez escorrer em Portugal. Sabe-se, Salazar (o que vai vencer "O Maior Português de Sempre") proibiu-a! Caetano (o tímido liberal) nem sequer ligou ao assunto, e o "fruto proibido" começou timidamente a ser consumido em pequenas doses. Era uma festa-orgia cultural, quando alguém saboreava, afinal, a inocência-em-garrafa!

A Cultura-Culta (C-C) proporcionada pela autarquia riomaiorense nos já muitos inócuos anos, não tem (es)corrido conforme as necessidades e evoluções geracionais, económicas, culturais e...demográficas das populações do Concelho.
Alguém, na autarquia socialista, não deixou que a C-C se entranhasse nos cidadãos, porque os senhores vereadores e o senhor presidente não estranharam até hoje, tantos dias e tantas noites sem ponderada, adequada e vital programação, se exceptuarmos uma tentativa-esperança ao tempo do vereador Vítor Damião, mas logo "serenada" pelos limites financeiros, estratégicos, programáticos e...outros.

Antes e depois, pouco mais do que nada, ou seja, ocasionais eventos de C-C ocorreram.

Não têm provado (mas sabem que existe) o "fruto proibido". Temem-no.

Daí, não estranhemos (mas lamenta-se bastante) o tratamento institucional, os apoios, dados às Associações Culturais.

Também se percebe (e muito) a sentida "ausência" da senhora vereadora da Cultura desde que tomou posse. Não há uma entrevista de fundo, nem o anúncio dum projecto global. Senta-se, olha, sorri, fala quase nada, marca presença.

Desculpe-me a senhora (que não conheço pessoalmente), mas estamos perante uma cultura tipo chá-e-torradas. Mais um bom-bom.

Acaso já foi a todas as Associações Culturais para conhecê-las profundamente e colher sugestões, entender objectivos, fortalecer contactos, definir estratégias, apreciar trabalhos, sensibilizar-se com tamanhos esforços e talentos dos "carolas"?

Com quantas falou? O que lhes disse? O que (não) prometeu?
Espero que entenda: Cultura-Culta não é obrigatoriamente uma ópera ou uma exposição. É por certo e também, uma desfolhada nos Chãos, a Natureza salvaguardada e reprojectada pela H2O, ou uma dança dos Ranchos!

Para dinamizar o Concelho, muitíssimo mais do que um slogan, é necessário outro tipo de trabalho. Entender --e amar-- as pessoas. Apresentar mais, novos e consentâneos projectos.

Manifestamente o actual executivo já não consegue ter ideias "arejadas",inovadoras, surpreendentes e estimulantes ! Também para a C-C !

Cansou, são muitos anos! Não consegue Ver, só olha! Orienta a amiba e gere os tentáculos que criou!

DESENVOLVIMENTO. CONHECIMENTO. CULTURA.(*)
Estranho?
Nada estranho! -- vai entranhar-se a partir de 2009 !

(*) Muito eu gostaria que assim fosse, para todos!

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Disparidades, Conecções e Temores


O governo cortou nas verbas destinadas às autarquias. Estas, ameaçaram retaliar e que me lembre, prejudicariam o ensino, assistência social, ajuda humanitária, defesa do ambiente. O desporto/futebol não fez parte desse alvo, foi transformado em seta! Aliada!
O executivo camarário riomaiorense assinou recentemente contratos-programa de apoio a 44 associações culturais, desportivas, ambientalistas, recreativas e humanitárias.
Vejamos parcelarmente as verbas atribuídas:
30.900,00 Euros - 25 colectividades. Juventude, Educação e Cultura (25.300,00 destinados a actividades e 5.600,00 para obras);
163.100,00 Euros - 19 Clubes/Associações Desportivas (na totalidade, para a “realização de actividades”).
Mais, e para a educação:
6.264,00 Euros - Associações e Juntas de Freguesia (enriquecimento escolar no 1º CEB, refeições + utilização de instalações para aulas de Actividade Física e Desportiva);
208.000,00 Euros - pagamento a professores (protocolos com entidades/empresas que leccionarão as disciplinas de Actividade Física e Desportiva, Inglês e Educação Musical.)

Concluindo: disparidades. Perigosos disparates. Conecções sociais. Temores sociológicos.
Para a Câmara, 25 colectividades cuja génese e labor proporcionam compreensões, progressões, e urgente, salutar desenvolvimento colectivo, valem menos do que 19 que durante 1 ano correm o risco de nada “produzir” para além da (igualmente necessária !) saúde física. Prefere a exibição desportiva fugaz, popularmente excitante e por tal eleitoralmente rentável, ao “pib” intelectual e cultural. A saúde mental é quase esquecida – algum autarca, durante um mandato, a ela se dedica e refere publicamente?

A Câmara continua insensível face ao investimento que tem a obrigação(!) de fazer(!!) para o desenvolvimento intelectual. Respeita (só institucionalmente) os “carolas”. Passa ao lado, bem longe aliás, duma específica divulgação cultural. Não sabe o que fazer ao ambiente, à Natureza. Conhece, q.b.(ou pouco mais), que existem associações humanitárias. Espreita pela porta de entrada as associações recreativas. Se puder, pisca o olho partidário à juventude. Adora o futebol e seus “agentes”!
Porque não percebe e ignora diferenças geracionais, é inábil a motivá-las para uma vivência global. Insinua-se perante elites em detrimento dos mais desfavorecidos. Acarinha e usa quem lhe dá mais mediatismo e… possíveis apoios quadrienais. Afasta-se de muitos, tolera uns quantos, abraça poucos.

Há espaços desportivos (e afins) cuja manutenção custa muito dinheiro. São (têm que ser!…) vivificados, razoavelmente rentabilizados, projectam Rio Maior. Reconheço-lhes importâncias várias. Pululam atletas (do futebol ao atletismo) contratualmente a manter. Alguns, muito bons “embaixadores” do Concelho.
Mas também já existem espaços culturais que têm de ser mantidos e programados, só que para estes, o dinheiro é sempre “curto”…os dígitos “congelam”. E não sabem(!) nem querem “usar” um dos maiores poetas contemporâneos, Rui Belo. A propósito: há anos foi anunciado e protocolado pela Câmara o Prémio Rui Belo…cujos resultados se desconhecem em Rio Maior…
Se quiserem: entre, por exemplo um emblema ou clube de futebol (eu gosto de futebol), e uma associação ambientalista ou cultural dinâmica (é-me incomparavelmente muito mais útil e imprescindível a Natureza e a Cultura), a autarquia privilegia o “desporto rei”! Algumas dúvidas? E o que é mais importante para o futuro das gerações do - e no - Concelho ?
A Câmara não salvaguarda, não projecta, a maior preciosidade de todos: o Conhecimento !

Concluo que “falta mundo” aos nossos actuais autarcas. Contentes consigo mesmos, olham, mas não vêem!
Temem a acção cívica, o entendimento social e evolução cultural doutros! A prova, está também na atribuição desses subsídios e será muito interessante verificar quem-é-quem no entendimento dos senhores vereadores e do sr. presidente.

PS
1. Vide o meu post neste blog, a 13 de Dezembro, intitulado “Pérolas”.
2. Estou, devem estar todos os riomaiorenses, expectantes face ao orçamento e programação para a Casa da Cultura!

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Uma Queda Anunciada

Em Novembro uma fenda anunciava a queda. Nesse mesmo mês a Escola Superior de Desporto abandonava as instalações da antiga Escola Comercial, ex-biblioteca Laureano Santos, e mudava-se para a antiga Escola Primária nº 1, ex-Centro de Juventude Riomaiorense.

Apesar de ser conhecido o problema ninguém tomou, em devido tempo, a decisão de tentar controlar a situação e impedir a derrocada. E assim desde Dezembro que se encontra como a foto documenta um edifício que é parte da história da cidade. Como quase ninguém vê os danos, tapados pelos edifícios em frente, deixa-se arrastar a situação, degradar ainda mais.

Em Maio de 2003 Silvino Sequeira dizia ao jornal “O Mirante”: “Gostava de ter o meu nome na história local. Pelo que tenho feito em nome do interesse público acho que a História de Rio Maior terá de ter pelo menos uma alínea sobre o Silvino Sequeira”.
Terá mais que uma alínea com certeza e o historiador decerto questionará o facto de o seu colega, licenciado em História, permitir a continua degradação dos monumentos locais (Vila Romana, Fontes e Fontanários históricos, Instalações da Mina do Espadanal, Capela de Nª. Srª. da Victória e às ruínas do Paço Senhorial Medieval, etc..)

Como diz o meu caro amigo Manuel Barbosa toda a gente se esquece da cultura nesse nosso concelho e também do potencial turístico que poderia resultar do correcto aproveitamento dos seus monumentos.

Domingo, Janeiro 07, 2007

Disparates

Sobre a inqualificável requalificação do Jardim Municipal já quase tudo foi dito e quase tudo é mau!

Desde a mais singela falta de gosto até às mais aberrantes “soluções” , tudo se pode encontrar neste jardim mal plantado.

Na peregrina ideia de querer agradar a “gregos e troianos”, tentou-se aproveitar algumas coisas do antigo jardim, mas o seu enquadramento no novo espaço foi completamente descurado.

Não querendo já falar nas árvores, veja-se a valorização que foi dada à estatuária/monumentos existentes.

Repare-se no que fizeram ao busto do saudoso Dr. Barbosa. Para além de o deixarem totalmente desalinhado com o espaço envolvente, recentemente chaparam-lhe com o taipal que a foto ilustra. E nem as palavras correspondem às originais
o que, para além de uma enorme falta de gosto, é sobretudo, uma falta de respeito pela memória de tão ilustre riomaiorense!

Realmente há cabeças pensantes neste município que só mesmo à martelada. É que só um “cabeça de martelo” se lembraria desta solução!
Do meu caro amigo Manoel Barbosa recebi este inestimável complemento:
" De facto tem-se verificado no Jardim Municipal, desde há muito, um inexistente conhecimemto cultural e estético para colocar algumas esculturas, dentre as quais umas quantas herdadas dum Encontro de Escultura ocorrido na Serra dos Candeeiros. Algumas foram vandalizadas e não reparadas imediatamente; quase todas,colocadas "ao contrário" da luz natural e nenhuma iluminada durante a noite; duas, permaneceram meses desmontadas pelos serviços camarários; nenhuma foi colocada sobre uma necessária base em pedra ou madeira; etc.
Desde Novembro de 2005, colocaram no Jardim uma outra escultura, alusiva ao Patrono dos Escuteiros, francamente má, péssima, não só pelo corpo atarracado, ergonomicamente calculado ao momento, conforme a pedra "deu",e sabe-se que a pedra não é elástica...
Agora, o triste exemplo da lápide identificadora do busto criado por um Mestre da escultura portuguesa, Leopoldo de Almeida! Francisco Barbosa e Leopoldo não merecem aquela placa despropor4cionada na dimensão e nas letras, certamente pensada "assim chega, está bonita, cole-se!". Restam, não vandalizadas, a obra, excelente, de Lagoa Henriques frente ao Palácio da Justiça, bem como o mural de Leonel Moura no Quartel da GNR.
Pelo país, tenho encontrado outros péssimos (e também bons, excelentes) exemplos. A maioria dos autarcas são incultos, ignorantes e não querem rodear-se de quem, culturalmente sabe muito mais do que eles. Têm destruido esteticamente uma quantidade preocupante e irrecuperável do território urbano e paisagístico! Nem a luz natural, uma das melhores do planeta, sabem, querem respeitar! Melhores dias surgirão, também para o Concelho de Rio Maior."

Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

P.S's *


PS 0 – Não quero postar assuntos pessoais neste blog, mas…

PS 1 – Amigo riomaiorense sorriu e informou-me: alguns “círculos” locais concluíram que eu me “estive a oferecer” para algo na Casa da Cultura, ao escrever neste blog sobre a inexistente programação e incrível, surreal, até hoje inexplicado encerramento na noite em que foi inaugurada!

Muito nos rimos de quem pensa que eu precisaria ou me sujeitaria a “trabalhar” com um pelouro débil e q.b., seu vereador programaticamente ausente, sem projectos nem conhecidas ideias e “sob” decisor presidencial mais que “percebido” ao fim de duas décadas. Descansem: não quero “trabalhar na Câmara”!

PS 2 – Podem, os “quadros” partidários, moverem-se como (legitimamente) entenderem para ascenderem a cargos camarários, porque jamais(!) me candidatarei a….nada !

PS 3 - Porém, não recusarei especial colaboração, muito activa, para ajudar a proporcionar uma regular, criteriosa e merecida vida sócio-cultural no Concelho – o que até este momento não tem acontecido…
Obviamente, com outro e diferente executivo camarário. A partir de 2009.

PS 4 – ”Há mais vida para além”!… do PS.

PS 5 – Também soube que “corre” peculiar entendimento sobre a minha acutilância em relação a algumas decisões camarárias. Ou seja, dado que vendi uma obra pictórica “à Câmara” (Novembro de 2001) devia estar “calado”….
Esclareço: a) a obra foi concretizada porque o sr. Presidente da Câmara me “encomendou” uma pintura para a Biblioteca Municipal. E devo esclarecer que não me pediu especiais cores, traços, volumes ou tema. Respeitou a minha criatividade;
b) a venda da obra foi negociada com o sr. Miguel Paulo, então Vereador da Cultura. Também enalteço o seu “charme” para comigo e para com a entidade/pessoa que gere a minha produção, dadas as consecutivas e conseguidas reduções do preço total. Hábeis conversações por vezes intensas, de M.Paulo, que beneficiaram o dinheiro-investimento público;
c) não pude oferecer a obra aos munícipes. A Câmara pagou simbolicamente (só) X , satisfazendo parcialmente o meu compromisso contratual com a referida entidade. O restante (27%) e todo o material, paguei eu. Ou seja, nada ganhei.
d) não vendi a obra “à Câmara” nem a ninguém em particular, mas sim aos riomaiorenses. Aos meus conterrâneos.

Muito mal está a vida em sociedade e periclitante a liberdade, quando as pessoas pensam que pelo facto de venderem qualquer coisa a uma autarquia ou ao Estado, têm a obrigação de cercear o entendimento e raciocínio próprios, silenciar a sua voz crítica. Serve igualmente para quem, no aparelho do Estado ou nas autarquias, compra matéria para estagnar cérebros, proporciona emprego para aquietar reacções, promete futuro/s em troca de conivências . Infelizmente abundam casos desses !

* Post-scriptum

Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

Ano Novo, Vida Nova!!


Mais um ano, mais 365 para pensar e decidir o futuro de Rio Maior.
Nos últimos dias do ano mais uma Assembleia Municipal onde se aprovou o Orçamento e Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Rio Maior. Para além disso mais uns quantos empréstimos para completar as obras de requalificação urbana.
Ficámos também a saber que a nova data para arranque das obras na Av. Paulo VI é o próximo mês de Março de 2005.

E lá disse o Sr. Presidente que não quer despedir ninguém mas não hesitará, em momento algum, em enviar trabalhadores para o quadro de supranumerários da Função Pública.

E revelou o "grande segredo" por detrás da operação de pagamento dos débitos aos fornecedores no valor de cerca de 2 milhões de euros: andar 2 anos sem lhes pagar, recolher os fundos num "saco-azul" do orçamento autárquico e depois pagar tudo de uma vez para fazer boa figura. É claro que as empresas que estiveram meses sem receber as suas facturas não devem achar muita piada a este "Êxito Municipal"!

Sobre o Orçamento dizer que é bem menos detalhado que a versão do ano anterior. Para quem conhece um pouquinho de contabilidade só lá estão as principais sub contas, todo o detalhe foi omitido, talvez porque este ano o orçamento tem que ser publicado no site do município e não convêm que nenhum "bisbilhoteiro" conheça os números das diversas actividades.
Para quem quiser dar uma olhadela fica aqui o documento: Orçamento CMRM

PS: Nota para o tratamento "ofensivo" de que foi alvo o presidente da H2O, Alexandre Jacinto, que esperou até às 4 da manhã para falar no período consignado ao público, e que não viu as suas questões respondidas nem soluções para o futuro do movimento associativo em Rio Maior. Dr. Silvino Sequeira não se trata assim um jovem que já fez muito pela divulgação do nome deste concelho. Mesmo não se tratando de uma Susana Feitor ou de um João Vieira, este jovem "marcha" muito em defesa dos jovens de Arrouquelas.