
O governo cortou nas verbas destinadas às autarquias. Estas, ameaçaram retaliar e que me lembre, prejudicariam o ensino, assistência social, ajuda humanitária, defesa do ambiente. O desporto/futebol não fez parte desse alvo, foi transformado em seta! Aliada!
O executivo camarário riomaiorense assinou recentemente contratos-programa de apoio a 44 associações culturais, desportivas, ambientalistas, recreativas e humanitárias.
Vejamos parcelarmente as verbas atribuídas:
30.900,00 Euros - 25 colectividades. Juventude, Educação e Cultura (25.300,00 destinados a actividades e 5.600,00 para obras);
163.100,00 Euros - 19 Clubes/Associações Desportivas (na totalidade, para a “realização de actividades”).
Mais, e para a educação:
6.264,00 Euros - Associações e Juntas de Freguesia (enriquecimento escolar no 1º CEB, refeições + utilização de instalações para aulas de Actividade Física e Desportiva);
208.000,00 Euros - pagamento a professores (protocolos com entidades/empresas que leccionarão as disciplinas de Actividade Física e Desportiva, Inglês e Educação Musical.)
Concluindo: disparidades. Perigosos disparates. Conecções sociais. Temores sociológicos.
Para a Câmara, 25 colectividades cuja génese e labor proporcionam compreensões, progressões, e urgente, salutar desenvolvimento colectivo, valem menos do que 19 que durante 1 ano correm o risco de nada “produzir” para além da (igualmente necessária !) saúde física. Prefere a exibição desportiva fugaz, popularmente excitante e por tal eleitoralmente rentável, ao “pib” intelectual e cultural. A saúde mental é quase esquecida – algum autarca, durante um mandato, a ela se dedica e refere publicamente?
A Câmara continua insensível face ao investimento que tem a obrigação(!) de fazer(!!) para o desenvolvimento intelectual. Respeita (só institucionalmente) os “carolas”. Passa ao lado, bem longe aliás, duma específica divulgação cultural. Não sabe o que fazer ao ambiente, à Natureza. Conhece, q.b.(ou pouco mais), que existem associações humanitárias. Espreita pela porta de entrada as associações recreativas. Se puder, pisca o olho partidário à juventude. Adora o futebol e seus “agentes”!
Porque não percebe e ignora diferenças geracionais, é inábil a motivá-las para uma vivência global. Insinua-se perante elites em detrimento dos mais desfavorecidos. Acarinha e usa quem lhe dá mais mediatismo e… possíveis apoios quadrienais. Afasta-se de muitos, tolera uns quantos, abraça poucos.
Há espaços desportivos (e afins) cuja manutenção custa muito dinheiro. São (têm que ser!…) vivificados, razoavelmente rentabilizados, projectam Rio Maior. Reconheço-lhes importâncias várias. Pululam atletas (do futebol ao atletismo) contratualmente a manter. Alguns, muito bons “embaixadores” do Concelho.
Mas também já existem espaços culturais que têm de ser mantidos e programados, só que para estes, o dinheiro é sempre “curto”…os dígitos “congelam”. E não sabem(!) nem querem “usar” um dos maiores poetas contemporâneos, Rui Belo. A propósito: há anos foi anunciado e protocolado pela Câmara o Prémio Rui Belo…cujos resultados se desconhecem em Rio Maior…
Se quiserem: entre, por exemplo um emblema ou clube de futebol (eu gosto de futebol), e uma associação ambientalista ou cultural dinâmica (é-me incomparavelmente muito mais útil e imprescindível a Natureza e a Cultura), a autarquia privilegia o “desporto rei”! Algumas dúvidas? E o que é mais importante para o futuro das gerações do - e no - Concelho ?
A Câmara não salvaguarda, não projecta, a maior preciosidade de todos: o Conhecimento !
Concluo que “falta mundo” aos nossos actuais autarcas. Contentes consigo mesmos, olham, mas não vêem!
Temem a acção cívica, o entendimento social e evolução cultural doutros! A prova, está também na atribuição desses subsídios e será muito interessante verificar quem-é-quem no entendimento dos senhores vereadores e do sr. presidente.
PS
1. Vide o meu post neste blog, a 13 de Dezembro, intitulado “Pérolas”.
2. Estou, devem estar todos os riomaiorenses, expectantes face ao orçamento e programação para a Casa da Cultura!