Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Salvar a Mina


O Grupo de Estudos Riomaiorenses (GER) tem um muito bom site na internet: "Rio Maior".
Nele, encontramos praticamente todo o património histórico edificado no Concelho.
Dinamizado pelo arquitecto Nuno Alexandre Rocha, o GER formou recentemente a Comissão Para a Defesa do Património, da qual fazem parte Nuno A. Rocha, António Feliciano Jr., Eva Neves, João A. Calado da Maia, João de Castro, José da Silva Pulquério e Manuel Sequeira Nobre. Significativa, a presença de três ex-presidentes da Câmara.

Ora, a Comissão Para a Defesa do Património (CPDP) está neste momento a recolher assinaturas para a Petição para a Classificação do Património Mineiro Riomaiorense, que será oportunamente enviada à Câmara Municipal, de quem se espera medidas adequadas de modo a salvar "A Mina" e legá-la às gerações futuras para fins, por que não, culturais?
Que muito bem serviria para um Centro Cultural polivalente (também com a História da Mina, se recuperável) e nele inserido o tão urgente Museu e Arquivo Municipal!!!
Que útil, um excelente Parque/Jardim à volta!
"A Mina", realce-se, é Património de Interesse Municipal (IPPAR, 05 de Julho de 2006).
"A Mina", note-se, está inventariada pela Ordem dos Arquitectos no Inquérito à Arquitectura em Portugal no Séc. XX.
"A Mina", orgulhamo-nos, está na base de dados da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

"A Mina" pode desaparecer, dado que os seus espaços e área adjacente, estão à venda. Pelo município. Um dia, talvez no lugar do raro património que nos resta e identifica, se erga um enorme armazém ou ou hiper-mercado. Tudo é possível – o dinheiro manda, os senhores autarcas nem sequer vacilam e a História fenece.

"A Mina", ou melhor, o Complexo da Mina do Espadanal, tem que ser salvo, recuperado e entregue aos munícipes!
Mesmo que tivéssemos muitos e bons monumentos (infelizmente não existem), "A Mina", pela sua História e extraordinária área edificada, teria de permanecer "entre os seus".

Caro conterrâneo, passa por si um outro futuro. Saia da inércia. Consulte "Rio Maior" na internet, leia a Petição e...se assim entender, envie o seu apoio. O meu já lá está.

Um apelo pessoal aos senhores presidente e vereadores: "vasculhem" os meios necessários, porque eles existem; contactem com as pessoas entendidas no caso; interessem-se (de vez em quando) pelo Património, pela Cultura, pelo Futuro salvaguardando o Passado.

7 Comments:

At Sexta-feira, 02 Fevereiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

Não sei até que ponto este projecto será viavel, na medida em que, quem irá suportar ou financiar a manutenção ou a restauração do referido patrimonio?
A chaminé por ex necessita rapidamente de uma intrevenção tecnica de especialista pois o seu estado de degradação é já avançado como todos sabem. E no fim de caír, onde está o patrimonio?

Apenas mais um aparte, nenhum dos membros da CPDP, tem interesses imobiliarios na area circundante, pois não?
Se tivessem não fariam parte da comissão concerteza, pois os interesses finaceiros estão sempre acima de qualquer patrimonio, cultura ou país.

 
At Sexta-feira, 02 Fevereiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

vou falar de cultura...
Sei que os colaboradores deste espaço não vão à Biblioteca Laureano Santos (só em dia de eleições ou vésperas, às inaugurações das exposições do Feliciano)por isso não sabem o verdadeiro estado da em que esta se encontra. Aqui fica o testemunho de utilizador diário daquele que já foi um belo espaço:
- só há neste momento um (1), apenas um computador com acesso à internet;
- não há aquecimento, o que faz com que não se consiga estar na sala poeta Ruy Belo, um frio de rachar, além de pouca iluminação;
- escassez de computadores nas salas para trabalho, e os 2 que existem normalmente não imprimem;
- reparei que algumas revistas não aparecem (é a crise)
é uma pena um espaço que antes estava sempre cheio agora esteja às moscas, só resta pedir à oposição que faça algo.
um abraço
P.S. - e já agora que falam tanto em cultura, que tal darem o exemplo

 
At Domingo, 04 Fevereiro, 2007, Blogger Vasco Tavares said...

Efectivamente "Salvar a Mina" é preciso.
Foi com estabelecer daquela industria que Rio Maior conheceu o seu "boom" de desenvolvimento. Muitos dos que hoje aqui residem descendem dessa geração de mineiros que, um pouco de todo o Portugal, se deslocou para Rio Maior.
Trocar a nossa memória colectiva por parques de estacionamento, hipermercados e pela resolução dos problemas que ainda hoje afectam a entrada em funcionamento da Central Rodoviária (Abastecimento de Combustiveis e Lavagem dos autocarros) não é prática das sociedades modernas que hoje valorizam os edificios com história dando-lhes nova vida.
Seja com um museu, uma area lúdica, um arquivo histórico ou até mesmo um centro de incubação de empresas aquele espaço, marco da cidade, merece continuar a viver. Foi aliás essa a filosofia subjacente à sua aquisição pela autarquia mas, já dizia Camões, mudam-se os tempos mudam-se as vontades...(normalmente ao sabor dos mais diversos interesses).

Defenda-se o nosso património, defenda-se a mina e as suas instalações e transmita-se a mensagem que alguns não percebem, ou fingem não perceber e que nos chegou a 25 de Abril de 1974 na voz de Zeca Afonso: "O povo é quem mais ordena!" Porque os lideres politicos devem servir os interesses do povo e não servir-se do povo para alcancar os seus designios.

 
At Domingo, 04 Fevereiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

O Santuário do Cabo Espichel está incomparavelmente mais degradado. Que propõe o esclarecido que emitiu o comentário anterior? Destrói-se e substitui-se por um supermercado?

 
At Domingo, 04 Fevereiro, 2007, Blogger Vasco Tavares said...

Caro anónimo, obrigado pelo alerta, do ponto de vista do utilizador, para o estado da Biblioteca Laureano Santos.

De facto não é espaço que utilize com frequência uma vez que encontro toda a informação que preciso noutros lugares e sou um ávido coleccionador de livros. Normalmente compro o que leio.

E também não necessito, como muitos fazem, de requisitar Cd's e Dvd's da Biblioteca Municipal para copiar em casa. É uma prática de empréstimo destes materiais audiovisuais que não me parece ser licita bem como não o deve ser a projecção dos mesmos nas sessões de "cinema" da Biblioteca.

Quanto á questão da Mina... Claro que existem zonas que necessitam de intervenção. Não tão urgente como afirma, mas com a rapidez possível para evitar uma ainda maior degradação. E se tivessem sido realizadas paulatinamente ao longo dos últimos anos o edificio não teria chegado ao estado a que chegou. Tenho até uma fotografia bem curiosa do mesmo, que demonstra um aproveitamento "sui generis" das instalações pelos funcionários da autarquia, com um pombal instalado no primeiro andar... Pode ser que um dia a publique aqui.

 
At Quarta-feira, 07 Fevereiro, 2007, Anonymous Anónimo said...

Caro Vasco realmente deveria ter mais cuidado com o que escreve, então o sr. não vai à Biblioteca e sabe que as pessoas levam os cd´s e dvd´s para os copiar!
"É uma prática de empréstimo destes materiais audiovisuais que não me parece ser licita bem como não o deve ser a projecção dos mesmos nas sessões de "cinema" da Biblioteca..."
Vc diz esta frase pq ta na oposição, ou então nunca entrou numa biblioteca pública, pq até aquela dos vossos exemplos (nunca lá entraram, mas já ouviram falar), a de Beja, tb o faz, assim como todas as outras, pois faz parte dos objectivos das Bib Publicas, servir as pessoas. Lá pq algumas pessoas fazem cópias não quer dizer que todos o façam, e, acredite que a maioria das pessoas não o fazem, pq infelizmente nem todos tem acessoa às novas tecnologias, e, foi a pensar nessas pessoas que fiz o comentário da degradação que a "nossa" biblioteca está neste momento.
... e já agora o espaço biblioteca não é só livros!!!

 
At Quarta-feira, 07 Fevereiro, 2007, Blogger Vasco Tavares said...

Amigo anónimo.. aqui não se trata nada de oposição mas sim de constatação de um facto. a prática é perniciosa até porque, se me informaram correctamente, os DVD's que a biblioteca Municipal de Rio Maior tem para empréstimo não são os destinados a esse fim que, segundo o IGAC, " são identificados pela aposição no "SELO" da letra E a seguir ao número de registo."

Dai meu caro isto ser uma constatação de um facto. E lá porque todos os outros se atiram para um poço não quer dizer que eu me atire também (senso comum).

E vc tem efectivamente razão: " as Bibliotecas não são só livros!"
De lugar de leitura passou a instrumento de acesso à informação. Deve ser espaço de interacção, seja com exposições temáticas, colóquios, conferências...
Hoje as bibliotecas já não são, ou não devem ser, aqueles espaços cinzentos onde ao mínimo ruído ouvíamos o característico "shhhh..".

 

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