MINA DO ESPADANAL E BIBLIOTECA

Lidos os comentários sobre o meu post "Salvem a Mina", vamos a mais alguns factos:
À Câmara compete decidir o que quer fazer da Mina. Urgentemente.
Se a vende e por que preço, ou troca, porquê e com quem. Ainda, se a deixa ao abandono. Ou, como tem acontecido, dela não se lembrará nos próximos tempos. Quer a venda, troque, abandone ou esqueça, há uma questão fulcral - quando e até quando.
Eu, não hesitaria: angariaria o dinheiro necessário (não é difícil, depende da imaginação, conhecimentos e vontade) para a restaurar, manter e reprojectar com outras funções. Obviamente que para recolher esses apoios a Câmara terá de possuir um discurso determinado e consubstanciado que suporte um (inexistente?!) projecto. Mas a Câmara não tem urgência nem projecto.
Nesse local poderá ser instalado por exemplo um complexo cultural polivalente: Arquivo e Museu Municipal, salas para exposições, anfiteatro, História da Mina, amplo jardim com zonas pedonal e de lazer... Só temo que para a História da Mina e do Concelho não existam documentos suficientes, tal o laxismo durante décadas. Daí, o meu antigo artigo "Escrever a História", neste blog, alertando para o facto de ninguém estar a "recolher" o Passado e o Presente do Concelho.
Para "A Mina", sei que um ex-vereador teve rara visão e projecto. Lamenta-se que tivesse renunciado ao cargo. O "caso Mina" é um entre tantos, no país, governado por ministros ou autarcas incompetentes, sem "rasgos", temerosos nas necessárias rupturas sociais, ambientais e culturais.
Caro leitor: já leu o site "Rio Maior" e enviou o seu apoio?
Não resisto recordar e a propósito: Aquele edifício, passe as proporções e localizações, faz-me lembrar um outro, mas em Londres, e que hoje é tão-só a Tate Modern! Também uma antiga (e muito maior) "factory", recuperada e hoje "centro" da arte contemporânea mundial!
Por óbvio, ninguém sensato, quer fazer da Mina um centro de arte nacional e competitivo, mas pode, repito, possuir áreas polivalentes também para a contemporaneidade.
Em 1978, fui um dos 10 artistas portugueses convidados para a I Bienal de Arte de Cerveira. Chegámos à vila que mais parecia uma aldeia semi-deserta, com população desconfiada perante os artistas e muitos dos meus amigos chegaram a esboçar regressos a Lisboa e ao Porto. Mas ficaram. E hoje, após tantas bienais, Cerveira transformou-se - e de que maneira! - devido à arte. Caso único no país: a Cultura fez evoluir uma vila e colocá-la numa obrigatória rota turística, económica e cultural...
Rio Maior nunca será Londres nem Cerveira, mas tem que se distinguir e impor para além da "cidade do desporto". Atenção às gerações!...
Um comentador ao meu anterior post colocou a seguinte questão: será que os membros da Comissão Para a Defesa do Património têm interesses pessoais na zona? E acrescenta: "se não tivessem, não fariam parte da Comissão concerteza, pois os interesses financeiros estão sempre acima de qualquer património, cultura ou país". Eu compreendo a sua apreensão, face ao que infelizmente se passa neste país.
Meu caro, esclareço desde já: fui recentemente convidado para a CPDP e aceitei, no passado dia 01 de Fevereiro. Não tenho um milímetro de terra nessa zona para vender. Nem vou comprar para transaccionar mais tarde, como por exemplo alguém tem feito na zona da Ota... Aceitei, tão-só porque quero e poderei ser útil ao desenvolvimento da cidade e do Concelho.
Quanto à Biblioteca Municipal:"Assim" abrirá as portas nos horários normais e extraordinários, enquanto houver dinheiro, tolerância(!) para a sua existência e alguma "carolice".
De facto, e por o que me têm contado, necessita doutra dinâmica e dum outro "olhar"-entendimento da autarquia para com esse preciosíssimo bem comunitário.
A "oposição" actualmente eleita fará o que a soma do seu grau cultural e cívico lhe exigir para não ficar calada nem quieta. Ou seja, pouco, também e reconheça-se, porque manietada por uma (frágil) maioria partidária institucionalizada nos centros de decisão concelhios e vigilante sobre eventuais pré-rupturas e pensamentos próprios dos cidadãos ou associações.
Melhores dias virão! - mas para que isso aconteça, as populações têm que pensar muito mais nos seus interesses do que nos interesses doutros...
Escolhendo "mudança"! Exigindo Desenvolvimento, Conhecimento e Cultura!
Recordo-me bem que em 2001, o Sr. Presidente da Câmara anunciou numa entrevista ao "Região", que a partir do anterior mandato, o Concelho passaria do "betão" para a fase do intelecto! As populações esperam usufruir regular e metodicamente, dessa promessa, sublinho, por cumprir.
Passados três meses sobre a sua inauguração, a Casa da Cultura continua encerrada. A Câmara nada explica nem anuncia. E os deputados e vereadores da oposição não são capazes de fazer agendar tão premente e preocupante caso? E as rádios e o jornal locais não pesquisam nem indagam ? E os cidadãos não perguntam e calam-se?
À Câmara compete decidir o que quer fazer da Mina. Urgentemente.
Se a vende e por que preço, ou troca, porquê e com quem. Ainda, se a deixa ao abandono. Ou, como tem acontecido, dela não se lembrará nos próximos tempos. Quer a venda, troque, abandone ou esqueça, há uma questão fulcral - quando e até quando.
Eu, não hesitaria: angariaria o dinheiro necessário (não é difícil, depende da imaginação, conhecimentos e vontade) para a restaurar, manter e reprojectar com outras funções. Obviamente que para recolher esses apoios a Câmara terá de possuir um discurso determinado e consubstanciado que suporte um (inexistente?!) projecto. Mas a Câmara não tem urgência nem projecto.
Nesse local poderá ser instalado por exemplo um complexo cultural polivalente: Arquivo e Museu Municipal, salas para exposições, anfiteatro, História da Mina, amplo jardim com zonas pedonal e de lazer... Só temo que para a História da Mina e do Concelho não existam documentos suficientes, tal o laxismo durante décadas. Daí, o meu antigo artigo "Escrever a História", neste blog, alertando para o facto de ninguém estar a "recolher" o Passado e o Presente do Concelho.
Para "A Mina", sei que um ex-vereador teve rara visão e projecto. Lamenta-se que tivesse renunciado ao cargo. O "caso Mina" é um entre tantos, no país, governado por ministros ou autarcas incompetentes, sem "rasgos", temerosos nas necessárias rupturas sociais, ambientais e culturais.
Caro leitor: já leu o site "Rio Maior" e enviou o seu apoio?
Não resisto recordar e a propósito: Aquele edifício, passe as proporções e localizações, faz-me lembrar um outro, mas em Londres, e que hoje é tão-só a Tate Modern! Também uma antiga (e muito maior) "factory", recuperada e hoje "centro" da arte contemporânea mundial!
Por óbvio, ninguém sensato, quer fazer da Mina um centro de arte nacional e competitivo, mas pode, repito, possuir áreas polivalentes também para a contemporaneidade.
Em 1978, fui um dos 10 artistas portugueses convidados para a I Bienal de Arte de Cerveira. Chegámos à vila que mais parecia uma aldeia semi-deserta, com população desconfiada perante os artistas e muitos dos meus amigos chegaram a esboçar regressos a Lisboa e ao Porto. Mas ficaram. E hoje, após tantas bienais, Cerveira transformou-se - e de que maneira! - devido à arte. Caso único no país: a Cultura fez evoluir uma vila e colocá-la numa obrigatória rota turística, económica e cultural...
Rio Maior nunca será Londres nem Cerveira, mas tem que se distinguir e impor para além da "cidade do desporto". Atenção às gerações!...
Um comentador ao meu anterior post colocou a seguinte questão: será que os membros da Comissão Para a Defesa do Património têm interesses pessoais na zona? E acrescenta: "se não tivessem, não fariam parte da Comissão concerteza, pois os interesses financeiros estão sempre acima de qualquer património, cultura ou país". Eu compreendo a sua apreensão, face ao que infelizmente se passa neste país.
Meu caro, esclareço desde já: fui recentemente convidado para a CPDP e aceitei, no passado dia 01 de Fevereiro. Não tenho um milímetro de terra nessa zona para vender. Nem vou comprar para transaccionar mais tarde, como por exemplo alguém tem feito na zona da Ota... Aceitei, tão-só porque quero e poderei ser útil ao desenvolvimento da cidade e do Concelho.
Quanto à Biblioteca Municipal:"Assim" abrirá as portas nos horários normais e extraordinários, enquanto houver dinheiro, tolerância(!) para a sua existência e alguma "carolice".
De facto, e por o que me têm contado, necessita doutra dinâmica e dum outro "olhar"-entendimento da autarquia para com esse preciosíssimo bem comunitário.
A "oposição" actualmente eleita fará o que a soma do seu grau cultural e cívico lhe exigir para não ficar calada nem quieta. Ou seja, pouco, também e reconheça-se, porque manietada por uma (frágil) maioria partidária institucionalizada nos centros de decisão concelhios e vigilante sobre eventuais pré-rupturas e pensamentos próprios dos cidadãos ou associações.
Melhores dias virão! - mas para que isso aconteça, as populações têm que pensar muito mais nos seus interesses do que nos interesses doutros...
Escolhendo "mudança"! Exigindo Desenvolvimento, Conhecimento e Cultura!
Recordo-me bem que em 2001, o Sr. Presidente da Câmara anunciou numa entrevista ao "Região", que a partir do anterior mandato, o Concelho passaria do "betão" para a fase do intelecto! As populações esperam usufruir regular e metodicamente, dessa promessa, sublinho, por cumprir.
Passados três meses sobre a sua inauguração, a Casa da Cultura continua encerrada. A Câmara nada explica nem anuncia. E os deputados e vereadores da oposição não são capazes de fazer agendar tão premente e preocupante caso? E as rádios e o jornal locais não pesquisam nem indagam ? E os cidadãos não perguntam e calam-se?

5 Comments:
Caro Manoel Barbosa,
o recente fenómeno "Mina do Espadanal" merece um olhar contextualizado no panorama cultural e patrimonial do nosso concelho. continuarmos a inistir na mina tenderemos para as intervenções localizadas sem uma abordagem integrada ao todo que é o concelho.
Começando por Azambujeira: o que é feito do museu, inaugurado no mandato do sr. Manuel Nobre e que nunca passou de quatro paredes. Ao lado estão os vestígios do Jurássico e nunca uma pedra se mexeu para valorizar as ossadas (penso que de um mamute).
O paul da marmeleira, importante zona humida teve intervenção da associação "mato" e autarquia zero.
a capela da sra. da vitória, a cobertura de lata do pretenso paço marca também a incompetencia autarquica. também a vila romana teve o azar de paracer em rio maior!
o monumento nacional da gruta da Sra. da Luz continua a esboroar-se e os vestígios arqueológicos continuam ensacados no museu de arqueologia em belém.
as marinhas do sal evidenciam a incompetencia da câmara e a falta de visão dos salineiros. aqui a unica coisq que a câmara foi capaz de fazer foi a habitual usura; ou seja o negócio com o hotel.
subimos para alcobertas e temos o castro de s. martinho. estranhamente uma universidade americana continua a encontrar ali um sítio privilegiado para a formação dos seus universitários.
a gruta de alcobertas parecia a galinha dos ovos de ouro dos anos 70 e só na década de 90 é que os jovens de Chãos fizeram a limpeza de madeiras podres e materiais de construção que ficaram lá dentro.
os silos de alcobertas e o dolmen continuam ao Deus dará.
Portanto fazermos da mina o ai jesus do património concelhio é, mais uma vez, olharmos para uma parte do todo e continuar a falta de uma visão estratégica...
Caro "pronto":
as questões, todas, por si referidas (e presumo que sabe de muitas mais), são absolutamente verdadeiras e tristemente constatáveis desde há anos.
O caso Mina está devidamente contextualizado, também por mim. Não é "a jóia da coroa" nem o "ai jesus" do nosso património concelhio. Existe, será imperdível para fins muito úteis, dado que possui condições para tal. Alguém tem que resolver, quanto antes, o seu futuro.
O património cultural concelhio abandonado é mais um reflexo do laxista e incompetente executivo liderado por um ex-professor de História. Muito sinceramente, nunca eu previ e provavelmente "contestaria" até meados dos anos 1990, qualquer conclusão doutrém sobre indiciado desleixo autárquico, por demais evidente desde que, e como exemplos dentre muitos, as investigações arqueológicas sofreram cortes orçamentais ou... a razoável Porta Manuelina foi abandonada.
O que se passa com as Marinhas, com a Villa Romana, com a Capela, com, com, com, é imperdoável e alguém terá (senhores deputados municipais, senhores vereadores, então?) de explicar pormenorizadamente tanto e permanente desleixo.
Não sei se leu, em 1999-2000, uma série de artigos que escrevi sobre Cultura e Património. Está lá quase tudo o que penso possível para as pessoas que vivem na cidade, na aldeia ou no lugar.
É necessária uma visão global, também para a Cultura - o que não tem acontecido. Propositadamente?
A CULTURA É UM BEM! Mas quando é olhada de soslaio e lhe fazem um frete ocasional...
Creio, mas creio mesmo, que será possível salvar algo, projectar muita "coisa"! Mas, obviamente, com outras pessoas na Câmara. E, até esse momento de mudança...com uma oposição muito mais atenta e exigente!
Também, com os cidadãos mais interessados!
Caro Pronto,
Antes de mais parabens pelo seu coment, aliás de si nem esperava menos.
Mas queira elucidar-me desse negócio do Hotel em Marinhas do Sal, é que passo por lá regularmente e nunca me apercebi de nada!
ainda bem que se fala da Biblioteca (embora se fale mais da mina) pois aquele lindo espaço ta dado ao abandono, não há pc´s com internet nem sem ela, para qdo weireless pois a malta do desporto (e não só) usa portáteis. Há dois ou três meses foi a pronta intervenção dos utilizadores senão os livros tinham ficado submersos, pois caía em plena sala de adultos uma enorme "cascata". Até hoje ainda não vim por lá alguém a "remendar", pois sou um utilizador diário daquele espaço pois estudo na ESDRM. Sendo eu de fora entristece-me mto ver que aquele espaço que eu acho fabuloso (com mta pena minha não tenho um assim na minha terra) ao abandono, com poucos utilizadores diários, antes as salas estavam cheias agora... nem por isso, por vezes só mesmo os funcionários.
Façam algo, pois tem voz activa na Câmara.
saudações
Realmente estamos todos de acordo sobre o abandono das coisas do nosso passado.
Passa tudo ao lado da Câmara e também da Junta, que também não intervém, porque lhe tiraram o tapete e as competências ?
Mesmo sem competências e sem dinheiro,? haverá sempre o levantar da voz a exigir a reposição das coisaws no seu devido lugar.
Quando se tem razão ninguém nos deve calar, veja-se o "Caso da Mina".
O assunto veio para a opinião pública, discutiu-se, fizeram-se abaixo assinados, constituiu-se uma comissão com personalidades interessadas no assunto ...
Reparem como mudou o tom da Câmara sobre o assunto, já vai pensar melhor o assunto e já não diz
- eu quero, posso e mando!
Aconteça o que acontecer, já nada será como dantes, e a forma como for resolvido o assunto terá sempre enormes reflexos nas próximas eleições autárquicas em 2009.
A "Sociedade Riomaiorense"? tem que se interessar por tudo o que se passa na nossa terra. Não deixemos os outros decidir por nós.
Depois não nos queixemos.
É este o caminho a percorrer para bem do concelho.
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