
Lido o artigo de opinião do Sr. Presidente da Câmara (PC) no “Região de Rio Maior”(15 de Dez.), fica-se com diversificadas sensações.
Título: “Rio Maior tem futuro!” Pois tem, todas as localidades têm futuro, embora dependendo de quem as pensou ou pensará, projectou ou projectará, administrará, e do modo coma as pretende vivificar.
É óbvio defensor deste governo, do seu partido, que de facto não é tão “misericordioso” nem “deixa andar” como foi o de Guterres. Com tantos problemas, vários, e concelhios, para resolver (alguns e de elevada magnitude criados nos seus mandatos), Silvino Sequeira não pode deixar de acreditar em Sócrates, seus ministros e secretários de estado… Explana a “bondade“ da “onda reformista” que (a)tinge as autarquias aos pobres e sintomaticamente esquece-se da Cultura. Adiante, porque me não surpreende a omissão.
O seu texto, por vezes comiserativo, não é normal e francamente impróprio dum político profissional e tarimbado. Parece criado para um tempo pré-eleitoral onde apresenta putativos intervenientes (vereadores jovens, programa diariamente revisto e alterável, políticas governamentais tidas como adquiridas para a região). Colhe-se também a hipótese dum texto pós-eleitoral e indiciador duma espécie de remodelação administrativa-autárquica. Descortinam-se apelos pessoais para que o futuro do Concelho passe exclusivamente por si e/ou pelos seus fiéis seguidores.
Renunciará ao cargo? Alguém, proximamente, vai ter de sair?
E surgem dois parágrafos diria que propositadamente simples, banais mas nada intrigantes, e esclarecedores porque contraditórios: “Faz-se (o Futuro) com pessoas que, porque a terra onde nasceram, e onde tudo começou, já é pequena, vão para terras maiores, mas não esquecendo a sua origem, sonham com maiores metrópoles” ; “Edifica-se com pessoas que tem a coragem de perante a oportunidade deparada para vencer não a desperdiçaram, não foram acomodadas, não foram negligentes, não foram comodistas.” Relendo-os, percebo os próximos tempos no número 1 da Praça da República. E antevejo-os: até 2009 o sr. PC tudo fará para continuar (ou ter continuadores) no poder. Mas teme perder as autárquicas. Pressente ou já sabe que o seu tempo político acabará nesse ano de mudança. Por tal, rebate vezes sem conta na tecla do futuro passando pela juventude (laboral, estudantil e subtilmente, partidária.) Ora, a Oposição não só sabe que assim será, como também pensa (ao contrário do sr. PC), que o desporto e os “tempos livres” não são as únicas opções da juventude. Tudo fará para lhe proporcionar regular, diversificado e evolutivo bem-estar – o que o sr. PC nem sempre tem feito.
O sr. PC já foi opositor na Câmara, na Assembleia da República e quiçá no Conselho Nacional do PS. Sabe muito bem que um político com ou sem obra feita, sujeita-se (democraticamente) ao reparo, à crítica, à alternativa e à ruptura. Portanto, presumo pelo que li, nunca “choramingou”, jamais olhou para o seu “umbigo”, não pensou em “maldizer”, repudiou a “inveja”, não trilhou o aportuguesado “dizer mal de tudo e de todos”. Contudo, nesse seu texto verifica-se o contrário, tipo “depois de mim será o caos” ou pior ainda, e porque o sei irónico, aceite a minha percepção de que sentindo-se “uma flor de estufa” não se lhe deve tocar. E olhar…só reverencialmente para baixo, directo para “nada” como se faz aos monarcas. Com inquestionável e exibida admiração.
Sentencia que “O Futuro de Rio Maior constrói-se com pessoas que do nada fazem alguma coisa e que vão crescendo”. Que se saiba, não é exclusivo do PS (nem de nenhum outro partido), a candidatura de pessoas oriundas de classes desfavorecidas, de cidadãos empreendedores, de conterrâneos que efectivamente colocam os interesses locais acima de benesses pessoais, partidárias ou corporativistas… O PS não é “dono” do Concelho, não o criou, por ele não fala nem o representa.
Todo o restante texto (escrito a pensar num “outra-vez Pai Natal”?!) nada adianta. Enuncia o que um político normal constata e escreverá. Não é um “flop”, mas sim indiciador de cansaço, de expectativas em vez de certezas. Redutor. Não galvaniza.
Volto à ironia que o sr. PC tanto usa e de mim vai novamente aceitar, porque esse seu texto é adequável a um político-bala. O senhor estica o braço pela pequena abertura da cortina e acena para o público, alheio – repito, alheio – ao que vai fazer. Abrem a cortina. Coloca-se dentro dum canhão e pensa ”isto é sucesso garantido, eles não sabem o truque”. Ejectado, abre os braços, sorri. Cai de pé na rede por si esticada, dão-lhe o microfone e diz: “esqueçam o Passado-canhão, mas foi muito difícil ! Cá estou de novo; sinto-me rejuvenescido, entre – e com – os meus. Somos os maiores.” Poucos bateram palmas e a maioria (porque já conhece o truque), nem um…”Óóh !...” Ou “Hóó!...”, conforme preferir. Alguém já está a recolher a rede. A exibição do político-bala em nada entusiasmou, porque “o número” está vulgarizado e o truque conhecido.
PS (post scriptum) - Quem lhe suceder na presidência em 2009, evidentemente doutro partido, não vai ter tarefa facilitada no primeiro mandato. Então, verificar-se-á se o senhor, na oposição, enaltece os méritos, sugere melhorias, critica docemente e “em vez de incentivar quem ousa”, não o “destrói” ou ajuda a “destruir”. “Sem ataques a Instituições e pessoas sem qualquer razão de ser, sem lamechices”, esperamos todos. De si e dos depostos.