Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Quem cala...


O Governo divulgou a lista das câmaras municipais impedidas de recorrer ao crédito com a aprovação da nova Lei das Finanças Locais, fazendo incluir Rio Maior no rol.

Na sequência do conflito existente entre o Governo e Associação Nacional de Municípios Portugueses, as câmaras ameaçaram cortar os apoios à GNR, PSP, escolas, centros de saúde e recolha de lixo como forma de protesto contra a nova Lei das Finanças Locais proposta pelo Governo.

Talvez assim se perceba melhor porque é que, quando na última Assembleia Municipal de Rio Maior chamei “perigoso” ao Primeiro-Ministro, não fui refutado por ninguém da bancada socialista…

Mas será mesmo que a nova Lei também é perigosa?

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

O Abraço


“DIZ-ME COM QUEM ANDAS,DIR-TE-EI QUEM ÉS”.

A eterna sabedoria popular aplica-se que nem uma luva a esta imprudente familiaridade do Primeiro-Ministro de Portugal com um candidato a ditador sul-americano, agora profusamente divulgada pela capital venezuelana, como suporte da campanha eleitoral para a reeleição de Hugo Chavez.

Que o líder o Partido Socialista quisesse, numa manifestação de anti-americanismo bacoca, cumprimentar este “defensor dos oprimidos, desvalidos e quejandos” ainda se entende, agora que o Primeiro-ministro de Portugal se prestasse a acções de propaganda avulsa era de todo dispensável.

O abraço fraternal de José Sócrates ao seguidor de Fidel Castro, ao apoiante do iraniano Mahmud Ahmadinejad, ao simpatizante do norte-coreano Kim Jong-Il não prestigiou, nem prestigia Portugal. Por maior que seja a comunidade portuguesa naquele país, esta imprudência não lhe trouxe ou trará qualquer benefício. Tanto mais que a comunidade portuguesa são, em geral comerciantes, “ricos” portanto, e é justamente os “ricos” que o homem combate.

Poderá também Sócrates alegar que Hugo Chavez foi eleito democraticamente e é o legitimo representante de um povo. Pois, mas por essa ordem de ideias também Hitler foi sufragado com os resultados que a história conhece, embora os amigos do Sr. Chavez afirmem o contrário. Com amigos destes quem precisa de inimigos? Portugal dispensa-os perfeitamente!

Terça-feira, Setembro 26, 2006

Requerimentos


Na última sessão da Assembleia Municipal, realizada a 15 de Setembro, o PSD apresentou, através da Mesa, dois requerimentos à CMRM. Eis aqui o respectivo conteúdo.


REQUERIMENTO I

Estando próximo o assinalar dos doze meses da data das anteriores eleições autárquicas, o Partido Social Democrata pretende saber em que estado de desenvolvimento estão algumas das garantias eleitorais que o Partido Socialista deu à população, nomeadamente em matéria de saúde.

Assim, ao abrigo das disposições regimentais, o Partido Social Democrata vem, junto de V. Exa., requerer informações à Câmara Municipal de Rio Maior acerca do seguinte teor:

1 – Que “pressões” foram feitas “junto do Ministério da Saúde para a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de Rio Maior, a partir da meia-noite”?

2 – Que medidas foram tomadas para a viabilização e criação “de incentivos para a fixação de médicos e enfermeiros no Concelho”?

3 – O estudo de “viabilidade da implementação de um sistema de complementaridade aos serviços de saúde existentes” já está feito, está apenas iniciado ou ainda não foi encetado. Caso já tenha sido começado, quem são os seus responsáveis?

As citações constantes no presente requerimento reportam-se ao documento de campanha eleitoral do Partido Socialista denominado “O concelho não pode parar!”.



REQUERIMENTO II

Ao abrigo das disposições regimentais, o Partido Social Democrata vem, junto de V. Exa, requerer informações à Câmara Municipal de Rio Maior acerca do seguinte teor:

1 – Número total de entradas pagas na Feira das Tasquinhas de Rio Maior, edição de 2006.

2 – Número total de entradas na Feira Nacional da Cebola, edição de 2006, e critério utilizado para a sua contabilização.

Recordamos que o pedido constante no número 1 já havia sido solicitado à Câmara Municipal pelo Dr. Luís Miguel Deus, em anterior sessão da Assembleia Municipal, não tendo ainda sido satisfeito.


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Veremos se o Executivo e em quanto tempo…
De referir que questionei o Executivo quando Contratos-Programa e não se ouviu uma palavra da Câmara sobre o assunto!

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

O Escândalo

É hoje mais que evidente a “requalificação” do jardim municipal constituiu um verdadeiro atentado à sensatez, aos dinheiros publicos e mais não configura que uma manifestação novo-riquista do poder silvinista/socialista. Rima e, pior ainda, é verdade!

Não batendo mais na velhinha acerca dos passeios/sulipeiros, uma irresponsabilidade absoluta de concepção a que a autarquia deu cobertura apesar das inúmeras chamadas de atenção, nem perdendo tempo sobre a malfadada rotunda “cameleira”, é mais sobre a razia que as árvores do jardim sofreram que queria centrar este apontamento.

Como foi notório na altura e a propósito de um projecto "inigualável", mais de uma centena de árvores, algumas centenárias, foram abatidas. Mas essa foi só a primeira fase da razia, já que muitas das sobreviventes ficaram de tal modo maltratadas que acabaram por morrer aos poucos, tornando o jardim cada vez mais pobre e desenxabido, povoado de árvores mortas e moribundas. O que levou anos e anos a criar morre assim, vitima de exercicios académicos sem qualquer utilidade para além do gozo que devem ter dado ao "assassino".

E que dizer daqueles “confortáveis” bancos corridos em tom alvo. Após um breve descanso sobre eles ficamos “cheios de dores nas cruzes”. Uma verdadeira jóia concepcional e de comodidade inquestionável. Valha-nos o coreto, onde sempre se vão jogando umas “suecadas” e tecendo grandes encómios à obra.

Finalmente dizer que um jardim publico é sempre o espelho do desvelo com que os autarcas cuidam do bem-estar urbano, da consideração que dispensam os seus concidadãos. Olhando para o nosso jardim pode-se ter uma ideia clara sobre esse tratamento!

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

A Gripe


Acabaram as férias, voltou a gripe das aves! Ou melhor, voltaram uns quantos pardais, deduzo que bronzeados, a dissertar sobre a gripe das aves. Não porque tenha acontecido nada de novo, mas simplesmente porque precisam de dizer que “estão a trabalhar”. E na verdade é para isso que são pagos, para trabalharem com método e descrição, para na eventualidade de serem necessários os seus serviços estarem devidamente preparados.

Agora foi um tal Saraiva da Cunha, dos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC), que se manifestou contra a POSSIBILIDADE da transferência de POSSÍVEIS doentes, de outras zonas (NORTE e SUL) para a sua zona intervenção (CENTRO). Também o director-geral de Saúde, Francisco George, sossegou os portugueses, revelando que o País possui já 2,5 milhões de medicamentos anti-retrovirais, mas escusou-se a revelar onde estão armazenados «por razões de segurança». Adiantou também que os hospitais estão já equipados com máscaras, luvas e aventais, conhecendo os procedimentos a seguir no caso do vírus H5N1 chegar a Portugal.

Na verdade esta história da gripe das aves, começa a assemelhar-se aqueloutra dos pastores ancestrais que nas serranias apascentavam os rebanhos. Entre eles havia um “código de entreajuda” e sempre que algum lobo atacava um rebanho bastava um grito e logo os outros pastores iam em auxílio do atacado. Era uma mutualidade que funcionava sem alaridos para além dos gritos previamente combinados.

Um dia, certo pastor mais “esperto” decidiu brincar aos lobos e começou a gritar sem que qualquer lobo atacasse o seu rebanho. Pressurosos os pastores foram em seu auxílio, mas acabaram por verificar que não havia lobo nenhum e que tudo não passava de uma brincadeira. O pastor foi repetindo a brincadeira até ao dia em que sendo atacado pelos lobos não teve ninguém que o auxiliasse e o seu rebanho foi dizimado.

Ora é justamente nesse estado que nós estamos em Portugal. Volta não volta, aparece um “pastor”, gritando até que a voz lhe doa, mas depois verifica-se tudo está bem ou pelo menos assim parece. Resta-nos a nós, pobres “ovelhas deste rebanho”, aguardar que os “anúncios correspondam à realidade”, mas seria interessante que os técnicos fizessem o seu trabalho e deixassem os anúncios aos “anunciantes”. A ver se a gente se entende e que cada pardal sabe qual é o seu galho.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Ecos de Mais uma Assembleia

E lá teve lugar mais uma sessão da Assembleia Municipal, na passada 6ª feira.

E por lá se aprovaram votos de louvor e de pesar, alterações ao regulamento municipal de publicidade, utilidade municipal para a futura central térmica de biomassa florestal do concelho de Rio Maior bem como o contrato promessa a assinar entre a autarquia e as 2 empresas concorrentes para a venda dos terrenos para a sua instalação, venda que renderá aos cofres da autarquia cerca de 810.000€.
Curiosamente este equipamento ficará instalado em terrenos do município, situados ao lado da “MAPREL” e para os quais, se bem se lembram, esteve projectada a construção da fábrica de cervejas “Cintra”.

Mas como sempre acontece nestas assembleias é o período antes da ordem do dia que nos acaba por trazer as melhores histórias.
Senão vejamos:

  • Questionado pela Presidente de Junta de Rio Maior sobre os 70000 visitantes anunciados pelo município da “FRIMOR 2006” o vereador Manuel Brites diz que tal número foi avançado pela empresa de segurança do evento, obtido através de uma amostra, e que podiam ser 70.000 mas também podiam ser mais ou menos. Ora como se chega a 70.000 visitantes?O Rio da Ponte fez as contas e descobriu que nesta edição da FRIMOR entraram 32 pessoas por minuto no certame! Se o ritmo de visitantes fosse o mesmo nas TASQUINHAS elas teriam tido 140.000, bem mais que os 121.000 anunciados no final da última edição. Estamos portanto a falar de números absolutamente credíveis.
  • Questionada pelos presidentes de Junta de Rio Maior e Fráguas sobre as dificuldades apresentadas nos transportes escolares no arranque de mais um ano lectivo a Sra. Vereadora Ana Cristina partiu para um ataque cerrado à Junta de Freguesia de Rio Maior, como se fosse por culpa desta Junta que as coisas não correm bem no concelho nesta matéria. E esta é a única Junta das 14 do concelho a quem a autarquia não delegou as suas responsabilidades relativamente aos estabelecimentos de ensino do 1º ciclo.
    Talvez por isso as escolas estavam no estado em que estavam no arranque das aulas. Será que a Sra. Vereadora já se estava a posicionar para o acto eleitoral de 2009? É que já dizem por ai que será ela a suceder a Silvino Sequeira como candidata do PS!
    O que é certo é que a Sra. Vereadora, talvez devido ao vigor do seu ataque que a fez esquecer-se de tudo o resto, não elucidou a Assembleia sobre uma outra questão que está no âmbito nos pelouros que lhe estão atribuídos: Onde estão os contratos-programa com os clubes e associações do concelho? Ainda na gaveta, com o ano quase no final, quando as associações programaram as suas actividades anuais com base nessas verbas?
  • E como dizem por terras de sua majestade “Last but not the Least” recordar aqui uma tirada do Sr. Presidente da autarquia quando se discutia a componente ambiental da central de biomassa. Deixou escapar o Dr. Silvino Sequeira que no próximo ano a autarquia cobrará taxas pela exploração e transporte de inertes no concelho, ao abrigo do novo Regime Geral das Taxas Municipais.
    Como este diploma está incluído na famosa nova Lei das Finanças Locais que os senhores autarcas tanto contestam esta posição de Silvino Sequeira, membro do conselho directivo da Associação Nacional de Municípios, leva-me a tirar esta simples conclusão: Os nossos autarcas não se importam nada que lhes ponham à disposição novas maneiras de cobrar dinheiro aos seus munícipes, mas quando a lei lhes diz que não podem gastar mais do que o que ganham, que esses gastos têm que ser criteriosos e que, em alguns casos, têm que merecer a concordância das oposições municipais o discurso muda do 80 para o 8.
    Que é como quem diz “Dai-nos mais maneiras de arranjar receita mas não nos ensines como gastá-la”.

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

O EX.


(do Ribatejo de 08/09/06)

"O concurso de misses em Rio Maior foi um sucesso, com a presença das colunáveis Merche Romero e Núria Madruga. As beldades eram tantas que, às tantas, o vereador Manuel Brites já não sabia para onde olhar. A indiscreta objectiva da “sopinha” apanhou-o a espreitar a parceira de júri, por sinal também ela uma beldade e peras. Na plateia do concorrido concurso, lá estava o presidente Silvino Sequeira, acompanhado de perto pela esposa e pelo ex-adversário António Rola."

Esta notícia, escarrapachada na 2ª página do RIBATEJO vem apenas confirmar aquilo que há muito se supunha: não existe oposição na Câmara Municipal de Rio Maior, apenas ex-adversários!

O caso mais extraordinário ou talvez não, é mesmo o do ex-candidato, ex-árbitro, ex-presidente da ACERM, ex-vendedor das Caves Dom Teodósio. Tudo ex. excepto ex-delegado distrital do INATEL onde se mantém, como feijão esturrado, agarrado ao fundo do tacho.

Dependente como está das boas graças do poder socialista, o ex-candidato do PSD mostra à evidência até onde está disposto a ir para não perder o “emprego”. Limita-se às vénias, às loas e a outras atitudes de “grande consistência politica”, como elogiar as contas da Desmor, o maior descalabro financeiro da autarquia.

Criamos os filhos mas não os fadamos, lá diz o povo. No caso vertente, escolhemos o candidato, convencidos da sua bondade, mas como diz o Miguel Relvas, “os candidatos são como os melões, só no fim de abertos se sabe a sua qualidade”. E esta escolha foi realmente um grande melão, que se vem revelando intragável.

Desde o tempo de Armindo Venda e do Eng. José da Luz Claudino que o bandeamento para as hostes adversárias não era tão notório. Só falta mesmo que o ex-árbitro aceite um pelouro remunerado na autarquia, mas tenhamos consciência que isso pode muito bem acontecer. É uma questão de tempo e falta de emprego!

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Os Milagres da Multiplicação

Consumidor regular dos jornais da região tenho que reconhecer que este fim-de-semana fiquei espantado pelo balanço da FRIMOR 2006 apresentado no jornal “O Ribatejo”.
E só o primeiro parágrafo da noticia bastou para que eu deixe aqui expresso todo o meu apoio à Sra. Ministra da Educação no lançamento urgente do “Plano de Acção para a Matemática” porque existe, de facto, muita gente a necessitar urgentemente de aprender a fazer somas simples.

Diz o jornal “Manuel Brites, vereador da Câmara Municipal de Rio Maior com o pelouro das feiras, faz um balanço positivo da edição deste ano da Frimor –Feira Nacional da Cebola. Com cerca de 70 mil visitantes…”
Uma verdadeira pérola este número: 70.000 visitantes! Um numero tão expressivo que se pode mesmo dizer que a maior feira de Rio Maior é a da cebola, já que as Tasquinhas precisam de 9 dias para receberem 121.000 visitantes, números do ex-vereador João Sequeira.
Diz o velho ditado popular “Santos da terra não fazem milagres”, mas nesta alguns fazem! Será talvez a excepção que confirma a regra.

Mas o artigo tem mais uma pérola. A saber “A autarquia pondera comprar cerca de 80 a 90 tendas semelhantes às dos ceboleiros e distribuir os feirantes em torno do Pavilhão Multiusos.”
Brilhante, verdadeiramente brilhante esta ideia. Talvez fosse mais prático então voltar a montar a tenda gigante que se erguia em anteriores edições das tasquinhas e ocupar assim todo o corredor lateral do pavilhão multiusos!

Precisamos mesmo de sangue novo na FRIMOR!

Sábado, Setembro 09, 2006

Ora sai um canudo à Bolonhesa!

















Em Bolonha, há sete anos, 29 ministros europeus acordaram o estabelecimento de uma área europeia de ensino superior (EHEA) até 2010. Participaram 45 países (todos os estados europeus à excepção da Bielorrússia) nesta harmonização dos sistemas de ensino. Os objectivos são a maior facilidade de equivalência e reconhecimento das qualificações dos alunos, a promoção da formação e empregabilidade ao longo de toda a vida, a livre transacção de docentes e estudantes pela Europa e a atracção pelo espaço europeu por parte de terceiros. A formação superior passa a ser organizada em três ciclos: o primeiro corresponde ao grau de licenciado (três anos de formação), o segundo ao de mestre (dois anos) e o terceiro ao de doutor (três anos). A classificação sofre também alterações - para além da nota numérica (de 0 a 20) atribuída pela instituição, há ainda uma nota ECTS (Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos) expressa em letras de A a F.


Parece tudo muito bonito mas não falamos aqui de nenhum mar de rosas, ainda mais num país em que o “desenrascanso” à própria da hora nos corre no sangue tão fluentemente! Tratando-se de um tema direccionado sobretudo para o aluno, não se compreende o cepticismo de alguns para os quais o Processo de Bolonha mais lhes parece uma prateirada de esparguete enrolado, onde não se distingue o princípio nem o fim. A altura em que surgiu também não foi a mais indicada - os projectos de reformulação foram aceites no período de exames ou de férias de muitos alunos. Não há oportunidade dos próprios se informarem ou se insurgirem contra potenciais erros.

O que é facto é que está aqui a sobrar demasiado pano para mangas. Com isto teremos licenciados do sistema antigo e licenciados “de Bolonha” a competir no mercado de trabalho. Será que os empregadores vão preferir os de pré-Bolonha? Será que vão exigir um segundo ciclo de estudos que atribua ao estudante o grau de mestre? Assim, teremos profissionais licenciados em apenas três anos! É a chamada “formação em banda larga”, quase tão simples como fazer um bolo - mistura-se tudo, vai ao forno e espera-se que coza. O bolo passa a cozer em pouquíssimo tempo e está pronto para ir à mesa. Vamos ter uma produção em série de bolos em vez de um fabrico artesanal, onde se dá atenção a cada bolo. E, se me permitem continuar com a alegoria, passamos a ter profissionais com um canudo equiparável aos prémios da Farinha Amparo!

Apesar de tudo, temos um mercado de trabalho cada vez mais exigente. As instituições de ensino são pastelarias que recebem cada vez mais encomendas e despacham cada vez mais fornadas de bolos. Para a situação do ensino português, o Processo de Bolonha não será nada mau: exige a dinamização dos métodos de ensino e de estudo do básico ao superior, passando pelo secundário. Outra das benesses será a necessidade de apostar no ensino da língua inglesa desde a mais tenra idade.

Alunos, acautelem-se! O novo sistema requer um maior controlo das presenças nas aulas teóricas e práticas, nos relatórios e trabalhos de investigação, melhorar as capacidades de comunicação verbal e escrita, aprender a consultar bibliografia e a pesquisar. A adaptação curricular é pouco coerente - de facto, a carga horária foi encolhida mas não acredito que os programas tenham sido assim tão reduzidos!

Embora nem sempre os ventos sejam favoráveis, quem corre por gosto não cansa e estou convicta que faremos a corrida não com uma perna às costas, mas sem grandes atribulações. Quem já está há mais tempo nestas andanças e vê de repente o seu curso moldado a Bolonha também não precisa de entrar em pânico! Afinal, todos os elementos relativos ao processo académico do aluno serão mencionados no Suplemento ao Diploma, já para o caso de uma ou outra cadeira (que não custam nada a fazer, não é?!) serem eliminadas do novo plano curricular.

Portugal já conta com muitos cursos adequados a Bolonha, pois nesse sentido se têm esforçado as instituições. É melhor que se apressem até 2010 a adaptarem os seus cursos, pois o risco de se verem com falta de alunos aumenta. Entre um curso à antiga e um curso à Bolonhesa eu não hesitaria. E não se trata apenas de uma preferência pela gastronomia italiana...

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

A cidade das instalações


Depois de um tempo realmente desaparecido, regresso com duas notas.

1 - A primeira é relativa à Universidade de Verão do PSD, evento que dá palco à rentré política do partido laranja.
Esta mega acção de formação, que já vai na 4ª edição e conta com cerca de 400 ex-alunos, foi um sucesso. O destaque que teve na imprensa foi a melhor resposta aos que duvidavam da importância da iniciativa e que tentaram de tudo para a desvalorizar.
Basta dizer que desde o Expresso ao 24Horas, não houve quem não elogiasse a UV. Sinto-me orgulhoso por ter feito novamente parte da organização.

2 – Recebi ontem o 14º número da revista Rio Maior Informa, feita pela CM.
Há vários meses que não ma enviavam na minha qualidade de “deputado municipal”, deferência que dispenso visto que já a recebo enquanto cidadão.
O destaque é o novo Cine-Teatro, uma obra tipo kinder-surpresa. Nunca se sabe o que trazem.

Virá a ser um mamarracho que sugará até ao tutano o dinheiro público? Ou será um motor da iniciativa cultural no nosso concelho?
Esperamos para ver, mas uma coisa é certa: não será com rebuçados destes que Silvino Sequeira apagará o facto de ter sido, nos últimos anos, um presidente que hipotecou áreas estruturantes em prol do “seu” desporto.
Foi inábil na gestão “industrial”, desleixado com a gestão cultural, desastrado com o urbanismo… valha a verdade que foi generoso na gestão do “seu” pessoal.

É curioso que já somos a cidade das instalações desportivas subaproveitadas (tirando talvez a biblioteca) e parece que queremos ser também a cidade das instalações culturais.

Se os mandatos de Silvino Sequeira fossem um jogo de futebol (falemos numa linguagem que ele perceba) diríamos que fez uma primeira parte de luxo mas que, pela fraca exibição da segunda parte, merecia perder o jogo.

Isto para dizer que estou de volta, para alegria de alguns, aborrecimento de ainda mais e indiferença dos restantes.

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Um país de estudantes!


Segundo o Correio da Manhã, o governo do Eng. Sócrates gastará este ano em estudos, pareceres e projectos de consultoria, qualquer coisa como 77,7 milhões de euros. Perto de 16 milhões de contos!

Não se percebe esta saga estudantil, mas deve ter algo a ver, ainda que remotamente, com a deficiente formação académica dos portugueses. Com esta súbita atracção estudantina esperemos que este Eng. não se apaixone, como o outro refugiado, pela educação. Todos sabemos as consequências destas paixões arroubadas!

Para início sabe-se que os “alunos mais aplicados” têm “bolsas de estudo avantajadas”. A Fundação dos Soares, soma e segue capitalizando estudos e subsídios “ à exploração” como a grande estudante, quiçá educadora, da sociedade portuguesa.

Com tanto “trabalho” não admira que os Soares já tenham começado a “levantar cabelo” novamente. O mais velho, qual cata-vento em dia de temporal, dizendo agora uma coisa e daqui a nada o seu inverso com o maior à vontade. O “príncipe” sem reino prometendo regresso espalhafatoso, isto se “for convidado”. Como diz o ditado “nem de porrada são fartos” e de estudos também não pelos vistos!

Domingo, Setembro 03, 2006

"Boas Novas"

Estava eu hoje meio adormecido quando sou subitamente abanado por uma “notícia impensável”. A RTP anunciava, com honra de reportagem, que a culpa das listas de espera para consultas é dos doentes, esses intratáveis, que fogem das consultas como o diabo da cruz. Nem mais, nem menos!

Na encomenda, perdão na reportagem, lá apareciam uma série de senhores e senhoras bem postos, a dizer que estão mesmo a implementar um sistema de mensagens telefónicas, vulgo SMS, para avisar os “utentes”, não vão estes deixar as salas de espera às moscas. Realmente estes doentes, só de pensarem no tempo de espera das consultas põem-se logo finos. Ou finam-se!

No mesmo alinhamento lá chegava outra “notícia” muito interessante. As prisões portuguesas estavam apinhadas de voluntários que davam o seu contributo para que os “cidadãos que por algum motivo caíram no pó branco” possam, quando saírem daquele calvário, caminhar pelo asfalto liso da vida. Um encanto de “reportagem” com senhoras e senhores que gaguejavam muito pouco. Já os “temporariamente privados de liberdade gaguejavam mais um pouco”. É natural, a sua especialização é mais no esticão ou no gatilho.

Para aqueles que estão mais distraídos, esta RTP, é paga por todos nós e portanto deveria veicular notícias que sobrevivessem ao mais pequeno contraditório, mas prefere dedicar-se a anunciar as “as boas novas”. Começa a lembrar-me uma certa editora de discos, nortenha, cujo nome não me recordo bem, mas tinha a ver com o reconhecimento da voz do dono. E assim prossegue este país: fazendo de conta!

Sábado, Setembro 02, 2006

A Feira


Começou ontem a Feira de Rio Maior. Essa mesma a secular feira das cebolas, mais tarde apelidada de Frimor. Propositadamente desloquei-me a pé desde o centro da cidade até ao local da feira. Estranhei não haver grande bulício mas talvez as pessoas estivessem a juntar uns cobres para irem às compras mais à noitinha e sem grande esforço, lá cheguei ao local do costume.

Chegado ao local é que se me depararam dificuldades. Não via a feira! Mas ela devia estar ali?! Andei por ali um bocado tentando encontrar o certame, sem grande sucesso, Apenas uma agitada fila de mães e filhos, mais ou menos em estado de histeria, porque estava ali não “sei quem de uma novela não sei quê”, dava colorido ao local. Da feira nem sinal, nada!

Consultei os folhetos que gentilmente a autarquia me tinha feito chegar e a data estava certa. Estaria eu no local certo mas à hora errada? De repente lembrei-me que eu pudesse não estar a ver bem, que estas coisas são assim mesmo, questões de visão ou falta dela, e pôs os óculos. Afinal a feira estava ali, eu é que estava mesmo pitosga!
Mas uma feira que já é preciso óculos para se ver é uma feira ou é apenas uma venda?

Como todo o concelho, também a Feira de Rio Maior vai definhando de acordo com a vontade da maioria. E o pagode bate palmas, delirando com o cheiro a morangos e às romerices adjacentes.