Sábado, Julho 29, 2006

"O Plano Tecnológico"

Do Diário Digital:

«CDS quer saber “por onde anda o Plano Tecnológico” do Governo»

«O CDS-PP e o país continuam a não entender o que é o Plano Tecnológico, os seus objectivos e a missão dos seus responsáveis, critica a comissão executiva dos democratas-cristãos, em comunicado, lembrando que o plano foi aprovado pelo Governo em Novembro de 2005.
Os democratas-cristãos pretendem que o primeiro-ministro, José Sócrates, explique aos portugueses como é que o Plano Tecnológico se articula com outros organismos de promoção da investigação e inovação (…)»

Quando li esta notícia não pude deixar de sorrir. Eu a pensar que era o único português que não sabia onde se escondia esse “mapa do tesouro” e afinal há mais pessoas que não sabem do tal plano, tão insistentemente agitado sob a forma de disco voador, durante a campanha eleitoral. A promessa enchia o olho: com aquele disco, finalmente Portugal ia voar!

Porém se o CDS-PP não sabe “por onde anda o Plano Tecnológico”, eu vou deixar-lhe aqui uma pista. Como agora o tempo esta solarengo e estamos em época de férias desloquem-se à Foz do Arelho ou então à Figueira da Foz que dão de caras com alguns “bons” exemplos de aplicação do tal plano: quadros “electrónicos” anunciando a capacidade de “ignição” diária, VERDADEIRAMENTE fechados a CADEADO! Tecnologia da mais alta, tão alta que é preciso o funcionário levar uma escada para mudar a agulha.
Estamos no país do faz de conta, da publicidade enganosa, do vigésimo premiado. É o nosso fado ainda por cima entoado por sucedâneos mal amanhados do Marceneiro e da Amália. Haja coração!

Quinta-feira, Julho 27, 2006

O rabo da UE e a seringa da Ciência


O único objectivo da ciência é compreender o mundo, o universo, o Homem, a realidade. O objectivo da tecnologia é usar as leis naturais e as regularidades da natureza, independentemente da sua compreensão. Do mesmo modo, a tecnologia produz-se e só faz sentido no domínio da certeza. Depois, como funciona no domínio da certeza, gera lucro, e como gera lucro, gera poder. A ciência não. A ciência desenvolve-se, cresce e evolui no domínio da dúvida. Não há nada que seja uma verdade definitiva na ciência.
(…)
Quando a sociedade decide condicionada pelo medo, toma sempre as piores opções. Para decidir melhor, deve exigir que a ciência independente, aquela que não é desenvolvida por interesse económico, mas sim pela busca do conhecimento, continue a ter o seu lugar.
António Coutinho, em entrevista à Visão
24 de Fevereiro de 2000

Aqui há uns séculos atrás considerar-se-ia uma blasfémia se alguém dissesse que a partir de um embrião humano se podem combater patologias como as doenças de Parkinson e Alzheimer, a diabetes, doenças do foro cardíaco e cancro. O que é facto é que essa meta já esteve mais longe do alcance dos cientistas. As palavras-chave são células estaminais, que podem ser embrionárias ou adultas. Estas células dos sete ofícios são indiferenciadas, o que significa que não têm uma função específica, podendo diferenciar-se em qualquer tipo de célula. As consequências são mirabolantes – reparam células danificadas, substituem células mortas, podem ser usadas em transplantes para curar doenças em que os tecidos tenham sido afectados, etc.

Quando a fonte é o embrião humano o processo é fácil – espalhados por toda a Europa há milhares de embriões excedentários crioconservados e com um destino incerto, resultantes de tratamentos de fertilidade. Quando a fonte é o ser humano adulto, ainda decorrem investigações acerca da capacidade da medula óssea de produzir as ditas células.

Passemos à prática. Ainda este mês, os ministros para a Investigação Científica dos Estados Membros da UE acordaram o financiamento para a investigação com células estaminais embrionárias, dentro dos devidos limites. Foi esta uma luta renhida, dado que oito países se contrapuseram à ideia, alegando que a UE não se deveria pôr ao serviço da matança de embriões. A história, para alguns, não teve um final feliz: não serão financiados projectos que envolvam a destruição de embriões para a obtenção das células mágicas. Apenas se consente a utilização de células já existentes (crioconservadas, portanto) ou de células estaminais adultas (as tais que ainda são a pedra no sapato de muitos investigadores).

A questão é mais complexa do que aparenta ser e mobiliza várias implicações. De um lado temos os movimentos pró-vida que defendem que um embrião é um rebento humano com toda a sua dignidade, pelo que não é legítimo manipulá-lo para fins de investigação. Do outro lado temos a urgência e a necessidade de obtenção destas células. Até que ponto prevalecem os direitos do embrião sobre os direitos de um adulto ou uma criança com uma doença incurável? Enquanto andamos todos às turras a discutir o sexo dos anjos, há embriões quase esquecidos em laboratórios que armazenam em si um potencial de revolução no campo da Medicina. Que destino lhes dar? Pelo que consta, não é viável usá-los para investigação. Será preferível eliminá-los? Já que são financiados os projectos com células estaminais adultas, uma hipótese seria a investigação das mesmas. Mas com tantas células estaminais embrionárias à mão, será eticamente correcto centrar as investigações nas outras células, quando temos tantas que podem resolver os problemas de tanta gente?

A bioética tem estradas sinuosas e caminhos que parecem não ter fim. Mas faço aqui apelo à razão: quem tem prioridade de direitos? O adulto em fase terminal ou o embrião congelado há meia dúzia de dias? Como deve a sociedade exigir da ciência independente de António Coutinho, se é ela a própria que lhe foge como o rabo foge da seringa?

Domingo, Julho 23, 2006

Tempo de distender


Este é um tempo de distender. A generalidade das pessoas desligaram as “máquinas” e mais aqui mais ali vão procedendo à sua recuperação com vista ao “pós-férias”. As notícias que vão surgindo mas, por mais inusitadas ou dramáticas que sejam, são sempre condimentadas com a relatividade própria do calor. Não estamos cá, estamos de férias e pronto! Como diria um saudoso amigo “quem tiver roupa que a arrede”.

Esta semana o jornal Expresso, publicava uma notícia absolutamente veraneante. Segundo o semanário “uma avenida no centro do Fundão foi classificada como reserva de caça numa portaria publicada no Diário da República (…) as placas que delimitam as zonas de caça já foram colocadas na Avenida Eugénio de Andrade (…) o presidente da câmara do Fundão, o social-democrata Manuel Frexes, classifica a situação de «absurda» e responsabiliza o Governo.”

Lendo a notícia, fiquei a pensar que se em Rio Maior alargam os perímetros de caça à zona central da cidade, lá para o dia 15 de Agosto vamos ter a Praça da República cheia de caçadores! É a abertura da caça às espécies migratórias.

Sábado, Julho 22, 2006

Contar carneiros

O Governo pretende impedir que autarcas acumulem cargos [executivos] em empresas municipais, anunciou ontem o Secretário de Estado da Administração Local. Eduardo Cabrita afirmou que a duplicação de cargos não faz sentido e que há mesmo empresas municipais "fictícias" e que outras são uma forma de endividamento escondido das autarquias".
O governante defendeu que as empresas municipais "não podem ser uma forma de duplicação de tarefas, de remunerações ou de actividades".
"As empresas municipais justificam-se quando há um sector de actividade que exige uma gestão própria, independente e profissionalizada. Não passa pela cabeça de ninguém fazer o ministro das Finanças acumular o cargo com o de presidente da Caixa Geral de Depósitos", indicou.
Eduardo Cabrita explicou ainda que a Lei das Finanças Locais, em processo de revisão, prevê ainda "o princípio da consolidação de contas entre municípios e empresas municipais, quando estas existam".
"Em nome do reforço da transparência e rigor no financiamento local, só tem sentido olhar para a dimensão financeira de uma autarquia, olhando globalmente para o que é a sua expressão", sublinhou Eduardo Cabrita.
(www.publico.pt de 22/07/06)

Não bastavam já as interrogações sobre a Ota e a indefinição sobre o futuro da Superior de Desporto para causar insónia a alguma malta…

Quarta-feira, Julho 19, 2006

O Nó Górdio


Oito séculos antes de Cristo, na época dos gregos, uma profecia prometeu o trono vago da Prígia (na actual Turquia) à primeira pessoa que entrasse na sua capital com um carro de bois. Um camponês chamado Górdio cumpriu a profecia e foi coroado. Para comemorar levou a carroça ao templo de Zeus e amarrou-a a um poste com um nó extremamente complicado, impossível de desatar.
Outra profecia difundiu a ideia de que quem conseguisse desatar tal nó, chamado de Górdio, tornar-se-ia soberano de toda a Ásia. Cerca de 500 anos se passaram sem que ninguém conseguisse realizar a façanha. Isto até o jovem Alexandre O Grande passar por lá, no ano de 333 antes de Cristo.
Ambicioso, tentou de todas as formas desatar o nó, sem sucesso. Finalmente, desembainhou a espada e cortou o nó ao meio, para espanto dos habitantes da cidade. Poucos anos depois, ele tinha enfiado boa parte da Ásia no bolso.

Por cá não se entrou de carroça na cidade mas sim armado de uma arma invencível, os recém aparecidos fundos comunitários, que permitiram realizar investimentos até então nunca ao alcance das autarquias. E muito de valor se fez na altura: alcatroamentos, redes de água e saneamento, renovação dos edifícios autárquicos, etc…
Recolheu-se o mérito dos trabalhos realizados junto das populações e assim se estabeleceram as bases para sucessivas reeleições.

Mas ao mesmo tempo começou a ser dado o nó no concelho. Preso a um modelo de desenvolvimento que não será decerto o adequado ao crescimento económico.
Terá o Desporto condições para ser o motor do desenvolvimento concelhio?
Normalmente a prática desportiva aparece como resultado das sociedades desenvolvidas e economicamente fortes, sendo o tecido empresarial o principal motor do aparecimento e financiamento dos clubes desportivos.

Aqui inverteram-se os factores da equação para justificar o desenvolvimento assente no desporto. E são os fundos públicos o motor da prática desportiva, são eles que financiam os clubes, são eles que afugentam o próprio investimento no sector ao oferecerem serviços a preços não ao alcance dos investidores privados.

É certo que temos entre nós a Escola Superior de Desporto e que os alunos dessa escola injectam muito dinheiro na economia riomaiorense. Mas penso que nenhum concelho gostaria que o seu desenvolvimento económico passasse pelos restaurantes fast-food, pastelarias e alugueres de apartamentos, muitas vezes sem qualquer recibo.

Depois do desporto veio Ota, o milagre salvador, pois se o desporto não trouxe empresas e desenvolvimento ao concelho será o novo Aeroporto Internacional de Lisboa a conseguir tal desiderato. Será mesmo assim ou teremos pela frente mais do mesmo? Seremos nós os únicos interessados nas empresas geradas pela Ota ou teremos concorrentes de peso ao nosso redor, também eles com vontade de receber tais investimentos?

Estas são apenas algumas das voltas do “Nó Górdio” que amarra o desenvolvimento do concelho. Outras existem, mas a extensão de tal texto não seria decerto compatível com o espaço deste blog. Delas falarei noutras alturas.

Mas deixo a interrogação: se o nó existe e é real como o podemos eliminar? Procurando as pontas da corda e tentando desatá-lo? Ou fazendo como Alexandre, cortando-o num só golpe!

Segunda-feira, Julho 17, 2006

A catástrofe


Do Jornal de Notícias:

«Os exames nacionais foram este ano uma catástrofe que não se vê como o Ministério da Educação vai, desta vez, poder atribuir aos professores. Erros científicos, informações em falta, dados irregulares, hipóteses incorrectas, questões ambíguas e mal formuladas, houve de tudo nas provas, particularmente (mas não só) na de Química, para além de grelhas de correcção inadequadas e aberrantes. Os resultados são de corar de vergonha médias nacionais de 5,9 valores em Matemática, 6,9 em Física e Química, 5,7 em Inglês inicial, 8,1 em Geografia, 46% de reprovações a Português, 64% a Matemática, 20% a História Segundo a Lusa, o Ministério ainda está a "tentar perceber" o que se passou, mas já descobriu a "receita" do sucesso: a repetição dos exames, este ano só os de Física e Química, para o ano (admite o Ministério) os de todas as disciplinas. Os alunos irão repetindo exame após exame, provavelmente com provas cada vez mais fáceis (talvez mesmo sem erros científicos), até obterem finalmente nota positiva, e as estatísticas do sucesso escolar dispararão. O facilitismo e o nacional-porreirismo não são novidade entre nós: dir-se-iam estranhos é num Ministério cuja titular, como Frei Tomás, tanto prega a exigência e a responsabilidade».

E ninguém diz nada?
Está tudo de férias ou andamos todos distraídos?
A ministra da Educação mantém o seu estado de graça ou cai em desgraça?
O pressuroso Presidente da República diz alguma coisa ou assobia pró lado?
Como pode um governo cuidar assim da nossa maior riqueza? Será que vamos aguentar a sua propaganda “até o Bernardo vir à sesta”?
Assim não vamos lá, por mais que a palavra fácil e a tirada socrática nos anuncie o contrário!

Domingo, Julho 16, 2006

O Imperador

O jornal Expresso destaca uma afirmação do “imperador” António Borges, que muitos crêem ser um salvador da pátria, futuro líder do PSD, futuro Primeiro-Ministro, futuro campeão da sueca e futuro inventor da cura para a unha encravada! Aliás, há quem pense que o Mundo é uma criação de António Borges, que por modéstia usa o heterónimo “Deus”…

O “imperador” diz que Marques Mendes lhe limita a intervenção interna. Curioso: eu achava que no PSD eram os militantes que davam ou tiravam a intervenção interna, numa coisa chamada “eleições”.

Em democracia cada um tem a intervenção que quer, dentro da sua liberdade e da confiança que os eleitores (ou militantes) conferem. Se o “imperador” queria mais intervenção, então não fosse cobarde no Congresso de sucessão a Santana Lopes. Não que haja mal em ter medo: se acontece aos melhores, também acontece aos que o não são!

Diz ele que Marques Mendes não buscou os melhores para a equipa da revisão do Programa do PSD. Borges só reconhece incontestável qualidade a Balsemão. Por exclusão de partes, não a reconhece a Carlos Coelho nem a Agostinho Branquinho.
O pato Borges (eu escrevi pato? foi sem querer!) ignora que Carlos Coelho é reconhecidamente o nosso melhor Eurodeputado (dos mais respeitados em Bruxelas), dos mais conceituados gestores de iniciativas políticas dentro do PSD e o responsável pela formação de quadros do Partido. Ignora também que Agostinho Branquinho lidera a maior distrital do PSD, é grande conhecedor do partido e um marketeer de renome.

Esta equipa é estratégica: o fundador do partido, para dar o elemento histórico que a tarefa exige; um organizador nato, para gerir o projecto e mobilizar o PSD; e um especialista em marketing eleitoral, porque muito desta missão é imagem política. Isto para além das restantes capacidades pessoais das pessoas em causa, que são inúmeras.

Qualquer um destes senhores está mais habilitado do que um D. Sebastião criado por gente que faz dele escada mas que o gozam nas costas!

Finalmente, o “imperador” diz-se aborrecido porque queria levar para o PSD uma “equipa do melhor que há” e que essa proposta não foi aceite. O “imperador” esquece que essas equipas se chamam “Comissões Políticas”. As Comissões Políticas que vão a votos ganham ou perdem. A dele não foi a votos…

O que o “imperador” queria era colonizar o PSD com os seus amigos, mas essas coisas não se pedem: conquistam-se!
Onde está o grande economista? Onde está o grande estratega? Onde estão os espelhos lá de casa?

Já aqui disse que a vaidade tolhe a noção da realidade. E a realidade é simples: o “imperador” não sabe o que é o PSD, apenas sabe que quer ser alguém no PSD. Nas duas hipóteses que teve revelou-se um desastre. No Congresso da sucessão a Santana não soube dizer Presente! No Congresso da revisão estatutária não soube ler o discurso que lhe prepararam.

Assim é difícil…

Nota 1: O “imperador” foi convidado para colaborar na revisão do programa do PSD, mas como ele queria mandar no projecto, omitiu o convite!
Nota 2: O “imperador” é um peixe, animal que (diz-se) costuma morrer pela boca!

Segunda-feira, Julho 10, 2006

Desmor - Relatório e Contas


Na última Assembleia Municipal foi presente aos Srs. Deputados Municipais, para conhecimento apenas, o Relatório e Contas da Desmor, EM, a empresa que tem a seu cargo a gestão do parque desportivo municipal.
Sendo um documento complexo urgia no entanto analisá-lo para tentar conhecer um pouco mais da actividade desta empresa. Foi o que fiz e de uma análise ao número de utilizadores e aos números de um balanço e demonstração de resultados bastante simplificados podemos retirar as seguintes conclusões:

- A Desmor facturou em 2005 cerca de 659.000€ pelos serviços que prestou, sendo que 65,4% proveniente da exploração do Centro de Estágios e 26.8% proveniente da Escola Municipal de Natação.

- A empresa tem como custo anual de funcionamento uma verba próxima de 1.783.000€.

O diferencial entre a receita e a despesa é de cerca de 1.124.000€, coberto por subsídios à exploração da Câmara Municipal de Rio Maior.
O subsídio protocolado com a autarquia é de 872.000€ anuais, justificado pela prática de preços sociais pela empresa e pela utilização pelas escolas e clubes do concelho.
Sabendo nós, pelo relatório apresentado pela empresa, que todos os equipamentos deste complexo desportivo, com excepção das Piscinas Municipais, tiveram 11.325 horas de utilização e, partindo do principio que todas elas seriam usadas pelos clubes e escolas do concelho, facto que não se verifica como é óbvio, chegaríamos à seguinte conclusão: o subsídio atribuído pela autarquia à Desmor representa um valor de 77€ por cada hora de utilização pelas escolas e clubes dos equipamentos do parque desportivo municipal.

Por outro lado a exploração, que devemos considerar comercial, do Centro de Estágios e Formação Desportiva rendeu aos cofres da Desmor cerca de 440.000€. Sabendo nós pelo relatório que lá se realizaram 9659 dormidas e foram servidas cerca de 32.900 refeições, a receita média por cada dormida é de cerca de 45€.

Ora se o apoio às instituições locais para uso das instalações custa à CMRM um valor de 77€/hora não se compreende que a quem pode e deve pagar apenas cobremos uma média de 45€/dia, com refeições e utilização dos equipamentos desportivos incluídas.
A titulo de exemplo uma estadia com pequeno-almoço incluído nas residenciais da cidade tem um custo de cerca 30€ por dia.

Referir ainda outro ponto que se afigura interessante, as despesas com o pessoal. Em 2005 eram 65 os funcionários da empresa e o valor das remunerações pagas, com encargos sociais incluídos, atingiu os 786.000€.
Isto representa um custo com o pessoal superior em cerca de 20% à receita de exploração comercial do espaço.
É líquido dizer também que, somando aos 786.000€ de custos directos com o pessoal os 125.000€ da rubrica “Honorários”, os custos com pessoal representam 51% do total de custos suportados pela empresa.

E para aqueles que ainda hoje acham que a cobertura da Piscina de 50mts foi um erro de estratégia fica um número que pode ou não ser elucidativo: em 2001, ainda sem cobertura a piscina tinha 28.157 utentes nos meses de Verão. Em 2005 teve apenas 13.815 utentes, sendo que, durante o Verão o tanque de saltos e a piscina que 25 metros que fazem actualmente o papel de “Piscina de Verão” registaram apenas 12.696 utilizadores.

Estas são apenas algumas das conclusões que podemos tirar do relatório apresentado e outras tiraríamos de certeza se tivéssemos acesso a números mais pormenorizados da contabilidade da empresa. São apenas alguns dos problemas que quem tem responsabilidades na gestão da coisa pública deve levar em conta.

Por fim uma recomendação: a elaboração urgente de um plano de marketing que inclua finalmente, ao fim de 7 anos de actividade daquele complexo, um site dedicado ao complexo desportivo. É que com a importância que a Internet atinge hoje na vida de todos quem não está na rede não existe.

Sexta-feira, Julho 07, 2006

A Suspensão


O vereador João Sequeira suspendeu o seu mandato na Câmara Municipal de Rio Maior para assumir uma actividade de assessoria na Secretaria de Estado da Juventude e Desporto.
Segundo as palavras do próprio na edição desta semana do “Região de Rio Maior” o convite partiu directamente do Secretário de Estado Laurentino Dias e já não é de agora, tendo resultado de várias conversas com o governante.
Sendo o nº 5 da lista de candidatos do Partido Socialista á Câmara Municipal de Rio Maior nas últimas autárquicas Manuel Brites deverá ser chamado a desempenhar as funções de vereador.

Só tenho pena que estas “cachas” sejam sempre dadas aos mesmos e que a informação não seja enviada a todos os órgãos de comunicação social do concelho.

Segunda-feira, Julho 03, 2006

A "Ordem do Dia" (ACTUALIZAÇÃO)


Eis o ansiado rescaldo da última Assembleia Municipal.
Compete-nos dar início à discussão e aguardar os comentários. Sejam eles aditamentos, reflexões ou críticas à nossa abordagem.

I
Era esperado que o PS mostrasse o seu incómodo com os desenvolvimentos da vinda de Marques Mendes a Rio Maior.
O desagrado do PS ocupou grande parte do período antes da ordem do dia (PAOD), que durou mais tempo que a própria ordem do dia.
De facto, havia muita gente da bancada do PS com necessidade de dar justificações, mas parecia que discutir sobre Marques Mendes era mais importante que falar das matérias levadas pela Câmara.

II
Penso que o PS nunca percebeu que o debate não girava em torno das palavras de Marques Mendes mas sim da reacção do PS às mesmas.
É certo que a imprensa falou em nepotismo (coisa que Marques Mendes nunca fez), mas teria passado em branco, não fosse a reacção.
É sabido que, no geral, a imprensa adora que “mordam o isco” e aproveitou para dar ao assunto a dimensão que na altura não teve.

III
A bancada do PS disse (quase) tudo o que ia na alma. No final ficou o indesmentível: há familiares do Presidente da CMRM nos órgãos municipais. Não é crime, não é punível. Mas será aceitável?
Dir-se-á: “os eleitores sabiam-no quando votaram”! Sim, é verdade. Mas isso apaga a realidade? A liberdade de voto é absoluta, mas a opção de voto não é, necessariamente, acertada!

IV
Mas se essa foi a”efectiva Ordem o Dia”, outros temas marcaram.
É o caso da situação da Opel da Azambuja: a CDU (José Neves) apresentou uma moção manifestando preocupação, texto que o PSD logo subscreveu, bem como o PS e o PP.

V
Inesperado foi o desfecho da moção de felicitação apresentada pelo PSD (Carole Carvalho) aos Rapiocantes Ribeirenses pelos êxitos no ciclismo.
Esta extraordinária equipa da Ribeira de São João conseguiu, pelo segundo ano consecutivo, ter um campeão nacional de juniores (André Ferreira), para além de outras medalhas ganhas no final do mês passado.
Era a moção falhou a unanimidade porque Arlindo Regueira, Presidente de Junta da Ribeira pelo PS, se absteve.
É lamentável quando se nega o mérito a alguém por coisas tão pequeninas...

VI
Ficou também para a história da sessão uma crítica da Presidente de Junta de Rio Maior, Isaura Morais, dirigida a Carlos Nazaré, vereador para as freguesias.
Tratou-se duma reacção contra uma carta que a CMRM remeteu a uma munícipe “sacudindo” para a JFRM uma incumbência que, à data, não estava na orla da Junta pois a delegação de competências não tinha sido assinada. À data da AM, nem os meios tinham sido transferidos…
Mas isso não impediu que a Câmara remetesse uma carta “em tom engenhoso” e que dava uma visão errada da possibilidade da Junta em corresponder ao pedido da munícipe.
Carlos Nazaré negou qualquer maldade, mas acabou pedindo desculpa pelo envio da mesma sem dar dela conhecimento à Junta em causa.

VII
Outros temas ficam para comentários. Termino com uma reflexão sobre o funcionamento da Assembleia. Há coisas que não se compreende: as três primeiras intervenções do PS duraram uma hora, precisamente o tempo total desse primeiro período.
Na gestão dos tempos do PS, Victor Damião confundiu “generosidade” com “abuso”. Mas eles tinham tantas justificações para dar…

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Parabéns, Rapiocantes

A Assembleia Municipal aprovou uma felicitação à equipa de ciclismo da Ribeira de São João, “Os Rapiocantes Ribeirenses”.

Pelo PSD, a deputada Carole Carvalho apresentou a proposta de louvor acima indicada (ponto V).

Um debate que se supunha pacífico teve um momento triste e absolutamente lamentável vindo precisamente do Presidente da Junta da Ribeira, Arlindo Regueira, o tal que mudou de PSD para PS.

Não sei o que deu ao cavalheiro para tanto agastamento! Teve um discurso mais “cuspido que falado”, mostrou que nem sequer sabia dos últimos feitos dos Rapiocantes e condenou “a pessoa” que os transmitiu ao PSD. Parece que o senhor ficou zangado por ter sido o PSD a propor o louvor…

A deputada Carole deu-lhe boas ao dizer: a mim ninguém me contou, eu vi na Internet! E acrescentou que as vitórias do clube vieram nos jornais. Parece que na Ribeira o Presidente é o último a saber das novidades!

No final, o voto foi apoiado por todos menos pelo dito cavalheiro, que deveria ter sido o primeiro a deixar questiúnculas de lado e orgulhar-se da “sua” equipa.

Não posso deixar de sublinhar que lamento que o líder parlamentar do PS (Prof. Moreira) e o Prof. Figueiredo (CDU), tenham pedido ao PSD que mudasse o voto de louvor para voto de felicitações. Na “terra do desporto” uns merecem tudo, outros apenas palmadinhas nas costas!