Sexta-feira, Junho 30, 2006

Lê-se e não se acredita, mas depois entende-se a mecânica.

Hoje no Diário Digital citando o Publico:

«Menezes obriga jornais de Gaia a cobrir actividade camarária»

Os sete jornais de Vila Nova de Gaia estão obrigados a acompanhar «adequadamente os actos públicos» e «toda a actividade da câmara e empresas municipais» na sequência de um acordo assinado no início do ano entre os órgãos de comunicação e a autarquia, informa hoje o jornal Público.
Segundo o diário, o protocolo foi aprovado pelo Executivo liderado por Luís Filipe Menezes ainda no mandato anterior.

O referido acordo obriga ainda os jornais a enviarem até ao dia 8 de cada mês à Direcção Municipal de Comunicação e Imagem da câmara uma informação discriminada das publicações efectuadas no mês anterior relativas ao município ou empresas municipais.

A Câmara de Gaia garante que o acordo visa apenas distribuir equitativamente os gastos anuais do município em publicidade institucional obrigatória»


No primeiro relance lê-se e não se acredita, mas depois entende-se a mecânica. É uma “obrigação voluntária, uma transacção”. É mais uma troca, um coça-me agora as minhas costas agora que depois te coço as tuas. Será também, se quisermos, uma adaptação livre de uma estrofe da Grândola – Vila Morena: “Em cada esquina um cacique, em cada jornal desigualdade, se um jornalista é amigo, leva mais publicidade.”. Estamos a bater no fundo, com estrondo.

Domingo, Junho 25, 2006

Vamos à bola

As “férias futeboleiras” anteciparam a costumada estação do “está tudo bem mesmo que esteja tudo mal”. É o tempo da paz podre, dos safaris no Quénia, das viagens a bordo dos iates de armadores amigos e das férias a crédito do pagode. É o tempo de um país ausente em parte incerta.

De repente todos nos transformamos em avestruzes e fazemos a nossa parada de cabeça enfiada no meio de um deserto. Deserto de ideias, deserto de soluções, deserto de decisões. E contudo o país está numa fase critica, em que qualquer adiamento significa mais atraso que depois, e à boa maneira portuguesa, tentamos resolver através da nossa “chico-espertice”, ou então remetemos pró fado da sina.

Veja-se o caso da educação. A ministra vem dizer que o ensino vai de mal a pior, denuncia as situações que considera enfermarem o sistema e elenca uma série de medidas pra tentar sair do impasse a que se chegou. No imediato os sindicatos reagem criticando as medidas anunciadas fazendo uma espécie de contrabalanço para que tudo fique na mesma. Transformámo-nos no país de quintais, onde cada um defende o SEUS direitos adquiridos, borrifando-nos para o facto do país estar cada vez mais retorcido.

Há dias deparei com um artigo da economista Teodora Cardoso, em que esta de forma simples e objectiva colocava o dedo, profundamente, na ferida: «A questão essencial, (…), está longe de ser o orçamento. O problema está em que o sistema não produziu as competências necessárias a uma economia moderna e desenvolvida. A fragilidade desta – e o erro das opções assumidas em matéria de educação – ficou à vista quando se esgotou a capacidade de absorver, na construção, no comércio e no próprio sector público, a mão-de-obra rotineira e/ou pouco qualificada que o sistema educativo maioritariamente produziu. O problema orçamental, mas sobretudo económico, do país radica aí.(…)» Mais concisa não poderia ser!

A pergunta que surge no seguimento desta brilhante conclusão é esta: se o diagnóstico está feito, porque não se actua em conformidade? A minha resposta é simples e "incorrecta": ainda não nos convencemos que somos um país pobre e pensamos que podemos viver à sombra de glórias ou feitos do passado. A minha solução é mais simples ainda: precisamos de interiorizar que hoje a única riqueza que podemos cultivar somos nós, as nossas competências. Não temos nenhuma outra!

No dia em que pensarmos desta forma, ao governo exigiremos que governe em vez de fazer anúncios; aos professores que ensinem em vez de protestarem em dias que prolongam os fins-de-semana; aos alunos que estudem e apliquem a criatividade que revelam no “copianço” na apreensão da matéria, nesse dia, que pode estar perto ou longe, depende de nós, poderemos então evocar os nossos feitos passados com toda a legitimidade. Até lá, vamos todos à bola.

Sexta-feira, Junho 23, 2006

Pecado Mortal


O facto de alguns temas serem menos causadores de discussão não os exclui deste espaço. Aliás, o Rio da Ponte serve também para publicar reflexões, mesmo que algumas sejam insípidas, como esta…

Deparei-me ontem com este texto enviado pelo meu amigo Edgard: «A vaidade é o pior defeito do político. Ela mata o distanciamento do próprio eu e impede a objectividade. Vaidade é um pecado mortal na política

Não o amor-próprio ou o brio mas sim a doentia alimentação daquele Ego saudável que todos devem ter. E bem sabemos que aqueles que alimentam muito o Ego são como porcos que vão para a engorda: têm a petulante opulência de quem não sabe que o seu destino é a matança...

O Ego é uma “entidade” não corpórea. Uns têm-no pequena e outros têm-no em proporções saudáveis. Porém, há casos graves (patológicos) de gente que deu existência física ao seu Ego e o alojou na caixa craniana, o lugar que a Natureza reservou para o cérebro! Quer isto dizer que esta gente passou a ter um pensamento primário imediato: o “Eu”! Eu, eu, eu…

Pensava nestas coisas e veio-me à memória o insólito caso de uma pessoa que, ao saber da realização de um importante evento, antes de querer saber mais nada, perguntou qual era o seu lugar no protocolo!

Será que as pessoas não se medem? Não têm noção da sua importância? O seu umbigo é o centro do Mundo? Pensarão que o seu gesto fica impune?

Veja-se que não há pior indumentária que a desmedida vaidade! Esta provoca total repelência. Sobretudo se acompanhada da mentira. Nesses casos raramente há hipótese de remissão!

Um conselho: o reconhecimento da nossa real importância é o primeiro passo para a absolvição.

Finalizo com uma frase de Woody Allen: “O meu corpo não tolera bebida. Uma vez bebi dois Martinis e tentei desviar um elevador para Cuba”. Ah, se todos tivéssemos esta noção das nossas limitações…

Quinta-feira, Junho 22, 2006

76 dias depois… o 500º comentário!


O Rio da Ponte recebeu hoje o seu 500º comentário.

Não se trata apenas de uma marca simbólica: é uma prova de vitalidade.
Verificamos com agrado que aqui estamos a proporcionar um espaço livre, sério e (em nossa opinião) interessante.
Ao juntarmos mais um blog ao universo bloguístico riomaiorense, fomo-nos deparando diariamente com a sua vivacidade. Hoje podemos dizer que superámos as nossas expectativas. E estas não eram propriamente baixas...

Pensamos que muito do sucesso do Rio da Ponte assenta em quatro factores: os temas lançados, o gosto geral por uma boa controvérsia, a cara destapada dos elementos do blog e a indiscutível qualidade dos diversos comentadores, que têm avivado sobremaneira as discussões.

Queremos continuar livres, objectivos, audaciosos. Queremos continuar a dar a cara pelas nossas ideias. E queremos, naturalmente, aumentar o universo de visitantes e comentadores.

Cumprimentos e agradecimentos a todos
Rio da Ponte

AS NOSSAS ESTATÍSTICAS:
-Tempo de existência: 76 dias
-Artigos publicados: 41
-Comentários: 501
-Média de comentários por artigo: 12,2
-Média de comentários por dia: 6,59
-Média de artigos por dia: 0,53
-Comentários em Abril: 122, (6,4 por artigo)
-Comentários em Maio: 172 (13,2 por artigo)
-Comentários em Junho: 207 (23 por artigo)
-Top 5 dos comentadores: O Atento (33), Poisé (29), Alberto (21), Killer (20), O Funcionário (18)
-Comentários anónimos – 136
-Artigos mais comentados: O Zé Toca (50), Freguesias I (37), Farto de Hipocrisia (29), Marques Mendes em Rio Maior (26), Rio Maior, que futuro? (26)

Segunda-feira, Junho 19, 2006

A Carta Educativa de Rio Maior

Este é sem dúvida um assunto de interesse, uma vez que a educação de base é fundamental para os referenciais de desenvolvimento de uma nação. E o que é uma “Carta Educativa”?
A Carta Educativa é um documento de planeamento e ordenamento prospectivo de edifícios e equipamentos educativos a localizar no concelho de acordo com aquelas que se prevêem ser as necessidades de educação e formação aos níveis do pré-escolar, básico e secundário nos próximos anos. É, ou deveria ser, um documento estruturante da oferta educativa do concelho e é ainda obrigatória a sua existência em todos os municípios que pretendam realizar revisões ao seu PDM (Plano Director Municipal), como é o caso de Rio Maior.

A Carta Educativa do nosso concelho foi aprovada em sessão da Assembleia Municipal do passado dia 26 de Maio. E o que nos diz este documento? Bem, recolhe um elevado número de informação estatística sobre o concelho, fazendo projecções para o futuro e traçando cenários de reordenamento do parque escolar do concelho.

Esta questão dos cenários é a que me parece merecer maior destaque. O documento apresenta duas hipóteses de desenvolvimento que passo a explicar resumidamente:

- CENÁRIO A: Construção da EB1 + Jardim-de-infância de Alcobertas, que absorveria os alunos das escolas da freguesia de Alcobertas e das freguesias vizinhas de S. Sebastião e Fráguas. Uma escola que poderá vir a ser ampliada para absorver também alunos do 2º ciclo do ensino básico.
Todas as restantes escolas do concelho, com raras excepções, continuam em funcionamento ligadas aos Agrupamentos Marinhas do Sal e Fernando Casimiro.
Custo aproximado deste cenário: 6.500.000€

- CENÁRIO B: Construção da EB1 + Jardim-de-infância de Alcobertas, que absorveria os alunos das escolas da freguesia de Alcobertas e das freguesias vizinhas de S. Sebastião e Fráguas. Uma escola que poderá vir a ser ampliada para absorver também alunos do 2º ciclo do ensino básico.
Construção da EB1 + Jardim de Infância Sul do Concelho, inicialmente prevista para S. João da Ribeira mas ao que parece o seu destino final será Malaqueijo, que absorveria os alunos das escolas da freguesia e das freguesias vizinhas de Arrouquelas, S. João da Ribeira, Ribeira de S. João, Marmeleira e Azambujeira. Uma escola que também poderá vir a ser ampliada para absorver também alunos do 2º e 3º ciclo do ensino básico.
A maioria dos outros estabelecimentos de ensino do 1º ciclo do concelho encerra, sendo os alunos transferidos para as EB Marinhas do Sal e Fernando Casimiro.
Prevê-se ainda a construção de mais uma escola na cidade, uma EB1 Jardim-de-infância, em local ainda a designar.
Custo aproximado deste cenário: 11.640.000€

Num breve análise dizer apenas o seguinte: não há como não concordar com os cenários. Eles são o resultado de um estudo de desenvolvimento e podem também ser entendidos como forma de pressão política junto da Administração Central, com o objectivo de desbloquear as verbas para a construção da Escola de Alcobertas.
O que eu não posso concordar é que em plena sessão da assembleia municipal os responsáveis do município tenham dito “temos aqui 2 cenários mas isto pode não ser bem assim, pode haver alterações, podemos fundir os 2…”.
Eu deixo a questão: então este não deveria ser o documento que nos diria como ficaria ordenado o parque escolar do concelho? Ou é o documento que nos diz que ninguém sabe o que se quer do parque escolar do concelho?

Temo que a Assembleia Municipal tenha aprovado um “nado-morto”, um documento que nasceu já sem futuro. E no qual se esqueceram de várias coisas, uma delas o cenário C, aquele em que apenas se conta com os projectos economicamente viáveis nos próximos anos.
Durante a sessão o deputado do PSD, Alexandre Canadas, colocou uma questão importante que está omissa nesta “Carta”.
E o reordenamento dos transportes escolares onde está? A Carta fala nesta questão de forma muito ligeira, dizendo apenas que se irão conjugar as carreiras públicas existentes com transportes da própria autarquia!
Alguém se deve ter esquecido de que as crianças precisam de transportes até esses centros educativos e que eles podem não ser compatíveis com os trajectos definidos pela Rodoviária do Tejo, que é uma empresa privada! Será que estes cenários não deveriam ter sido discutidos com essa empresa para que esta apresentasse uma solução para os transportes.
E não esquecer que as novas regras de transportes de crianças obrigam à utilização de cadeirinhas e vigilantes, o que encarece o transporte e pode tornar incompatível o transporte escolar com o transporte comercial.
Será que o municipio e as juntas de freguesia têm os meios humanos, logisticos e financeiros para suprir as falhas do transporte comercial?

O texto já vai longo e ainda há muito mais para dizer. Voltarei seguramente mais tarde com outras vertentes deste tema, nomeadamente a questão da localização da Escola do Sul do Concelho.
Este é um tema do interesse de todos. Dele depende, em boa parte, o futuro do nosso concelho.


Nota: Para um melhor esclarecimento, e para que possam avaliar em consciência a Carta Educativa, será talvez indicado consultarem o documento em questão, que podem encontrar aqui .

Domingo, Junho 18, 2006

O 5º Elemento


É com imenso gosto que anunciamos a chegada de mais um elemento à equipa do Rio da Ponte. A nova blogger chama-se Ana Catarina Santos, é riomaiorense, tem 18 anos e um gosto especial pela escrita.

Neste momento encontra-se particularmente atarefada com os exames de acesso à faculdade.

Logo que termine esta árdua batalha, estamos certos que a Catarina trará a este espaço a sua visão da realidade.

Um olhar muito próprio e politicamente independente.

À Catarina damos as boas-vindas e desejamos boa sorte para a presente fase de exames.

Quarta-feira, Junho 14, 2006

Farto de hipocrisia

Todos os dias, a todas as horas, somos bombardeados com “acontecimentos” de Timor. Confesso que já me cansa, ver um país que fez uma descolonização vergonhosa, andar armado em paladino dos direitos humanos quando não foi capaz de garantir nenhum direito dos seus cidadãos aquando da “descolonização exemplar”. Mais, estes folclores “timorenses” são uma demonstração aviltante da nossa maneira ser cidadão: precisamos sempre de uns pobrezinhos pra mostrar a nossa grandeza d’alma.

Porém, nem com toda esta comiseração lusa, se consegue encobrir a realidade: este povinho tem uma tendência desgraçada para se matarem uns aos outros, geralmente à catanada e não conhece outra maneira de viver para lá do seu espírito guerreiro. Quando os portugueses foram de lá corridos durante a “descolonização exemplar” e já na sequência de confrontos semelhantes, mais não restou aos vizinhos indonésios que “invadir” a metade sobrante da ilhota, se não queriam que a coisa se propagasse à sua parte. E os seus receios eram mais que fundados como agora se comprova.

Um país cujas “forças de segurança” são o principal foco de insegurança, não é um país, é um sítio mal frequentado, como diria Eça. Desde deserções em massa, passando pela distribuição das armas aos seus apaniguados civis, ate ao deslocamento para as montanhas de cem mil pessoas, tudo se tem visto naquele recanto do mundo, que o cheiro a petróleo transforma em notícias importantes.

E foi justamente esse cheirinho que agora provocou mais uma “invasão” de Timor. “Militares e policiais da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal (120 elementos da GNR) encontram-se em Timor-Leste no âmbito de um pedido de apoio das autoridades timorenses” anunciam as parangonas. Ora se é fácil compreender a presença dos outros “invasores”, já a presença dos “invasores portugueses”cheira-me a paternalismo e não passa de uma manifestação hipócrita de novo-riquismo, que não fica a dever nada à embaixada que D. Manuel enviou ao Papa Leão X. Mudam-se os tempos,mas a hipocrisia e o pelintrismo é o de sempre. Pobre país!

Domingo, Junho 11, 2006

Freguesias I – Transferência de Competências

I
Há anos que defendo a reforma do municipalismo e, em particular, do enquadramento das Freguesias. Urge acabar com a redução de muitos Presidentes de Junta à condição de pedintes.

II
Por cá, quando se fala em transferir competências da Câmara para as Freguesias, o Dr. Silvino Sequeira adora dizer (e deixar escrito!!!) que a Lei não o obriga a tal. Mas isso não o torna magnânimo aos nossos olhos!

III
Há uns 11 anos, na Assembleia Municipal, queixando-se dum Ministro ou Director-Geral que tardava em recebê-lo, o Dr. Silvino, numa tirada que na altura ele usava muito, resmungou: “eu fui eleito e ele foi nomeado”!

IV
É curioso que ele ponha tanto calor no seu cargo “de eleição”, sendo depois tão frio com o cargo (também de eleição) dos Presidentes de Junta.
Para que se saiba: a primeira reunião deste mandato entre Silvino Sequeira e as Juntas de Freguesia foi só no final do mês passado!!!
Era importante haver reuniões regulares entre um e outros… embora eu creia que estes até ficam mais bem servidos falando só com Carlos Nazaré e Ana Cristina Silva.

V
Nessa reunião a Câmara comunicou a cada uma das Juntas as competências e verbas que lhes ia transferir.

VI
Do bolo global, eis a distribuição feita por freguesias: Rio Maior 15%, Alcobertas 10%, e 6,25% para cada uma das restantes freguesias.
Perguntas a fazer: apenas 15% para a freguesia que representa metade da população e quase 1/3 da área do Concelho? Qual foi o critério? Per capita não foi, por área também não!
E que dizer do valor igual para 12 freguesias? Ter-se-ão limitado a pegar numa calculadora e a dividir por 12? Parece um critério demasiado simplista, tendo em conta as especificidades de cada junta.
Será S. João igual a Assentiz? Marmeleira igual a Malaqueijo? Fráguas e Asseiceira são iguais?

VII
Mas é óbvio que como resposta ouviríamos o seguinte:
- Ponto 1: não somos obrigados a dar nada, por isso damos o que queremos!
- Ponto 2: estamos em vacas magras, por isso damos o que podemos!

VIII
Eis alguns dados de transferências feitas no 2º semestre de 2005. Admito que a comparação pareça absurda e traga alguma injustiça.
- a Associação dos Trabalhadores da CMRM recebeu 25000€: mais do que vão receber agora 12 das juntas e apenas menos 4000€ do que Alcobertas.
- a União Desportiva de Rio Maior teve um “encaixe” de 45000€, mais do que o somatório do que vão receber Arrouquelas e Fráguas (a 3ª maior em área e a 3ª maior em habitantes).
- e agora, pasmem!, o orçamento previsto para os escassos dias das Jornadas da Juventude de 2006 foi superior ao que agora a Câmara dará à maior Freguesia do Concelho para um ano inteiro...
(de referir que esta farpa de Isaura Morais na Assembleia Municipal ficou sem resposta do vereador responsável pela área da juventude, o mesmo que também não me respondeu quando eu no passado perguntei qual era o critério de subsidiação às associações juvenis de Rio Maior…)

XIX
Na discussão das transferências, as intervenções do PSD foram feitas por Isaura Morais e Luís Deus. Este causou extremo embaraço aos presidentes de junta da área socialista quando os convidou a falar sobre a proposta da Câmara! Pediu-lhes que dissessem o que lhes ia na alma.
Apenas uma presidente de junta do PS falou. Lamentei ouvi-la dizer bem, sabendo que talvez a senhora tivesse preferido barafustar!
Quem não se calou e fez intervenções técnicas e incomodativas foram Isaura Morais (vide post de 27/Maio) e Augusto Figueiredo (Asseiceira).

XX
Perguntarão: mas se as transferências são assim tão más, porque razão o PSD votou a favor? Porque é que as Juntas não rejeitaram as verbas?

Simples: rejeitando-as, os primeiros prejudicados são os fregueses que, justamente, dirão: por causa do orgulho do Presidente da Junta a freguesia ficou sem verbas para estar ao serviço das pessoas!!!

A solução que resta ao PSD é trabalhar muito. Crescer internamente, preparar-se e ser competitivo. E se Rio Maior escolher o PSD para liderar os destinos locais, uma certeza teremos: as Freguesias serão o pilar do crescimento do Concelho!

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Tema Livre


O Rio da Ponte assinala hoje a passagem para o seu terceiro mês de actividade.

Com o permanente objectivo de inovar, lançamos um espaço de tema livre onde os leitores se poderão debruçar sobre assuntos por si escolhidos.

Boa escrita.
(De modo a dar destaque aos textos temáticos, estes serão publicados sob forma de actualização deste post. As opiniões sobre os textos lançados serão publicadas no habitual espaço dos comentários.)


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TEXTO 1
Em primeiro lugar saúdo os 2 meses do Rio da Ponte no “ar” e esta ideia de poderem ser os leitores a lançar temas de debate, embora eu saiba que as pessoas que consultam este blog se interessam mais pelos temas políticos locais, (tal como eu mesmo).

Mas penso que este tema pode trazer uma troca de ideias interessante.

Li o seguinte no DN:
« A ministra da Educação manifestou a intenção de acabar com os trabalhos de casa. (…) É que, defendeu, os trabalhos de casa são sobretudo uma forma de "reprodução das desigualdades sociais". Ou seja, para quem tem pais preparados, com tempo para ajudar ou meios de pagar um ATL, os trabalhos de casa podem ser uma forma de crescimento. O problema são os alunos, cujos pais não têm tempo, meios ou preparação suficiente.
E por isso, "para que a escola seja mais igual", os trabalhos de casa têm que ser transformados em "trabalho individual nas escolas, com apoio dos recursos lá existentes", nomeadamente biblioteca e computadores com ligação à Internet. A ideia é que os alunos possam "progredir sozinhos, mas acompanhados pelos professores. [As escolas seriam assim] locais de "aprendizagem de competências", mas também de "combate à desigualdade social que as mitigam". »

Agora eu pergunto:
- Desde quando é que as escolas servem para combater as desigualdades? Elas servem para ensinar!
- Desde quando os trabalhos de casa passam, necesariamente, pelo apoio dos pais e encarregados de educação? Os pais são um apoio importante para os filhos em tudo na vida, mas nem todos nós precisámos dos pais ou mães para estudar ou ser bons na escola.
- em vez de tentar combater “assimetrias” absurdas, como não haver pais a ajudar nos TPC’s, deviam combater as assimetrias que nos humilham enquanto sociedade e nos matam a alma, que são o facto de tantas crianças irem à escolas com fome e tantas crianças não terem forma de se deslocarem para a escola e fazerem quilómetros a pé.
- Em Sintra, a Câmara fornece refeições quentes aos meninos! E saibam que para muitos é a única refeição quente do dia! Se isto não nos comove, não sei o que nos comoverá!
- isto sem falar nas que nem à escola vão!

E vem a senhora Ministra dizer que vai acabar com um dos pilares da escola, que é o trabalho que cada um faz sozinho, com o seu esforço? Queria chamar um nome feio à senhora!!!
Será que posso, Caro Rio da Ponte?

Quinta-feira, 8 de Junho
Autor: O ATENTO

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TEXTO 2
Há uns dias ouvi na rádio uma intervenção de um elemento do Bloco de Esquerda, (desconfio ter sido a Joana Amaral Dias). As palavras da senhora despertaram-me a vontade de remeter ao Rio da Ponte este texto.

A entrevista era sobre um apoio fiscal do governo às famílias mais numerosas.

Como não podia deixar de ser, esta dirigente do BE é contra! Pessoalmente, não estranho o facto do BE estar contra qualquer medida que seja, já me vou habituando. Tanto que o BE devia alterar o nome para BC – o Bloco do Contra. Esta designação corresponderia melhor às acções e reacções dos seus militantes e/ou apoiantes.

Na opinião de Joana Amaral Dias, o governo teria omitido qualquer referência a possíveis favorecimentos fiscais às “famílias” (palavras dela) homossexuais. Em sua opinião, mais uma vez os governos marginalizavam os gays e lésbicas, excluindo-os da medida.

Quais são as lutas que o BE tem travado? Legalização do casamento ou união de facto entre homossexuais, possibilidade de casais homossexuais adoptarem crianças, legalização de drogas leves… enfim, um sem número de ideias que para eles fazem todo o sentido.

Quando o Bloco é confrontado com as questões, que a meu ver, parecem óbvias: o facto das ligações homossexuais não poderem nunca ser vistas como normais, mas sempre como ligações especiais, fora do comum, ou mesmo contra-natura, a resposta é taxativa – Portugal é um país retrógrado, de mentalidades simiescas, que não consegue adaptar-se à mudança etc.

Não tendo uma posição radical em relação à homossexualidade, sou totalmente contra a ideia de que o relacionamento homossexual será a situação mais normal do mundo… será possível não perceberem que não é? Se é de “básicos” que apelidam os que pensam como eu, é de coisas básicas que falarei. A continuidade das espécies é assegurada pela relação entre um macho e uma fêmea; não é grande novidade pois não? Nunca ouvi dizer que a junção de dois elementos do mesmo sexo gerassem uma vida … mas isto sou eu dentro da minha ignorância…

Se consideram que os casais homossexuais têm realmente direito a todas as regalias que os casais heterossexuais, porque têm exactamente as mesmas capacidades, e porque podem proporcionar tudo aquilo, que as famílias ditas normais podem…então eu tenho um desafio, se querem ter uma criança, se acham que essas famílias têm o direito de educar alguém, que provavelmente pensará que tem duas mães ou dois pais, se consideram que são assim tão capazes…se querem um filho... FAÇAM-NO!!! Complicado não?

Respeito a homossexualidade, mas por favor! Da maneira que colocam as questões, até parece que querem transmitir a ideia de que ser heterossexual é um erro tremendo!

Tenho para mim que os jovens militantes do Bloco defendem a legalização das drogas leves por um só motivo: é que não dá jeito nenhum “o pessoal ter que se refundir para fazer uma ganza”… Este tema será alvo das mais diferentes abordagens. Não sou a favor nem radicalmente contra esta legalização. Sou é contra o pseudo-intelectualismo desta juventude que se diz de esquerda, que tudo desculpa e que tudo permite.

Na minha opinião, pode definir-se um típico jovem bloquista por uma série de elementos: cabelo e barba grandes e pouco cuidados, roupa colorida, bornal tipo exército, um lenço a fazer lembrar um sheik das arábias, consumidores regulares de drogas leves, t-shirt com o grande Che estampado, o seguimento de um ideal “rasta” que não fazem a mínima ideia do que seja e, claro está, seguidores cegos daquilo que o Francisco se lembra de dizer naquele dia.
Poderá o leitor dizer “é preciso ter calma e perceber que os ideais defendidos pelo Bloco de Esquerda, não podem ser apenas encarados pelas atitudes e vazio de mente dos seus apoiantes…”. Para demonstrar o meu respeito por qualquer opinião do tipo acima referido, respondo-lhe com um simples e convicto: “AI NÃO?!?!?”

É só a minha opinião, e o leitor irá dar-lhe a importância que pensa que ela merece, muita ou pouca...!

Quinta-feira, 8 de Junho
Autor: LSD

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TEXTO 3
Quero colaborar com esta boa iniciativa do “tema Livre” para dizer que há gente com ideias numa certa “casa”. Infelizmente, porque não papa “grups” nem entra em jogos, é emprateleirada…

Mas vamos à ideia:
Venho falar sobre os Otários, ou melhor, os senhores que acreditam que o Aeroporto da Ota é a cura para todos os problemas e carências que o Dr. Silvino Sequeira não resolveu em tanto anos.
É que estamos há mais de 20 anos com o mesmo Presidente da Câmara (a JS chegou um dia a defender a limitação de mandatos, mas foram dirigentes que o PS calou… Uma das vantagens da JS sobre a JSD é que na JSD os maiores de idade são obrigados a inscreverem-se no PSD. Na JS não há essa obrigação, mas nem por isso somos mais livres… enfim, desabafos).

E nestes 20 anos muita coisa boa foi feita, muito avanço teve lugar, um PS refrescado roubou o lugar a um PSD cheio de vícios, mais interessado em divertimentos do que em manter-se no poder à conta de trabalho árduo!
Silvino Sequeira “papou” o PSD e meteu-o num saco! Foi o melhor Presidente da Câmara em Democracia, mas foi também aquele que teve mais dinheiros para trabalhar, teve mais estabilidade, teve a Europa dos apoios e teve um Cavaco Silva a dar modernidade ao País (posso ser JS mas não sou cego).

É verdade que podia ter tido tudo isso e, mesmo assim, podia o futuro ter-lhe passado ao lado! Ou seja, foi à conta de muito trabalho e boas ideias que fez 2 EXCELENTES bons mandatos!
Em minha casa não havia nem há filiação partidária, mas passaram a ser todos Silvinistas! Parecia que se tinha criado um Partido novo em Rio Maior, que concorria apenas às autárquicas (porque a influência do PS era nula nas outras eleições, por muito que déssemos nas campanhas).

Porém, hoje TODOS vemos que Silvino Sequeira foi uma espécie de Fontes Pereira de Melo. O “fontismo” é aquela teoria de fazer estradas, pontes, infraestruturas básicas, desenvolver as vias de comunicação e transportes, etc. Ou seja, preparar o País para ele ser competitivo e desenvolver-se.
Mas o fontismo por si só não basta! Não alimenta ninguém! Depois do fontismo há que criar a indústria, o emprego, o desenvolvimento. Atrair gente com visão e dinheiro para investir.
O fontismo sem as cenas dos próximos capítulos é o mesmo que adubar a terra mas não plantar a semente!

E Silvino Sequeira, em vez de plantar a semente, “implantou a sua semente”! (parece um trocadilho da tal Alice das piadas, mas a verdade é essa).
Quando digo “implantou a sua semente digo que, a partir do segundo mandato, só teve olhos para duas coisas: a paixão pelo desporto e a promoção do filho.

E agora, é aqui que volto à Ota, pensa recuperar o tempo perdido com um investimento que resulta do Estado.
Pergunto: não será um crescimento artificial? Não será colher louros pelas decisões dos outros?

Cumprimentos

Quinta-feira, 8 de Junho
Autor: Um JS desalentado

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TEXTO 4
PP – Um Iceberg à deriva

Eu gostava de poder dizer que o PP tem pessoas de grande valia, mas a verdade é que só tem uma: Dra. Júlia Figueiredo. Ela tem a capacidade de pensar e reflectir sobre Rio Maior como muito poucos têm. Tanto no PS como no PSD.
Porém, há coisas que não a ajudam: não emana simpatia pessoal, não tem carisma eleitoral, está rodeada de pessoas que servem apenas para encher, não tem uma equipa de trabalho que a ajude nem um grupo estratégico que promova o PP. (espero não ser vetado no blog por ser tão frontal).
O PP sofre também com a bi-polarização e a tendência para o PSD.

Mas, se o PP é tão pequeno, porque razão o PSD queria tanto manter a coligação para a Câmara? Será que tinha razão António Rola quando a quebrou? Os votos do PP parecem dar razão a António Rola, mas são números enganadores. É que o PP foi, segundo o próprio PP afirmou, desfeiteado pelo candidato do PSD, pois este manteve-os em “banho-maria” (que é como quem diz, a ansiar por um sim ou não à coligação), quando era sabido que António Rola não a queria.

Queixa-se o PP que toda a sua campanha foi feita à pressa! Tiveram de arranjar uma pilha de candidatos à pressa, tiveram de pedir por favor a outros para irem nas listas, as verbas de campanha eram poucas…
Daí o resultado mau que tiveram, daí a fúria contra António Rola.

Penso eu que o rompimento foi má estratégia! A dinâmica gerada pelos dois partidos traria uma mais-valia superior à mera soma dos votos que cada um obteve isoladamente.

Neste momento, o PP é um iceberg à deriva! E só tem duas opções: ou tenta reatar a coligação, agora que António Rola perdeu todo o ascendente que podia ter tido lá dentro, ou tenta ser o Bloco de Esquerda de Rio Maior!

Sexta-feira, 9 de Junho
Autor: Alberto

Sábado, Junho 03, 2006

O Zé toca, o Manel baila c’a mãe e o Chico vai pra porta ver quem vem.

Na década de sessenta, no tempo em que os namoros eram decididos nos bailaricos populares e muito do futuro dos mancebos se jogava na arte de dançar a valsa, a marcha ou o corridinho, as famílias preocupavam-se que os seus filhos se aprimorassem naquela arte de sedução, esperando por essa via proporcionar-lhe um bom casamento.

Conta-se por aqui uma história, cuja veracidade é atestada pelos seus contemporâneos, de uma família cujos membros eram verdadeiros “pés de chumbo”. A mãe, preocupada com o futuro dos mancebos e aproveitando o facto de um deles ter jeito pra o acordeão, teve a “brilhante” ideia de, no recato familiar, ensinar a filharada a dançar. E lá armou a sala de jeito a começar a tarefa.

E de batuta na mão começa a dar ordens: “o Zé toca, o Manel baila com a mãe e Chico vai pra porta ver quem vem, não venha a vizinha “Maria” que é muito regateira”. Não sei se a vivaça senhora encaminhou os filhos na vida através da dança, mas a verdade é que se esforçou e não consta que tivesse negado esse esforço. Foi, a crer nos resultados, um esforço inglório.
Ocorreu-me esta história a propósito da reacção do Presidente da câmara às palavras certas e verdadeiras do Presidente do PSD, Luís Marques Mendes, quando este afirmou. “Não estamos numa monarquia mas numa república”, a propósito do conhecimento que teve da situação de nepotismo descarado que se vive na autarquia riomaiorense. Atentando nas suas palavras, das duas umas: ou Silvino Sequeira acha que somos burros, ou então cegos, porque a realidade ele não pode esconder. E a realidade é esta:
- O pai (Silvino) é Presidente da Câmara
- O filho (João) é Vereador
- A prima (Ana Cristina) é também Vereadora
- A filha mais nova (Inês) é Deputada Municipal em substituição
- Um genro (Daniel, marido da Joana) é Deputado Municipal
- O outro genro (marido da Inês) é responsável pelo Pavilhão Multiusos
-A esposa (Elsa) e a filha (Inês) dão aulas da Escola Profissional, instituição da dependência da Câmara Municipal.

Isto só para dar uma pincelada rápida sobre situações que são facilmente verificáveis. Porventura se fizéssemos uma investigação mais apurada, chegaríamos a resultados ainda mais surpreendentes.

Comparando este “baile mandado” com o da ancestral Sra., não podemos deixar de fazer analogias interessantes.

- Os meios ao dispor da Sra. comparados com estoutros, eram ínfimos e talvez por isso mesmo os seus filhos nunca almejassem grandes proveitos.
- A Sra. ainda se preocupava em evitar olhares denunciadores da dança. Estoutro baile é feito no maior descaramento e impunidade, e quando alguém alerta para a marosca, aqui D’el-rei, que estão contra o progresso de Rio Maior.
-Finalmente, e aí a analogia é total, tanto uns como outros eram/são verdadeiros “pés de chumbo”. Veja-se o exemplo do João (vereador) em plenas tasquinhas a arrastar os pés perante os olhares incrédulos do país. Do país, disse bem, porque o pai deve achá-lo um óptimo bailarino tantos palcos lhe proporciona!!!

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Marques Mendes em Rio Maior (actualização)


Marques Mendes esteve ontem em Rio Maior, em jantar no Complexo Turístico Gato Preto com cerca de 200 militantes do PSD local.

Um jantar que serviu para Isaura Morais anunciar a adesão de 101 novos militantes na concelhia de Rio Maior. Um número significativo, tendo em conta que a concelhia do PSD teria, até agora, cerca de 90 militantes no activo.

Mas a noite ficaria marcada por um outro facto político. No seu discurso Marques Mendes criticou ainda a gestão camarária do PS em Rio Maior, onde o filho do presidente, João Sequeira, é vereador e é um dos nomes apontados para a sucessão.

«Não estamos numa monarquia mas numa república», disse Marques Mendes, criticando a actuação do executivo socialista local, liderado por Silvino Sequeira.

Melhor que a transcrição do que foi dito será ouvir as palavras do próprio.

E esta foi a resposta de Silvino Sequeira, publicada na edição deste Sábado do diário "Correio da Manhã", rejeitando todas as acusções de nepotismo do líder do PSD.
A noticia é complementada pela LUSA, com declarações do próprio."Tenho sido eleito há seis mandatos" e "o meu filho está no pleno uso dos seus direitos democráticos", afirmou Silvino Sequeira, lamentando as declarações de Marques Mendes, durante um jantar social-democrata na quinta-feira.
Contudo, "tenho que compreender que o senhor Marques Mendes diz aquilo que as pessoas cá da terra do PSD lhe dizem para dizer" mas "não tenho nem a minha mulher nem as minhas filhas aqui a trabalhar", afirmou Silvino Sequeira, considerando que o líder social-democrata "está a passar um atestado de estupidez" aos munícipes.

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Uma sociedade cobarde


Há dias, assisti no nosso concelho e em plena via pública, mais concretamente no lugar de Pé da Serra, a algo de que todos falamos, porque falar “fica bem” e mostra que nos interessamos pelo problema, a um caso de extrema violência sobre uma criança.

Um casal, em plena via publica disputava a “posse” de uma criança por entre os gritos lancinantes da mesma, cada um puxando pelo seu braço e as pessoas à janela a assistirem à cena, como se de um espectáculo de rua se tratasse. Mesmo os condutores que passavam, apenas afrouxavam as viaturas, prosseguindo de imediato a sua rotina. Eu era um dos passantes que nada fez e apenas se demorou mais um pouco. O que para a criança eram marcas de ferro e fogo para toda uma vida, para nós foram apenas momentos incómodos.

Este é o retrato da sociedade que todos os dias vem dizer em grandes parangonas “não existe nada no mundo que me choque, entristeça e revolte mais do que saber que há crianças vítimas de maus-tratos”. Uma sociedade cobarde que não tem capacidade sequer pra cuidar do seu futuro, uma sociedade que vive presa das teias burocráticas que estiolam qualquer esforço ou boa vontade pra mudar as coisas, uma sociedade de que nos precisamos de libertar!

Fico sempre a imaginar o que aconteceria se alguém tivesse intervido em tão desigual luta, nesta sociedade que prefere o “ouvi dizer” a casos concretos, as palavras gordas à resolução dos problemas. O que teria conseguido? Pouca coisa decerto, umas inimizades com os vizinhos ou na melhor das hipóteses uma retirada temporária da criança aos pais, se é que aquelas criaturas são dignos de tal nome.

É por isso que os lugares comuns acerca de crianças me enojam. Ouvir coisas do tipo “ser mãe é uma bênção”; “sou o pai mais feliz do mundo”; “este filho salvou o nosso casamento”; dão-me vómitos. Será que ninguém tem coragem para salvar os filhos destes “pais”? Será que as “instituições” apenas se criaram para empregar mais uns amigalhaços do poder vigente e que, denodadamente, preparam relatórios e fogem do trabalho de campo, como o diabo da cruz?

Casais Monizes


O Rio da Ponte esteve ontem em Casais Monizes.

Eram cerca das 22.30h quando eu, o Vasco Tavares e um amigo deste blog, Alexandre Fonseca, chegámos à Freguesia de Alcobertas e demos de frente com uma obra de acção, esforço e vontade populares: o alargamento de uma estrada que Casais Monizes já reivindica há muito tempo.

Não foram de modas: as pessoas pegaram nelas, uns cederam o terreno nas bermas, outros cederam maquinaria, outros ainda disponibilizam os “comes e bebes” e a obra está a avançar.

Até o Presidente da Junta de Freguesia não teve outro remédio senão fazer jus ao provérbio: se não podes vencê-los, junta-te a eles.

No post anterior, o Edgard falava em iniciativa privada. Em Casais Monizes existe mais que iniciativa privada: há iniciativa popular!