Quarta-feira, Novembro 01, 2006

VIVER CULTURA NO CONCELHO - II


A cidade e o Concelho possuem já razoáveis espaços culturais: Biblioteca, Casa de D.Miguel-Casa da Cultura e a novel Casa da Cultura de Rio Maior-Cineteatro(CCRM).
Faltam, urgentes, Arquivo e Museu Municipal, e mais infra-estruturas em algumas freguesias.
O presidente da Câmara afirmou, em 2000, que a fase final do anterior mandato seria dedicado à Cultura. Está a cumprir, mas a trilhar uma concepção pessoal de cultura, de públicos e de espaços. Qualquer autarca tem o dever de proporcionar, implementar e minimamente entender Cultura.

Obviamente não conheço (nem vou conhecer nos próximos tempos) a novel CCRM. Vejo, no site camarário, uma fotografia do auditório e leio banal texto, o mesmíssimo(!) colocado em inícios de Outubro(!!). Parca informação e ausente programação. Numa sociedade dinâmica, nenhum espaço com idênticos objectivos está publicamente "silenciado" nas vésperas da inauguração, na eminência dum momento que deve catapultar diversificadas evoluções na comunidade. Presumo que o edifício esteja dotado com gabinetes para os serviços culturais do município, áreas de ensaio, parafernálias, zona expositiva, biblioteca, e tanto-tanto mais, inerente a uma Casa da Cultura para o Séc. XXI.

Também suponho o director e programador já contratados e a pensar, laborar, desde há meses, com escolhidos grupos de trabalho. Se tal não acontece, em consonância com o pelouro e o presidente, é grave e sintomático. Mais parece ter sido criado um caricato e irresponsável tabu ou surpresa sobre os nomes escolhidos. Seria trágica qualquer confusão entre Cultura e animação.

Quero crer igualmente, que esse grupo possua já detalhados e cientificados dados recolhidos nas freguesias e na cidade, para operacionalizar uma programação imediata, adequada, consistente e convergente com as necessidades, disponibilidades e apetências das populações. Que conheçam quem, pela primeira ou segunda vez vai ouvir ou ver algo, tem que voltar por vontade própria e não pode ficar indiferente à próxima peça de teatro, ao concerto, ao filme, à exposição. Que o director e programador saibam "interpretar" os eventos em localidades limítrofes e...no país.
Hoje, a concepção geral, os objectivos duma Casa da Cultura, não devem ser idênticos e como módulo operativo, às míticas Maisons de la Culture de A. Malraux. Os media, as pessoas, as sociedades, as criatividades, os públicos, são substancialmente diferentes, mais activos, solicitados, e detentores dum desejo-outro em tempo acelerado....Estamos, creio, no início duma época que privilegiará a projecção de gerações. E essas pessoas, para singrarem, têm que coordenar conhecimento com inovação, empreendimento com territórios sociais, comerciais e culturais.

Suponho que a Câmara, ao construir a CCRM, teve avassalador momento-noção duma realidade para a qual nunca esteve preparada: receber em bruto um espaço exemplarmente apetrechado, que não vai ser fácil vivificar nem gerir. Durante décadas faltou aprendizagem, rotina, conhecimento, se quisermos, à-vontade para "estas matérias", no número 1 da Praça da República. E estranha-se que até hoje (31/10/2006) não tenha surgido uma entrevista de fundo e entusiasmante da vereadora nem do presidente para apresentar e colocar objectivos da CCRM. É que não estamos perante uma inauguração qualquer...

Mas o problema fulcral e responsabilidade maior da autarquia, esse tal momento decisivo para a cidade e para o Concelho, será, a partir da Biblioteca, da Casa de D. Miguel e sobretudo da CCRM, segurar as populações aos seus habitats, mantê-las felizes, participativas e expectantes, senti-las bem, harmonizar-lhes as vidas. Da criança ao idoso.
Especifico o problema-chave: motivar a juventude para viver e trabalhar entre os seus, nas suas localidades. Doravante, não se aceitarão desculpas do executivo para esporádicas e sentidas desertificações motivadas porque..."nada acontece". Proporcionem-lhes Cultura, boa, excelente e diversificada, que o Concelho progredirá!

O futuro activo, promissor, rentável e não vacilante da CCRM terá de colocar em prática "isso mesmo"! E escuso-me interferir publicamente, porque por certo o seu director, vereação e quiçá o presidente sabem do que estou a falar. Como, quando e com "quê". Não lhe bastará uma programação.

Senhores autarcas, amigos conterrâneos, creiam que só com Educação e Cultura as sociedades podem resolver crises, entender-se, reconhecer-se, cortar cerce corrupções, rejeitar censuras, perturbar e destituir déspotas, engrandecer-se, distinguir-se. E evoluir. Estão, todos, de parabéns com a Casa da Cultura! Usufruam-na e sejam exigentes, ela é vossa! O próximo 06 de Novembro tem já uma outra e cristalina "luz" que, deseja-se, os iluminará e fará mais felizes.
Votos para memorável e festivo Feriado Municipal.

Lx.06Out31
Obs
: no site da Câmara não há programação do Feriado. Sete dias antes...

11 Comments:

At Quarta-feira, 01 Novembro, 2006, Anonymous pronto said...

Prezado manoel barbosa
agradeço sinceramente as palavras do seu texto.
decerto já foram lidas pelos responsáveis da autarquia e ... como sempre, nada acontece.
estamos em rio maior !!!
o que será preciso dizer/fazer para acordar/interessar os eleitos ?
Que grande chatice rmr ter uma casa da cultura... agora são é a estruturação de um plano de trabalho ... mas é preciso tanta coisa ?
e se entregássemos a casa da cultura à orquestra tipica para os seus ensaios e espectáculos ? e se, de vez em quando, as associações e os bombeiros pudessem fazer ali a sua festa de natal e ou de recolha de fundos ?
isso é que era uma verdadeira casa da cultura ao serviços dos interesses dos riomaiorenses!!
teatro, bailado, música de qualidade ? para quê gastar dinheiro em produções caras se as pessoas numa hora chegam a lisboa e tem lá coisas de muita qualidade ???
só pelo texto do manoel barbosa, ss e vereadors já maldizem o tempo quem que fizerama casa da cultura....

grande texto !!!
obrigado manoel barbosa

 
At Quinta-feira, 02 Novembro, 2006, Blogger Vasco Tavares said...

Eu deixava aqui uma sugestão aps responsáveis municipais pela cultura.
Aproveitar as sinergias geradas pela ArteEmRede – Teatros Associados, uma associação cultural privada sem fins lucrativos que tem a sua sede em Santarém, no Teatro Sá da Bandeira, e cuja constituição foi celebrada no dia 4 de Janeiro de 2005.

Já aderiram ao projecto 16 autarquias das 51 que integram a região, representando 22 salas de espectáculos: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Almeirim, Barreiro, Cartaxo, Entroncamento, Moita, Montijo, Nazaré, Palmela, Santarém, Sintra, Sobral de Monte Agraço e Torres Novas.

O objectivo desta associação é descentralizar a cultura permitindo a apresentação, a mais baixos custos, de um conjunto anual de espectáculos de qualidade, interligação entre teatros, formação de equipas técnicas e promoção, em conjunto, das actividades dos seus membros.

Fica a ideia, haja quem a aproveite!

 
At Quinta-feira, 02 Novembro, 2006, Anonymous pronto said...

caro vasco,
sei o que é a artemrede. No momento inicial seria uma estrutura interessante para rio maior, mas a nossa autarquia foi contactada e não se quis envolver devido aos custos(por outro lado a autarquia não está interessada em espectáculos de qualidade porque este criam massa cinzenta e capacidade crítica e isto é uma cois abomínável em rio maior... bolas ... algumas vez autarquia ia pagar para pôr as pessoas a pensar ?).
digo no momento inicial na fase de arranque, porque depois era preciso criar produção própria e que circulasse pela rede, diminuindo os custos e exportando cultura local.
Não vejo, por exemplo, a estrutura pesada que é a orquestra típica a produzir um espectáculo de musica de base tradicional que fosse vendável para os outros teatros da rede.
mas isto implica parcerias, implica equipa de trabalho contratualizadas e competentes; implica dinheiro (...e o que há já corre todo para o saco fundo do desporto!!!).
Ou sejq rmr nunca se vai envolver porque as nossas testas são demasiado estreitas para pensar tão à frente.
daqui por 15 anos, talvez ...
ah, aqui está mais uma vantagem da extinção do concelho de rio maior. começávamos a ter acesso à CULTURA !!!

 
At Sexta-feira, 03 Novembro, 2006, Blogger Manoel Barbosa said...

Li, no site da Câmara, que o Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional vai inaugurar "o Parqueamento Central, seguindo-se a Casa da Cultura".

Atónito, reli e estava certo. Sendo a inauguração da Casa da Cultura o facto mais importante no Feriado Municipal e obra que poderá ser decisiva para um outro desenvolvimento do Concelho, estranha-se que não seja a Ministra da Cultura ou o Secretário de Estado da Cultura a presidir ao acto.Foram convidados ? Convidados a tempo ? Coincidiram tantos afazeres dos dois governantes que os impediram de fazer uma viagem de sessenta minutos, partindo de Lisboa às 20h00 e a uma segunda-feira ?

Mário Vieira de Carvalho(SEC) foi convidado?
Quem vai a Rio Maior (por convite camarário) representar o Ministério ?
Vai algum director-geral ou chefe de gabinete ? Por acaso, os senhores autarcas imaginam a importância que seria "sinalizar", ao vivo, à MC ou ao SEC o empreendimento ? Também, não seriam influentes, marcantes, relações estabelecidas aquando da inauguração ?
Que podem deduzir da CCRM quando proximamente receberem no Palácio da Ajuda dossiers contendo propostas para serem apoiadas ?

Na cerimónia de abertura, o senhor presidente vai discursar/dissertar sobre Cultura e a importância da CCRM para... o SE do Desenvolvimento Regional!
Extraordinário...

 
At Domingo, 05 Novembro, 2006, Anonymous Pedro Pinheiro said...

Caro Sr. Manoel Barbosa,

O que é mais extraordinário (ou talvez não)neste Concelho é poucos se incomodarem com o muito de errado a que vamos diariamente assistindo. A apatia, o comodismo e o receio estão a apoderar-se de bem mais de metade da população riomaiorense.

Haja quem os desperte rapidamente!!!

Pedro Pinheiro

 
At Domingo, 05 Novembro, 2006, Anonymous pronto said...

O descaramento com que a cmrm anuncia a abertura do cine-teatro com a actuação da tuna da escola superior de desporto e da orquestra típica é prenúncio do que vai ser a prrogramação do cine teatro.
um cine-teatro com 200 lugares, anunciado como equipamento tipificado para capital de distrito, que abre sem uma programação ???....
isto só em rmr, onde como diz pedro pinheiro, temos a massa crítica que temos !!!
podemos continuar a procurar u usufruto de espectáculos de qualidade nos concelhos limitrofes (cartaxo, santarém, alcobaça, alcanena, etc).
Até na benedita onde existe um auditório de qualidade com 400 lugares, forrado a materiais nobres (madeira)e que foi inaugurado há dois anos com a presença do sec. est da cultura e do presidente da assembleia da republica. neste caso comprar a vila da benedita à cidade de rio maior não é pura coincidência.

dizer tb. que o manoel barbosa não deve estar tão admirado com o executivo porque sabe muito o que lhe fizeram há 6-8 anos atrás. silvino sequeira usou-o como uma bandeira e quando v. exa. começou a querer trabalhar, puxaram-lhe o tapete.
tb. li o seu texto no região e lamento que se congratule com a estatutária recentre de rio maior. a memória e a identidade não se preserve apenas por um objecto metálico quando a identidade que é representada/constrúida à volta das marinhas do sal e da mina de rmr devia ser muito mais que uma estátua.
é fácil encomendar uma estátua e já está.
é muito mais dificil olhar para o património "mina de lenhite" e estruturar uma ideia para memória futura. quanto às marinhas, nem cinquenta estátuas de salineiros apagam o triste papel da cmrm na revitalização das marinhas. aliás, a concepção de cultura/recuperação/revitalização está demonstrada pelo mamarracho que a cmrm mandou fazer nas marinhas e a que chama posto de turismo.

tb. vamos ter outra obra de fachada: a reabilitação das entradas na cidade. no vazio das ideias arranjamos cortinas de fumo para que tudo pareça bem. basta ver como estão as ruas da nossa cidade, como está ordando o espaço urbano para perceber que não há fio condutor, não há estratégia !!!
e o mais grave é que, como diz pedro pinheiro não há quem faça despertar!!
bem pode clamar paulo colaço com os números do seu blog ! aqui, não fazemos mossa a ninguém !
Arrisquem !!!
Acordem !!!

 
At Segunda-feira, 06 Novembro, 2006, Blogger Alberto said...

Os caros Pedro Pinheiro e Pronto disseram duas coisas com as quais nao concordo:
em Rio Maior o medo instalou-se e com este blog não se faz mossa!

acho que o medo em rio maior é apenas os que estão ligados ao poder, porque vêm que nao se sustentam por muito mais tempo.
na nossa terra a opiniao é cada vez maior, mas cada vez mais gente a levantar a voz.

basta os empurrões nas alturas certas. axo que essas alturas ainda nao chegaram, mas quando chegarem...

 
At Terça-feira, 07 Novembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

Como falar de Cultura numa terra onde até as mais pequenas e mais simples realizações revelam uma profunda inépcia.
Exemplo característico do burgessismo intelectual de há muito reinante é a intervenção recente na estátua do Dr. Francisco Barbosa, no Parque. Após anos de protesto do "Bilhete Postal" do Região sobre o desaparecimento das letras da inscrição comemorativa, a Câmara numa acção de profundo terceiro mundismo "martela" uma lápide sobre a obra de arte ao invés de repor as letras ou em último recurso, para evitar o vandalismo, gravá-las no próprio pedestal.
Por cá caçam-se moscas com balas de canhão...

 
At Sexta-feira, 10 Novembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

Meus caros Senhores
Que grande chatice ter uma casa da cultura...
É uma obra se for posta ao serviço dos reimairenses tera muita interesse, porque não fazer teatro em Rio maior.
Já vi que os meus companheiros so sabem fazer oposição do bota a bacho, vomos lá ganhar creablidade.

 
At Segunda-feira, 13 Novembro, 2006, Blogger canine said...

Caro Pronto não percebo a frase inicial do seu ultimo comentário, descaramento??? mas afinal somos "bairristas" ou o pessoal tá aqui a fazer lutas pessoais contra o presidente??? então acha ridiculo fazer a abertura da Casa da Cultura com as associações do concelho, o senhor queria o quê?? uma abertura com a sinfónica de Londres...
Lá se volta a falar dos concelhos vizinhos, sim senhor Alcobaça e Santarém tem bons espectáculos, uma boa programação, mas são os únicos... a Benedita tem sim senhor um magnífico Centro Cultiral, mas o pó tb aperta lá por aqueles lados, pois os grandes espectáculos ficam-se pela sede de concelho, só no ultimo mês é que houve uma apresentação teatral e foi pelo grupo da Benedita...
Digam mal só daqui a 6 meses, por agora à que esperar...
saudações culturais

 
At Segunda-feira, 13 Novembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

Cultura em Rio Maior? digam-me por favor onde a vou encontrar, acho que é mais facil achar uma agulha no palheiro! Rio Maior esta Cidade tão pacata, que me faz cada vez mais ter saudades do Rio Maior de antigamente, é verdade que não tinhamos a zona desportiva que temos hoje, mas praticavamos desporto brincando na rua, não tinhamos Casa Senhorial para ver exposições hoje temos Casa Senhorial mas não vamos ver as Exposições, tinhamos um cinema velho a cair aos bocados, mas para nós ir ao cinema era uma festa, hoje temos um cinema abandonado e um cine-teatro que certamente não terá melhor sorte. Tinhamos espaços verdes onde corriamos e brincavamos hoje temos betão atrás de betão que são elevados em qualquer buraco! Rio Maior já foi uma bela Vila, hoje em dia é uma Cidade triste, cinzenta. A cultura... essa é aos poucos arrancada de dentro de nós porque chego á conclusão que a obra em Rio Maior quando nasce....não nasce para todos.

 

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