Quarta-feira, Novembro 29, 2006

Noite em Rio Maior


Conheço não muito bem, porque residente “fora”, o ambiente social nocturno em Rio Maior. Mas o suficiente para emitir fundamentada opinião.

Muitas gerações habitam a cidade: idosos (e reformados), adultos, jovens e crianças.
Estratos sociais movimentam (e seleccionam) convivências: ricos, menos abastados, “remediados” e pobres. E, por circunstâncias várias, alguns emergentes a todas estas condições e…condicionantes.

Naturais, temporariamente residentes ou fixados por opção, “conhecem-se” e convergem para…“guetos”. Só episodicamente fortalecem relações.
Diversificados graus de cultura escolhem (e rareiam) aproximações.
Profissões diversas e estudantes, muitos, vivificam o dia e “desaparecem” na noite.

Rio Maior é já um pouco cosmopolita. Não deve menosprezar esse status. Tem que entender e adaptar-se a novas linguagens, inusitados comportamentos, “descolagens” sociais, rupturas estruturais, mutações geracionais, evoluções e estagnações económico-financeiras, competitivos protagonistas.
A sessenta minutos da capital do país, e provavelmente com (algumas) mais movimentações sociais e comerciais após o novo aeroporto na Ota, deve hoje assegurar e estimular presenças dos seus naturais para, sem constrangimentos, sem receios de competição nem desconfianças, interagirem e receberem voláteis presenças, díspares negócios, inesperados residentes.

Obviamente, qualquer sociedade minimamente desenvolvida possui dinâmicas sociais e culturais regulares e peculiares. E é a partir dessa “normalidade” que se criam estruturas para activas participações numa programação inesperada, (a)normal!... Também, nocturna.

Alguns autarcas profissionais desde os anos 1990 –nada contra, se competentes-- e já com tempo suficiente para entenderem a população, ainda não projectaram iniciativas, accionaram revitalizações, nem perceberam que a Cultura gera receitas também para o comércio. Atrai “forasteiros”, publicita o local. Não se deve permitir esse evidente laxismo.

Por outras palavras: é urgente que a Câmara proporcione aos cidadãos regular bem-estar nocturno, para além de alguns eventos nas Tasquinhas, Noites de Verão, FRIMOR, Feriado Municipal. Com acontecimentos de rua, colóquios, sessões sobre literatura, festivais, ciclos, conferências, ou concertos. Etc, etc.

Não custa muitos milhares de euros/ano: basta ter conhecimentos, talento, criteriosa organização. E sobretudo, vontade. Muito mais caro e irreversivelmente trágico ficará o futuro, se as pessoas não se sentirem bem e procurarem noutras localidades (vizinhas ou distantes) mais e bom lazer, outros e excelentes momentos culturais, recreativos.

Com dois pavilhões, uma biblioteca, uma casa de cultura, um jardim, duas praças, um estádio, uma avenida central, a Câmara não esteve interessada em abrir caminhos para novas relações nocturnas entre as pessoas. Hoje, com mais a novel Casa da Cultura - Cineteatro, não terá, no futuro próximo, desculpas para tanta indiferença.

Aos jovens e não só, resta-lhes aos fins-de-semana exibições de dj’s (alguns muito bons), festas temáticas, raros concertos em bares, discotecas e…associações recreativas e culturais nas freguesias. Como se sabe, não há na cidade uma associação cultural pujante, interessada na contemporaneidade das artes visuais, literárias e sonoras. E ainda hoje, há quem rejubile com os desaparecimentos da A. Cultura Jovem e da Atrium….

Para os mais idosos, aos fins-de-semana e por iniciativa da edilidade, nada, ou pouco mais do que nada, lhes é facultado. Jovens e idosos, se sem posses ou iniciativa pessoal, estão confinados a um “deserto” vivencial progressivo e aniquilante.

Rio Maior “nocturna” durante a semana é uma localidade confrangedora, desmotivante, “só”. Às sextas e sábados idem, se não entrarmos num bar ou numa discoteca.

A Cultura, no caso a Cultura nocturna, só “morde” quem fossilizou no tempo e não quer que os seus concidadãos progridam, conheçam, confraternizem.

“Morde” quem ainda pensa que a noite é propícia aos “pecados, desvarios, indecências”. E nela se organizam conluios contra o “sistema” vigente.

Têm medo do “papão”-mudança/s…evolutiva/s. Que vão acontecendo! Apesar – e por causa – “de”.

4 Comments:

At Quarta-feira, 29 Novembro, 2006, Anonymous Anónimo said...

Este senhor Manoel é mesmo um intelectual, mas escreve, escreve e diz pouco. Os seus textos podem ser bons para ler na casa de banho, mas infelizmente para comentar são uma "seca". Que me desculpe este nosso vulto da pintura, mas talvez seja de facto melhor a pintar.

 
At Quinta-feira, 30 Novembro, 2006, Blogger perola&granito said...

bonita foto

 
At Sexta-feira, 01 Dezembro, 2006, Anonymous Pedro Pinheiro said...

Quando os posts escasseiam é porque o "blog está a morrer", mas se são colocados bons posts, como este, que quando tocam em pontos fulcrais, surgem os anónimos a dizer que não prestam. Ainda bem que existe democracia neste blog e todos os comentários são colocados. Será assim em todas as instituições/organizações onde a CMRM tem presença (leia-se, controlo)?

Pedro Pinheiro

 
At Domingo, 10 Dezembro, 2006, Blogger Paulo Para Todas as Obras said...

Sr. Manoel, eu, conjuntamente com um grupo de amigos, dos quais se inclui o proprietário do bar inabar, fartos do marasmo em rio maior, estamos a planear uma série de concertos em rio maior. O primeiro é já no dia 16 de dezembro no inabar, com a banda de coimbra d3ö. (mais info ver: http://in-a-bar.blogspot.com)

Desde já convido-o a aparecer, assim como todos os escritores e leitores do vosso blog.

Os meus cumprimentos,

Paulo Louro

 

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