Casa da Cultura – a inauguração
A Casa da Cultura de Rio Maior(CCRM) foi inaugurada e…fechou !?!Alguém acendeu e inesperadamente apagou a luz – assim vão programar a CCRM.
Presidiu ao acto o Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, a quem a Câmara reconhece especial expediente e ajuda para a sua edificação. Muito bem, o convite.
Mas malíssima, notada, “esquisita”, indiciadora, a não-presença (ausência é diferente) da Ministra da Cultura ou do Secretário de Estado da Cultura. Foram convidados? Estiveram presentes um director-geral, um chefe de gabinete de Isabel Pires de Lima? de Mário Vieira de Carvalho? Por que não foram?
Imaginemos que o acontecimento seria a inauguração de mais uma decisiva infra-estrutura desportiva, cuja ajuda da S.E.D.Regional fora determinante -- a Câmara não convidaria, não faria derradeiros esforços para a presença, também(!) do S.E.do Desporto ou alguém que o representasse?
Não convidaria pessoas ligadas ao desporto, incluindo atletas locais de élite?
A Câmara descurou excelente, única oportunidade para, com charme político-autárquico, apresentar ao vivo à Ministra ou ao S. de Estado, não só as causas, polivalências, disponibilidades, mas também os objectivos da CCRM. É assim que as (especiais) relações se fazem em momentos marcantes. Relegaram a tutela para intrigante e desrespeitoso “esquecimento”. Não estão à-vontade com pessoas da Cultura.
Quando um dia chegarem ao Palácio da Ajuda para solicitarem apoios, concorrerem a eventos, terão de dizer algo como (…)“há uma Casa da Cultura”, pelo que podem receber a resposta “há? ah… Desde quando? Como está equipada? Que tem programado? A que se propõe?” – e isto não é uma minha antecipada caricatura sobre os primeiros contactos CM-MC…
Amiga riomaiorense teve a gentil ousadia de, em directo e via telemóvel, me proporcionar o discurso do presidente da autarquia especificamente sobre a CCRM. Gastou pouco dinheiro, porque a intervenção foi breve, inócua, vaga, desinteressante, normal. Silvino Sequeira devia ter falado sobre a CCRM essencialmente para as populações concelhias! Para o M.Cultura! Tergiversou sobre a decisão-de--fundo para mandar construir o edifício.
Nada de extraordinário ou inovador às populações garantiu e projectou, porque culturalmente, pouco, muito pouco tem para lhes proporcionar. Não possui um plano, uma ambição, um sonho. Resta-nos não esquecer o seu compromisso de “fazer a transição”(sic) entre gerações, via Cultura. Mas essa já muito tardia “transição” (note-se, “transição” e livrai-nos dela depois de 2009) radica num festivo-lacrimejante saudosismo de episódicos momentos riomaiorenses, quando se esperaria(?!) pelo menos adequado, epidérmico, galvanizante e histórico discurso. Tinha a obrigação de colocar o edifício num patamar globalmente sedutor. Não foi capaz sequer dum esforço nesse sentido, porque está já enraizado o sistemático e programático conceito de Cultura como “matéria” colateral.
Criou, estimulou, tem sido útil um quotidiano (friso, quotidiano) cultural “feudalizado”, desactualizado. Por vezes retrógrado. Sempre “vigiado” no discurso, estagnável na estética, controlado no objectivo social. Cultura q.b.
Ao contrário de alguns conterrâneos, concordo absolutamente e por muitos motivos, com a actuação do Coral e Orquestra Típica. Mas nunca, a Bagatuna, nesse momento. Então não há (oh, se os há!) um bom rancho folclórico do Concelho para receber os convidados? Banaliza-se um acto eminentemente cultural com uma tuna?
E depois? Por que não terminou o evento com um momento-chave, exaltante, por exemplo com a actuação dum nome da Cultura portuguesa? Um concerto!?
Consta que a CCRM permanecerá encerrada até final do ano, por falta de verbas atribuídas e ausente programação. E que a inauguração foi “simbólica”, só porque integrável no Feriado. Estamos a falar de custos não simbólicos mas correntes, elevados: euros. E parados: Cultura, desenvolvimento.
Grave, muito grave essa decisão. Na Assembleia Municipal, nenhum deputado ou vereador interpelará sobre este displicente tratamento da Cultura e desprezo pelos cidadãos?
Surgirá daqui a meses uma programação tão excelente que nos convide à participação, incite o desejo, habitue e consolide presenças ?
Uma pergunta aos senhores autarcas: como passarão a designar, entre-pares e perante os cidadãos, o edifício? Casa da Cultura ou Cine-teatro? “Isto”, esse “olhar” do poder para a eficácia e destino do edifício, é mais importante do que aparentemente se possa pensar….
Por último, o inacreditável e inaceitável título da notícia no blog camarário: “Prenda nos 170 anos do Concelho”. “Prenda”? De quem-e-para quem?
O saneamento básico, as escolas, as estradas, a assistência à doença, as electrificações das aldeias, um parqueamento, o complexo desportivo, um jardim e só como exemplos, também são “prendas” para os munícipes? Uma Casa da Cultura é uma “prenda”(?), algo de somenos importância, tipo “doce” -- ou uma necessidade? Necessidade básica(!) para uma qualidade de vida, entendam de vez.
Alguém quer transformar trabalho e obrigação em dádiva e sacrifício, para obter no quotidiano riomaiorense especial reverência dos habitantes?
Não participarei, e com nada, para esse conceito de cultura “prendada” e muito menos para o conteúdo, embrulho e fita sedosa.
PS – finalizava deste meu “post”, soube do falecimento de Maria Luizette Nunes dos Santos, minha estimada familiar e madrinha de baptizado. No antigo Cinema Riomaiorense, durante décadas, proporcionou a gerações muitos filmes de culto, cultura semanal, obviamente intercalados numa programação mais comercial. Obrigado, também pelas primeiras imagens, textos, sons, cinema “a sério” que eu, jovem, entendi como Cultura.

8 Comments:
Não se trata de qualquer má gestão, ou de uma precipitação gritante na inauguração da Casa da Cultura antes que venha outro que o faça, como se fosse uma política de terra queimada onde se constroi e inaugura (várias vezes) á pressa para que nunca mais ninguém faça nada, senão os que ocupam agora o poder.
Não senhor. A ignorância dos Riomaiorenses é que não permite ver o que é óbvio, infelizmente, apenas para algumas mentes ainda (talvez no futuro lá consigamos chegar todos...?!), que são as mentes dos que agora são poder.
A Casa da Cultura foi inaugurada a 6 de Novembro e o seu primeiro grandioso espectáculo, para além do Coral e Orquestra Típica que foi um simples momento, é a própria Casa da Cultura em si!!!!
A Câmara não promove nenhum espectáculo no seu inetrior porque o primeiro grande evento é a apreciação do seu exterior!!!
Um belo Edifício, implantado num lugar criticável, sombrio e apertado em termos de tráfego automóvel, em cima de um estacionamento com 75 lugares (50 efectivos e 25 virtuais), que será pouco mais que uma extensão administrativa da Câmara.
Tudo isto em nome do fomento da crítica construtiva e despertar de consciências promovido pela própria Câmara.
Este é o primeiro grande passo para começar a fazer Cultura em Rio Maior.
E dizem as más linguas que a Casa fechou e não há eventos...Querem mais ??!!
Os Riomaiorenses é que, coitados, ainda não percebem este estado intelectual. E isso aflige-me!!!
Eu continuo a achar que a criação da “Casa da Cultura” é apenas um prolongamento, não da cultura, inexistente que é, mas do parque de estacionamento. É apenas mais uma manifestação daquilo que tem sido um crescimento implosivo das nossas infra-estruturas. Provavelmente o PDM assim o obrigou. Só espero que os níveis de insonorização sejam elevados, não queiram os vizinhos, ainda por cima, fazer queixa junta da CMRM pelo barulho que a cultura faz em Rio Maior.
Fechou foi???
Este blog fechou???
CAntam de Galo, mas escrever que é bom? nada???
Tem toda a razão no seu comentário, caro anónimo.
Infelizmente esta fase está muito “calma”, quer em artigos quer em comentários.
Valha-nos a colaboração muito pertinente e correcta do nosso mais recente blogger, o amigo Manoel Barbosa.
Tentaremos o mais rápido possível retomar o anterior ritmo de textos, mal passe esta fase em que, curiosamente, e cada um à sua maneira, tolheu os restantes membros mais activos do Rio da Ponte.
Cumprimentos
Nota: relativamente ao cantar de galo, creio que se enganou na terra. Estamos em Rio Maior, não em Barcelos.
Será o Requiem??? Toque de Finados???
Para quem começou com tanta actividade... está em baixo o blog. No início eram artigos quase diários. Um exagero até.
Que é feito do Sr. Edgard? Escrevia sempre tanto... Andará doente?
Falta-vos cá o Killer, o Picador... para dar "pica". :-)
Ah! Descobri o que se passa com o Sr. Edgard: desistiu! Ninguém comentava os posts dele.
Ó Colaço, olhe que nós não estamos em Barcelos mas pode-se dizer que estamos em "Martelos".
Por conseguinte pode-se dizer que em vez de Galo, pode-se falar em "malo".
"Malo" estado a que este concelho chegou !!! Onde é preciso ser-se "martelo" para continuar a martelar aqui...
Foi boa, não foi !!??
O blog dos laranjinhas morreu, de mal terá padecido?
Enviar um comentário
<< Home