VIVER CULTURA NO CONCELHO – I

Hoje, a vivência de Cultura no Concelho não é a mesma por exemplo que em 1985 ou dez anos depois. E em 2020 ou 2040 será o reflexo do que no passado - hoje! - aconteceu.
As pessoas (não) são as mesmas e outras. Uma parte da população acolheu novos cidadãos que com ela se fixaram ou temporariamente residiram. As comunicações mais céleres, apelativas, diversificadas e completas. A oferta e os espaços diferentes, mais e melhores. Em privado ou em grupo, as fruições são temática e qualitativamente díspares.
Nos lugares, aldeias, sedes de freguesia e na cidade, os públicos não só esperam, mas sobretudo anseiam por acontecimentos culturais. Disso há sinais, que não têm sido constantemente percebidos por muitos autarcas. Se o pelouro camarário - todo ele, da vereadora ao animador ou programador, passando pela estratégica e supervisionada política cultural do presidente - conjugarem espaços, se conhecerem as pessoas (faixas etárias, graus de cultura, apetências estéticas e discursivas, economias de cada um, aonde a iliteracia, qual o analfabetismo, quais os seus tempos disponíveis, porquê um não ou um sim à Cultura), poderão proporcionar em tempos certos, um urgente desenvolvimento intelectual e cultural. Será fatal qualquer pressa ou uma programação desaconselhada para um concelho que durante décadas acolheu esporádicos eventos e não soube o que lhe passou ao lado em termos de contemporaneidade. Para um Concelho que não tem, por exemplo, um público Arquivo Municipal e que só agora vai usufruir duma Casa da Cultura.
Casa da Cultura que, espero, seja também o fluxo e "eixo" que acolherá e fará rodar, finalmente e nas freguesias, um saudável, permanente entendimento e apetência por Cultura.
Um eventual e necessariamente profundo conhecimento camarário da Cultura não só concelhia mas também da Cultura "exterior" e contemporânea, ambas articuláveis e desejáveis, é vital para este salutar "tempo zero", entendível não como caótico, inócuo ou princípio mas sim como já uma meta.
Essa parte da população que acolheu e continuará a conviver com novos olhares, outros saberes e específicos objectivos (alunos de escolas, estagiários, ex-emigrantes, visitantes) é a que fez e guarda, na raiz, a História do Concelho. E tem direito a uma programação cultural que obrigatoriamente saiba conjugar o passado com o presente, se quiser consubstanciar o futuro - de todos: ricos e pobres, jovens e idosos, incultos ou cultos, ou de qualquer raça. Sem elites.

14 Comments:
Caro Amigo Manoel,
é pena eu nao lhe poder seguir o exemplo e falar abertamente, usando o meu nome!
É a primeira vez que me dirijo a si nestes novos meios, mas conversas entre nós já foram muitas!
Quero saudar a sua coragem e persistencia em continuar uma luta que muitos ja desistiram: dizer aos riomaiorenses que a nossa dimensão cultural (interior, portanto) faz parte da nossa vida. E que devemos exigí-la ao poder!
Quero tambem dizer que lamento abrir as páginas do região de Rio Maior e não ver as tuas palavras no maior semanário da nossa terra!
Um abraço!
O atento!
Aquilo que escrevru, caro sr. Manoel Barbosa, faz todo o sentido.
A programação cultural tem de ser uma area de base e deve resultar de estudos e da vondade de saber as preocupações, gostos e carencias!
O pior é que nao ha sensibilidade para isto! Temos uma vereadora da cultura (podia ser esta como qualquer outra) que apenas fazem o que alguém deixa fazer!
E esse alguem nao está nada interessado com a evolução cultural e intelectual dos riomaiorenses!
Concordo com o segundo parágrafo do Atento, mas tenho reservas sobre o terceiro.
Escrever em blogs é uma forma de participação politica e civica como qualquer outra.
Na nossa terra é a unica forma de participação escrita pública e livre, porque o nosso único semanário nao conta para efeitos da combate político! Prefere o desporto à informação política, prefere entrevistas de meia página ao filho do presidente do que dar destaque às opiniões da oposição!
Ainda bem que o Manoel Barbosa se juntou ao mundo dos blogs: ajuda a das destaque e permite que as pessoas se questionem!
Senhor MBarbosa,
parabens pelo texto e continue a escrever!
Caro Alberto,
eu não falei contra os blogs, que considero espaço de liberdade e iniciativa politica.
Só axo que ainda nao é um meio de massas no nosso concelho.
é por isso que o jornal tem tanta importancia.
concordo com o que disse sobre o região, mas como alguem aqui referiu, um jornal local, antes de ser um projecto jornalistico, é um projecto empresarial!
o região é uma empresa!
Nito tá tudo dito!
É agradável ler o texto de alguém (Sr. Manoel Barbosa) que vê, interpreta e exprime a sua opinião de forma abrangente e profunda em relação à área que melhor domina, a da cultura. De "visões" imediatistas já estamos nós saturados.
Quanto ao "Região de Rio Maior": (ainda) é um projecto empresarial?
Ao folhear o referido semanário, mais me parece ser um orgão de comunicação oficial da Câmara Municipal, não só pelo que publica a favor desta entidade, mas também (e muito) pelo que não tem publicado para não desfavorecer a mesma.
Pedro Pinheiro
Caro Manoel Barbosa,
mais uma lufada de ar fresco neste concelho parasitado por mentalidades do pós-guerra. parabens aos responsáveis do blog.
agora Manoel fale de cultura, descasque a incompetência de quem olha para o concelho sem uma perspectiva de futuro para a cultura, para a economia e para educação.
teve a melhor reacção aos telefonemas ameaçadores.
o poder em rio maior (porque incompetente e autoritário)respondeu-lhe da única manira que sabe. tb se prepara para transformar a "casa da cultura" numa qualquer sociedade recreativa sem ambição, sem programação. a maior parte do tempo vai estar fechada e pouco a pouco, o espaço irá ser ocupado pelos gabinetes de trabalho que já não cabem no edifício principal.
o presidente da cãmara desloca-se de Volvo, na cultura andamos de carroça !!!!
Congratulo a recente aquisição deste blog. O sr. Manoel Barbosa traz ao blog um assunto que ás vezes é um pouco desvalorizado ou debatido levemente. Ora, eu, com a minha jovem idade, sinto que em Rio Maior não existe uma política cultural activa que enriqueça os seus munícipes, nem nada que se pareça. Umas exposições na casa senhorial, o concerto do seis de Novembro e das festas da juventude e pouco mais. Certamente existem mais coisas que a minha memória não alcança, mas não me parece que sejam actividades que criem uma rotina, que criem um sentimento que apele à participação sistemática dos riomaiorenses, ou seja, algo que crie um hábito. Esse hábito trará consigo a sustentabilidade económica destas actividades, o que custa é criar a dinâmica, porque se há sectores em que este país ainda está um pouco “atrasado” é em reconhecer o devido valor à cultura e reconhecer que certas actividades são fundamentais para o enriquecimento das populações.
Com a nova casa da cultura surge uma oportunidade de acabar um pouco com o marasmo existente na nossa cidade, atente-se aos exemplos de cidades como Torres Novas, Famalicão, Sines, Caldas da Rainha e Alcobaça que dentro das suas possibilidades criaram condições para que pudesse acontecer cultura.
Os tempos são outros, hoje em dia é mais fácil comunicar assim como é mais fácil sair de Rio Maior, a oferta fora de Rio Maior avoluma-se e por cá continuamos como se nada existisse num completo deserto, temos um cinema ao abandono e fazemos um cine teatro à beira, enfim…
O único espaço em Rio Maior em que reconheço a existência de uma programação objectivamente definida é o bar “inabar”, que inclusivamente apresentou este mês um artista musical da novíssima vaga, tão nova que só esta sexta feira passada apareceu um artigo sobre o referido artista no jornal o público. Realmente, parece a brincar, mas se calhar os riomaiorenses até merecem o marasmo em que vivem, eu consigo lembrar-me de inúmeros exemplos de acções culturais que nunca tiveram o feedback e divulgação devida.
No entanto há que continuar a tentar, isto com jeitinho vai…
Saudações,
Paulo Louro
Caro Manoel,
Bem vindo à "Ilha". Digo Ilha não do blog, mas do concelho, que a é. Sem qualquer ofensa a Madeirenses, Açoreanos e afins. Digo Ilha e, secalhar, tropical. Não pelo clima mas pelas bananas ( felizmente que não é República ). Mas é um Estado dentro do Estado. Um estado lastimável a que chegou em termos de Cultura, para não falar de outras áreas. E é o faroleiro licenciado em História !! Veja-se se não fosse, e viesse de Economia ou Gestão de empresas ou Finanças ?!... Já tinha vendido as Freguesias em regime de time-sharing e em vez de promover o "Alindamento" das entradas da cidade tinha lá posto umas portagens.
Bem ... temos Casa da Cultura ( a segunda que parece originar o fecho da primeira - D'El Rei D. Miguel ) e agora ? Construimos uma terceira para vir a fechar esta segunda ? Ou instala-se lá a Secção de Cultura da Câmara e compra-se um sotware para fazer Cultura Virtual. Tipo estes SIM ( simuladores de vivências reais que há agora) ? Cada riomaiorense podia criar o seu próprio ambiente cultural e eventos, promovendo encontros e espectáculos por teleconferência. Com sorte e o Faroleiro ainda arranjava um fundo comunitário de tecnologias que dava para comprar o software e pagar metade da dívida da Câmara ( por sobre-orçamentação do programa informático ). Que lhe parece ?
Um grande abraço e bem vindo.
Para os mais desatentos e para os mais interessados uma informação não oficial mas de fonte normalmente mais que bem informada.
A inauguração do cineteatro terá lugar no dia 6 de Novembro com um concerto de 2 bandas riomaiorenses.
Esta é a única actividade prevista para este ano naquele espaço, visto que ainda não foram contratados os funcionários necessários, nem se sabe se o orçamento do municipio permitirá a contratação no próximo ano.
Se tal não for possível a gestão do espaço será entregue à DESMOR, empresa que vai assumir desde já a gestão do parque de estacionamento subterrâneo.
Veremos se irá acontecer o que aconteceu em Silves:
A Câmara à cerca de 1 ano, pelas eleiçoes aut. inaugurou ? um cineteatro / centro cultural, só para os foguetes eleitorais.
Logo após a festa e, como não tinha "pessoal", diga-se dinheiro, fechou tudo e aguarda por melhor oportunidade de abrir - diga-se de reinaugurar novamente, talvez para as próximas autárquicas.
Será que em Rio Maior NÃO TEREMOS ALGO PARECIDO ?
Aguardemos pelo 6 Nov. para se perceber melhor.
Dizem que a inauguração do Cine Teatro será no Feriado 6 Novembro.
Pois, antes da sua inauguração prevista, no ensaio geral, já tivemos vários cenas de entrada de água em doses abundantes pela porta principal.
Devido às chuvadas intensas, teve que se recorrer às "sacas de areia" frente ao edificio para fazer barragem à água.
Que terá sido o Eng que desenhou a obra ?
Quem terá aprovado esta "coisa" linda, terá sido o Presidente, o Vice, com a colaboração ex-vereador que saiu para Lisboa.
Será que após tantas obras feitas, ninguém sabia que, as portas do Edifício teriam que ser mais elevadas que o piso da praça fronteira, para não meterem água e inundarem o edificio todo.
Porque será que, ninguém nesta terra faz nada em condições e a pensar no futuro.
Tudo custa muito dinheiro e ...
pelo andar da carruagem e pelo que dizvasco tavares o cine teatro não vai acrescentar absolutamente nada à cultura no nosso concelho, nem como produção cultural, nem como oferta cultural para consumirmos.
rio maior continua no seu melhor.
olhando para a sociedade civil também não vemos iniciativas mobilizadoras. Na cidade a associação cultura jovem e a atrium cedo se cansaram de remar contra a maré, não se conseguindo afirmar como óasis de organização de iniciativas e produções de cultura. pelas aldeias continuam os grupos de tetaro de ocasião, os ranchos e as bandas de música (estas com uma perspectiva de banda de música de meados do século passado!!).
o cine teatro poderia/deveria ser um elemento desencadeador de iniciativas capazes de provocar alterações significativas no desenvolvimento cultural do concelho. não é porque a visão dos responsáveis é estreita, não conseguem lideranças de qualidade e a sociedade é amorfa para exigir. Ou seja uma grande pescadinha de rabo na boca !!!
Resta a rio maior uma reorganização administrativa do país e o seu desaparecimento como concelho. é ao que vai levar a politica suicida da autarquia e a falta de alternativas válidas e credíveis (não é assim sr. Rola ?)para a liderança do concelho
"bandas de música (estas com uma perspectiva de banda de música de meados do século passado!!)"...
O Caro Pronto essa frasezita faz-me rir, vc já ouviu as bandas do concelho??? ou melhor, será que já ouviu alguma banda nestes ultimos 8 anos??? parece que não, pois nestes ultimos anos as filarmónicas mudaram mto, e em todos os aspectos, mas no que respeita à música tocada, não tem nada a ver com o que se fazia nos meados do século passado, a única coisa que se continua a fazer dessa época e infelizmente, são os peditórios, mas so com eles se fazem festas e se obtém receitas...
David
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