Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Assaltados


Segundo o Portugal Diário, o assalto a uma dependência bancária ocorrido na cidade de Setúbal teve como móbil a “concessão de um empréstimo de cerca de 100 mil euros que lhe teria sido prometido, mas que ainda não tinha sido desbloqueado”. Mais adiante, dizia notícia que o homem tinha um negócio de restauração e que “já estava atrasado no pagamento do aluguer do mês de Outubro”.

Este é apenas um aflorar de uma crise que abafa toda a sociedade portuguesa escravizada por empréstimos contraídos a pataco, mas a pagar com “língua de palmo”. Esta não será a única situação limite ou sequer a mais dramática. Foi apenas a mais mediatizada. Quem não conhece um ou mais casos próximos, de pessoas que puseram termo à vida porque não conseguiam aguentarem a vergonha de não suportarem os encargos contraídos perante a banca?

A mistura era e é explosiva. Pouca informação dos consumidores, grande e destemperada publicidade da banca e um consumismo inigualável dos portugueses só podia acabar por entornar o caldo. Tudo se compra a crédito e o preço há muito que deixou de ser discutido, para apenas “discutir” a mensalidade, se cabe ou não no orçamento familiar. Tudo “simples” era só assinar papéis!

O resultado de tudo isto é que muitas famílias portuguesas hoje já só comem a sopa e servem o “bife” ao banco. Num clima de verdadeira “agiotagem” a banca renegoceia contratos, aumenta “spread’s, alarga prazos como se fizessem um imenso favor. Um favor exactamente igual aquele que os amos faziam aos escravos chicoteando-os por mais tempo e com mais força!

Mas como dizia o meu avô: “não há peru que não tenha a sua véspera de Natal, nem galo que não tenha o seu dia de Entrudo”.







4 Comments:

At Sábado, 07 Outubro, 2006, Anonymous Anónimo said...

E o que é que o seu avô quer dizer com isso? Neste caso, o senhor relativamente ao assunto em questão.

 
At Domingo, 08 Outubro, 2006, Blogger Edgard C.Gomes said...

Meu caro anónimo.
O que o meu quis dizer, e que eu subscrevo, é que por mais que os perus, ou os galos, sejam gordos e anafados a ideia que subjaz é "cortar-lhe pescoço"
E quantos mais nutridos, mais carne há para comer.
Os perus é mais pelo Natal. Os galos é mais pelo Entrudo.
É verdade que alguns ainda desatam aos pulos mesmo sem cabeça. Consta mesmo na nossa história, que um galo já depois de cozinhado e estendido na travessa sobre mesa de reis, se levantou e cantou, mas isso eram outros galos. Os galos de Barcelos!
Não sei se me fiz entender, mas acredite que me estou a sentir a Ana Bustorff a fazer o anúncio da Oni.

 
At Segunda-feira, 09 Outubro, 2006, Anonymous MG said...

ahahahhaha ahhahahahh
anonymous? foi preciso mesmo explicar como se fosse??? ou já é?

 
At Segunda-feira, 09 Outubro, 2006, Anonymous Cila (a que sabe!) said...

E eu que pensava que o homem tinha ido ao BES porque não tinha pais ricos, nem tinha ganho a lotaria!

 

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