Publicidade Mentirosa
Um anúncio institucional tem vindo a dar que falar. Trata-se de um anúncio patrocinado pelo Ministério da Administração Interna e pela Galp Energia e visando a sinistralidade rodoviária infantil. A frase chave é bombástica:"Todos os anos a velocidade nas estradas vitima um avião cheio de crianças". E reforça “todos os anos morrem trezentas crianças em acidentes rodoviários.Não indo pela questão do gosto duvidoso de uma campanha publicitária patrocinada pelo Estado, é preciso ir pela veracidade dos dados referidos, todos eles falsos segundo as reacções subsequentes. «O avião é um exemplo muito infeliz e não faz sentido comparar o transporte aéreo, o mais seguro do mundo, com o sistema rodoviário, (…) em 2004 morreram 42 crianças – até aos 14 anos – nas estradas portuguesas e em 2005 morreram 27» afirmou o director da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Manuel Trigoso.
Este é mais um exemplo de como o verão faz mal às moleirinhas dos nossos governantes. Desde o mau gosto da campanha, passando pela costumada descoordenação dos serviços do Estado, até à mentira grosseira há de tudo. Eu sei que os portugueses no verão ficam um bocado como os animais de estimação – abandonados à sua sorte – mas pelo amor da santa tenham mão nesta cambada de incompetentes. Uma campanha custeada pelos constantes aumentos de combustíveis, um autêntico saque à bolsa dos portugueses, devia servir para mais alguma coisa que alimentar clientes indesejáveis.
Este é mais um exemplo de como o verão faz mal às moleirinhas dos nossos governantes. Desde o mau gosto da campanha, passando pela costumada descoordenação dos serviços do Estado, até à mentira grosseira há de tudo. Eu sei que os portugueses no verão ficam um bocado como os animais de estimação – abandonados à sua sorte – mas pelo amor da santa tenham mão nesta cambada de incompetentes. Uma campanha custeada pelos constantes aumentos de combustíveis, um autêntico saque à bolsa dos portugueses, devia servir para mais alguma coisa que alimentar clientes indesejáveis.

11 Comments:
Eis um exemplo, Caro Edgard, de como os simplex's e os planos tecnológicos são a mentira do século.
A boa vontade (demonstrada pela criação destas duas iniciativas) desacompanhada da competência para as pôr em prática, redunda num fracasso monumental!
Qual é a credibilidade de um Governo que fala em coordenação de serviços quando não se sabe coordenar com os seus organismos?
Qual a credibilidade de um Governo que chuta para o ar número fantasiosos?
Se José Sócrates tivesse organizado o desembarque na Normandia, o dia D teria sido um fracasso!!!
Caro Edgard,
gostei muito da sua metáfora: "Eu sei que os portugueses no verão ficam um bocado como os animais de estimação – abandonados à sua sorte."
os políticos tem direito às férias, como todos nós, mas nao tem o direito a abandalhar o sistema, como se estivessem a governar de calções e caipirinha!
parabens!
O texto de uma campanha publicitária não é propriamente uma notícia; é uma mensagem e veicula uma intenção. O Edgar deveria ter incluido no seu post a argumentação da agência de publicidade, perante as críticas ao filme.
Considerar a campanha de mau gosto é uma infeliz atitude da sua parte. Está a credibilizar os condutores que continuam a circular com crianças no banco da frente, que entram em excesso de tudo e mais alguma coisa. Não podemos argumentar que não morrem por ano 40 ou 50 ou 300 crianças. A verdade é que morrem muito mais crianças em Portugal do que noutros países civilizados da Europa.
O Edgar faz lembrar o vereaneante que, apesar do aviso de queda de pedras se colocou em zona de perigo. Havia avisos mas, não fez caso... Se lhe tivessem mostrado um anúncio-choque em que se afirmasse que todos os anos morrem pessoas nas praias porque se põem à sombra das arribas ou entram pelas ondas apesar da bandeira vermelha ... talvez não se pusesse no sítio errado à hora errada.
Parece que não é só ao políticos que o sol faz mal à moleirinha...
Ó Caro Edgar, emende lá a mão e dê os parabéns à campanha publicitária. Convença-se que só talvez os portugueses comecem a ganhar juízo.
E fora com o Trigoso... o homem deve estar com medo que, diminuindo a sinistralidade ainda alguém se lembra de acabar com a PRP.
Ou então não contrataram a agência de publicidade que estava debaixo de olho.
Sua Exa. o Ministro António Costa, veio hoje defender o que não tem defesa. A lástima deste anúncio! Do alto da sua pesporrência, lá vai aduzindo que «não sou técnico para comentar anúncios» e acrescenta "lampeiroso" «verdadeiramente chocante é a realidade da sinistralidade».
Uma anedota este ministro!
Transforma GNR's em bombeiros e "burros" em publicitários. E o pagode bate palmas!
Agora meu caríssimo Pronto:
Eu sei que o texto da campanha não é uma notícia, é uma mensagem e tem um objectivo. Muitas vezes acontece que a forma como o objectivo é atingido não é a prevista – sinceramente desejo que a campanha apesar da concepção duvidosa tenha êxito –, mas o problema aqui é que porventura esta “rapaziada da avioneta” limitou-se a eleger um número comprovadamente falso e a metê-lo num avião. Repare, poderiam metê-lo num daqueles batelões que trazem africanos para a Europa, aí pelo menos o desastre era mais certo.
Por outro lado o facto de o número de crianças ser realmente menos, não me satisfaz nem um pouco. Uma criança já seria muito e portanto não pode ser por aí a crítica à crítica. A crítica é mais porque certamente não existe um objectivo definido e quantificado, e toda a concepção do anúncio revelar “ um amadorismo” que apenas se concede aos amigos. Faz lembrar uns certos outdoors de há anos, algures a seguir às eleições legislativas de 2002, e que nasceram nos locais mais inusitados a pedir “paz na estrada”.
Sobre o Trigoso, partilho da sua opinião: o homem é como os sindicalistas de carreira só sairá da PRP com uma telha de enxofre. E claro depois de tantos anos também deve ter os seus conhecidos no meio publicitário. E assim continuamos neste fadário, meu caro amigo. Falta de exigência, resultados a condizer!
Concordo em parte com o Caro Pronto:
as companhas choque são muito importantes e directas.
Está por provar a sua eficácia porque, não só com a públicidade violenta aos meleficios do tabaco nem toda a gente deixa de fumar e, por outro lado, são muitos os que se iniciam no cigarro (nao sendo todos eles jovens e inconscientes).
Mas a verdade é que as campanhas choques são uma chapada em todos nós que nos acordam para realidades muito duras para as quais nem sempre estamos alertados.
agora, uma coisa é a publicidade choque outra é a publicidade absurda!
Se eu disser: morreu na estrada o equivalente à populaçao do Liechtenstein, é credível; se eu disser que morreu na estrada em Portugal o equivalente à população da China, é de chorar a rir!
o objectivo é fazer reflectir o povo, não é por-nos a fazer contas e deduzir que o Estado nos mente!
sobre os termos da sua crítica pessoal ao blogger, caro Pronto, penso que exagerou!
concordo com algumas das opiniões que aqui foram dadas, e nao subscrevo os insultos.
queria só realçar um pormenor: enquanto mãe (e boa chefe de família, embora nao seja do benfica), gostava que a lei fosse mais dura para com os pais que são insensatos na estrada quando levam os seus filhos dentro da viatura!
deviam ser punidos.
é verdade que serem-lhes retirados os filhos é uma coisa radical, mas pelo menos deviam ter forçados a trabalhos sociais.
com o comentário do pronto, sempre pronto a cascar no Edgard (mas que ja nao casca tanto no Paulo Colaço) ficámos a perceber que neste blog têm de ser os autores a dar os argumentos contrários ás suas teses, em vezes de serem os comentadares...
olhem q'esta...
com o comentário do pronto, ficámos sobretudo a saber que o sol nao faz apenas mal aos autores deste blog, também é prejudical a alguns comentadores!!!!!!!!!
O comentário do Pronto é extremamente pertinente, ao contrário do post do Edgard.
Acho que o Edgard gosta mesmo é de cascar no governo. É sempre "bota-abaixo". Nada do que este governo faz tem cabimento, lógica, assertividade. Deixe de ser fundamentalista, homem.
Acho que em Portugal, com a falta de civismo que grassa por aí, só mesmo com campanhas de choque. E não me parece que a questão dos números faça qualquer diferença. Escreva um artigo que realmente diga algo e não sobre publicidade (com óptima intenção), bolas da nívea e coisas do género. Ou então não escreva nada. Será o melhor.
A cereja
Sabe-se agora que este anúncio não passa de um plágio mal-amanhado.
E logo o pressuroso António Costa vem dizer « que se limitou a aceitar a proposta da GalpEnergia para uma campanha de prevenção rodoviária.»
E logo a Galpenergia vem anunciou «que vai pedir explicações à BBDO (agência de publicidade.»
E logo a BBDO, recusando o plágio, atira « foi pura coincidência».
Aquilo a que podemos chamar um ROTEIRO DE IRRESPONSABILIDADE ao qual o GOVERNO de Portugal deu cobertura.
É a cereja em cima do bolo.
Meu Deus, que raio de coisa haviam de falar neste blog. Mas tudo isto só revela é que a publicidade foi bem feita, toda a gente fala dela... mas uma coisa é certa, é que o olhar daquelas criançinhas faz pensar lá isso faz.
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