Assumir responsabilidades
Em Agosto de 2002, foi encerrado o Serviço de Atendimento Permanente (SAP) no Centro de Saúde de Rio Maior, no período das 24 às 8 horas. Na altura, anunciado como uma medida temporária e justificada pela falta de médicos no período de verão. Passados que vão quase quatro anos, muitos comunicados depois, muitas tomadas de posição após, e apesar das diligências feitas, a verdade é que a cidade de Rio Maior perdeu, por tempo indefinido as suas “urgências”!Num tempo em que o estado gasta mais de metade da riqueza produzida na sua auto-alimentação, pagando principescamente os seus vendedores de ilusões, é tempo da tão propalada, mas sempre difusa sociedade civil, assumir as suas responsabilidades. E isso não pode ser feito com palavras, mas com actos de verdadeira cidadania. Como disse Francisco Sá Carneiro “se não conseguimos sair do isolamento das nossas ideias, da teoria das nossas palavras, à realidade da actuação prática, as ideias definham e as palavras tornam-se ocas”.
Aquando do encerramento do SAP de Rio Maior, e quando íamos esbarrando num mundo de impossibilidades e silêncios comprometedores, apresentei na Câmara uma proposta/ideia para que a sociedade civil de Rio Maior, na altura sugeri que fosse a Misericórdia que tão relevantes serviços tem prestado aos riomaiorenses, assumisse a gestão do nosso Centro de Saúde. Havia outros exemplos bem sucedidos no país e parecia-me, e ainda hoje me parece, que a instituição estaria à altura desse desafio.
Na altura não foi possível, avançar com a ideia, por motivos, penso eu, que nada terão a ver com facto de tal ideia ter partido da oposição – ninguém é, ou deveria ser, oposição à sua terra –, mas agora que o actual ministro da saúde vem novamente apontar no sentido da contratualização dos Centros de Saúde, é uma boa oportunidade de passarmos das palavras aos actos, deixando a lamúria e assumindo a resolução dos nossos problemas.
Em Rio Maior existe uma longa e boa tradição, na resolução dos seus problemas de saúde, quando ainda não estávamos atidos ao Estado. É preciso envergonhar este Estado, que anestesiou a sociedade com promessas que manifestamente não pode cumprir e retomar a iniciativa no que concerne à problemática da saúde em Rio Maior. Não adianta esperar milagres, resta-nos apenas exigir ao estado que se não puder ajudar, pelo menos que não atrofie os cidadãos que, livremente, querem resolver os problemas da sua comunidade.
Dir-se-à, com toda a pertinência que isso será um desafio ciclópico, e na verdade assim é. Mas isso também pode ser o caminho da nossa emancipação como comunidade, deixando os enunciados e passando à prática, recolhendo a mão à esmola e utilizando-a no trabalho. Mais, se compararmos qualquer esforço actual à grande epopeia que constituiu a construção do hospital da Misericórdia no século passado, é apenas uma pequena tarefa e mais pequena será se todos cumprirmos o nosso dever, nela participando activamente!

14 Comments:
a actual situação do SAP em Rio Maior espelha a actual situação do próprio concelho.
Uma tristeza!
Estamos sem competividade nenhuma! Apesar dos brados socialistas sobre os avanços de Rio Maior, eu pergunto qual é o avanço de uma terra cuja Rodoviária fecha aos sábados de tarde e aos domingos de manhã?
Que sinal damos aos que querem vir morar para Rio Maior se lhes dissermos que nao temos Urgências de noite?
O poder político tenta remediar a situação. Nem tudo é mau para os lados do PS. Sei que se empenharam nisso, mas foram ineficazes! Como têm sido ineficazes em tantos indicadores que fazem das terras polos de competitividade e empreendedorismo!
abraço
ZP
Caro Edgard,
Saúdo o seu texto.
“é tempo da tão propalada, mas sempre difusa sociedade civil, assumir as suas responsabilidades” – muito bem dito!
Gostamos de dizer que os partidos e os responsáveis do Governo e Câmaras se devem voltar para a sociedade civil, mas será que a tal sociedade civil é merecedora dessa atenção? Será que a tal sociedade civil quer atenção? Será que a tal sociedade civil tem a dinâmica necessária para agarrar com ambas as mãos as oportunidades que exige?
Desconhecia dessa possibilidade do centro de saúde de Rio Maior poder ter sido “agarrado” pela Misericórdia, e menos sabia que o autor da ideia era um autarca da oposição. Ficou-lhe bem reconhecer (embora com uma redacção fina) que se a ideia fracassou tal não se deveu ao PS, mas eu vou mais longe: se não se deveu ao PS, deveu-se a quem?
Será que os riomaiorenses sabem as causas do horário restrito das nossas urgências?
Eu penso que não! E essas causas deviam ser publicitadas! Debatidas! A sociedade deve estar sempre informada das causas dos seus problemas, pois só assim conseguimos resolve-los!
lanço o desafio de se debater esse tema pela própria Misericórdia, dirigida por um riomaiorense de grande dimensão!
«o estado gasta mais de metade da riqueza produzida na sua auto-alimentação»
se os riomaiorenses soubessem quanto gasta a Câmara Municipal de Rio Maior a pagar ordenados a pessoas de fora do concelho, avenças e coisas que tais, a gente que raramente mete os pés na nossa terra, até se inscreviam todos no PS para subir na vida.
Não foi o Dr. Soares que falou há uns anos no direito à indignação? Não foi ele que disse que o PSD colonizou a administração com o cartão laranja?
E que dizer nestes dias acerca do cartão rosa?
estou convencido que Rio Maior será uma cidade seca dentro em breve!
seca de ideias, seca de dinamismo, seca de gente nova!
E a culpa, desculpem, nao é do PS ou do PSD ou de qualquer partido. É desta maldita competitividade que leva as empresas a fugirem para Lisboa e outros centros importantes. Já nao ha respeito pela região de que se é natural, não há vontade de contribuir para a sua terra (dando emprego aos jovens locais e injectando a economia local de potencialidades).
Na nossa região, apenas Caldas e Leiria se safam.
E eu pergunto: o Estado não devia dar mais atenção às pequenas terra? De quem foi a ideia de se fechar o hospital? certamente não foi do Presidente da Camara!
Essa pessoa responde perante quem? Pergunto só mais isto: e se um dia os independentes puderem concorrer ao Governo?
É uma boa ideia!
A Saúde, nai sei se felizmente ou infelizmente, é um negócio.
"Felizmente" porque enquanto der dinheiro, haverá sempre quem queira apostar nela, oferencedo serviços de qualidade e salvando vidas.
"Infelizmente" porque haverá sempre mercenários no sector.
Eu sou social-democrata, ou seja, uma pessoa que acredita que o Estado não deve ser capitalista (teoria onde tudo é privado e orientado para o lucro) nem comunista (teoria onde o estado é dono de tudo, apagando a iniciativa privada).
Para mim, o Estado deve estar nesse intermédio: essegurar tarefas fundamentai (forças armadas, justiça, segurança, obras públicas), estar presente em alguns sectores (transportes, banca, saúde, energia), e afastar-se de outros que compete à iniciativa privada organizar-se.
É por isso que penso e digo: a sociedade civil têm de passar a reivindicar mais a sua posição na sociedade. não basta dizer que o Estado é mau gestor: tem de haver coragem para assumir a gestão de coisas públicas!
Força!
Centro de saude com que então? Serviço de Atendimento Permanente ??
Fui só eu que ouvi ou a CMRM e o nosso estimado amigo Silvino não anunciaram antes das últimas eleições autárquicas que tinham um acordo com a Administração Regional de Saúde para a reabertura do SAP, suportando a Câmara algumas das despesas da contratação de um médico?
Deve ter sido mais uma promessa de campanha, só pra eleitor otário ver!!
Tal como aquele centro de dia para os idosos da cidade, ao lado da sede do PS, na R. Afonso Henriques. Tanta obra em grande velocidade nas últimas autárquicas e desde que terminaram as eleições nem mais uma pedrinha foi mexida!
Caro Edgard Carvalho Gomes:
O senhor foi vereador, não foi?
Então também é um pouco responsável pelo fiasco dessa sua proposta de passar a batata quente à Misericórdia!
A Câmara fez tudo ao seu alcance! TUDO!
Os riomaiorenses sabem-no muito bem! Sabem-no tão bem que não acreditaram no discurso oco dos seus amigos que se candidataram à Câmara e à Assembleia! Um deles até escreve neste blog!
Outra coisa: preocupe-se mas é com assuntos de futuro e não com temas gastos e velhos como o hospital! Não ter urgências é algo comum a muitos concelhos!!!!
Caro IRS:
O que é um eleitor otário?
Será um eleitor que acredita piamente nos milagrosos efeitos que o aeroporto da Ota terá na pobre economia riomaiorense?
É que a julgar pelas maravilhas que o Dr. Silvino diz sobre a Ota, parece que o nosso burgo ficará tão bem servido que até se pode ligar o “piloto automático”.
Nesse caso, se o Presidente passar a Câmara ao filho que não haverá males de maior.
É claro que antes terá de oferecer qualquer coisinha ao Dr. Nazaré para ele sair do caminho…
D. Sebastião
Bem, enquanto eu próprio não lanço o meu blog pessoal, deixem-me meter aqui umas bandarilhas.
Em primeiro lugar, este blog, embora tendo um advogado do PP (com a cosmética de independente) e um Jornalista, não deixa de ter forte conotação com o PSD.
Isto diz bem que o maior partido de oposição em Rio Maior está a aprender o significado de “Marketing Político”.
Aliás, já se tinha visto um ensaio de uma boa estratégia de comunicação nas últimas autárquicas, com a candidatura à maior Junta: o apagamento que se fez do laranja e o afastamento da campanha do António Rola foi uma prova que no PSD já começou a haver pessoas que pensam!
Mas, dizia eu: este blog pode ser o arranque daquilo que o PSD nunca fez – comunicar a sério com as pessoas!!!
Em segundo lugar, a dinâmica do blog é muito boa: sempre uma foto alusiva, textos bem escritos (uns podiam ser mais sucintos, mas não se pode querer tudo), temas variados, quatro pessoas a postar (isso permite várias opiniões, estilos e ritmos), todos dando a cara (é essencial como máquina de opinião pública) e escolha prévia dos comentários a lançar.
Isto pode parecer pidesco, mas pelos comentários que aqui tenho lido (nomeadamente do Killer, do Picador de Gelo, do Poisé e o Atento), é notório que aqui a opinião contrária ou equidistante não é travada.
Parabéns!!!
Agora, em terceiro lugar, vamos ao artigo do Hospital.
Como o autor (ex-vereador e ex-presidente do PSD) refere, urge deixar a lamúria e assumir a resolução dos nossos problemas. Era bonito se a sociedade pegasse no hospital e o administrasse, porém, caro Edgard, o problema é que os portugueses criticam muito os políticos mas acabam por lhes seguir o exemplo de “adormecimento à sombra da bananeira”. Veja: há quantos anos era evidente que o Centro de Saúde estava a ficar sem capacidade de resposta? E o que foi feito? NADA!
Rio Maior não tem médicos. Não tem uma opinião pública forte! Não tem políticos da oposição que causem dor de cabeça ao Dr. Silvino e à sua corte de bajuladores e de incapazes!
Tenho quase a certeza que o PS está a fazer o seu último mandato, mas tudo podia ter sido mais rápido se o PSD tivesse escolhido o Eng. Élio para candidato novamente (sem a muleta do PP, que só estorva e nada acrescenta).
Existem nesta plêiade de comentários várias questões levantadas, às quais procurarei responder da forma mais sucinta possível.
1-O concelho está sem nenhuma competitividade e é cada vez mais uma cidade “seca”.
Não posso concordar mais. Mas isso tem um grande culpado, a que aponto sem nenhuma relutância o dedo: Silvino Sequeira! Quando alguém afirma sem qualquer rebuço que “prefere desenvolver o concelho através do investimento público, por que no Estado não existem falências” está tudo dito!
2-A câmara gasta muito na sua auto-promoção e dos seus “gestores”. Direito à indignação dos cidadãos.
É possível que o faça, mas isso é um “pau de dois bicos”. Fazer publicidade enganosa, é como a mentira: tem perna curta. E realmente fazer reclame a um jardim, que é o que é, trazer constantemente para a pantalha os seus elementos mais incompetentes, tentar controlar a comunicação no concelho, ter uma estação rodoviária concluídaa e encerrada há anos, são exemplos de como “ o feitiço se esta a voltar contra o feiticeiro”. Como popularmente se diz, “foi chão que deu uvas”. Quanto à indignação, em 2009 é o tempo útil para a manifestarmos de forma objectiva.
3-O encerramento das urgências (SAP).
A ideia do texto lançado, não era arranjar culpados específicos para o problema criado. Nesse aspecto ninguém estará isento de culpas. A ideia é abrir a discussão sobre as possíveis formas de resolver o problema que é muito mais nosso que de um estado refractário às suas responsabilidades.
A ideia veiculada aqui, de ser a Misericórdia a assumir a gestão, nada tem a ver com o “passar da batata quente”, mas apenas com o aproveitar do conhecimento que esta tem na área e da “ajuda” que a câmara disponibilizou publicamente: suportar o vencimento de um ou mais médicos. A não ser que “o anúncio dessa ajuda” tivesse sido apenas um folclore eleitoral. Um inqualificável folclore assinale-se!
Este é o assunto que vai tornar cada vez mais actual à medida que as pessoas forem sentindo as dificuldades que se vão aproximando a passos gigantescos. Não restem dúvidas disso, num futuro demasiado próximo, serão cada vez menos as pessoas que podem ir a uma consulta particular! Nessa altura a situação resolver-se-á, de uma forma ou de outra. Resta-nos a nós, cidadãos de Rio Maior, escolher a melhor.
E porque não criar uma Empresa Publica (EP)pra área da saúde? Ou aproveitar alguma já existente para o efeito?
Afinal criam-se EP para tudo e mais um par de botas, porque não para uma área de serviço publico efectivo?
Em Rio Maior existe uma EP para o desporto para a qual são transferidos milhões de euros, alegando-se que desporto é saúde. Ora aqui está a ideia pra conjugar as duas vertentes:alterar os estatutos da Desmor para que possam abranger a área da saúde no concelho e candidatar-se à gestão do Centro de Saúde.
Esta ideia do anónimo para que seja a desmor a gerir o centro de saúde é boa. Com tantas cabeças pensantes no nosso concelho como que ninguem se havia lembrado disso antes?
ehehe, a DESMOR administrar o Centro de Saúde?
Mas se nem o Desporto eles administram bem!!!
Se os riomaiorenses soubessem como aquilo funciona mal e os prejuízos que dá, teriam retirado o tacho ao PS!
Interessante e pertinente matéria.
Gostaria de deixar duas notas quanto ao post.
1ª
Eis uma idéia fundamental para o crescimento de qualquer sociedade de matriz ocidental, ou melhor, de matriz não socialista: Iniciativa privada.
É tempo de a sociedade civil se organizar, de investir, de tomar as iniciativas motoras do desenvolvimento.
Esperar do Estado (em sentido amplo, ié, englobando as autarquias)que tome todas as iniciativas, que tudo subsidie e que tudo apoie não é solução.
Ademais, o Estado atingiu no nosso país um alto grau de corrupção, a vários níveis, o que acaba por desvirtuar a concorrência e gerar a insegurança e a incerteza quanto aos eventuais investimentos, bem como ao completo desvirtuamento das políticas de subsídio.
Basta ver o que foi a política dos fundos estruturais europeus que, em grande número de casos, subsidiaram plantações de jipes e de casas de luxo, Ferraris e afins.
Com um Estado assim, os investidores pensam duas vezes e à segunda optam pelo chico-espertismo, ou seja, aquele que lhe permite sobreviver nesta selva.
Porque neste país, das duas uma: Ou se tem valores e não se passa de um estúpido idealista ou se é chico-esperto e se tem sucesso.
Daí a fundamental necessidade de, por todos os meios legítimos, afastarmos os políticos corruptos, os dirigentes corruptos, a burocracia (grande fonte e plano de corrupção)e de uma forma geral denunciar e levar perante as autoridades judiciárias todos aqueles que prevaricam e se locupletam à custa do erário público.
Daí a necessidade de os eleitores, por via do seu voto, sancionarem verdadeiramente todos aqueles que se revelam perdulários, incompetentes, corruptos.
Iniciativa privada sim, absolutamente!
Mas num quadro de livre concorrência, com pouco Estado, com melhor Estado e com titulares dos órgãos de condução do país (especialmente os autarcas) conscientes o seu fundamental papel na prossecução do interesse público ou colectivo, no desenvolvimento das regiões e na conquista de níveis elevados de bem-estar social.
E sempre, sempre, norteados pelo princípio da legalidade.
Sem isso, nada feito.
2ª
Caro Edgard,
O que o meu amigo propõe é uma solução que, como bem sabe, cada vez mais vem sendo adoptada por essa Europa, com provas dadas.
Aparentemente, trata-se de uma parceria que, ao abrigo de um protocolo, permite a disponibilização de um serviço público pela mão de instituições privadas ou de solidariedade social, com a vantagem do aproveitamento das sinergias que por essa via se estabelecem.
Belíssima iniciativa.
O meu caro amigo não contou foi com as quesílias, a mesquinhez, a menoridade de uns quantos patetas cujos horizontes não vão além do próprio umbigo.
Mas não é caso para desistir.
Pelo contrário.
Ainda acredito que a força da razão é superior à razão da força!
E, neste caso, penso que tem a força da razão do seu lado.
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